Street Fighter 4 vs HD Remix: quando o contemporâneo vence o saudosismo

Saudações aos rápidos.

No post de hoje farei uma comparação com dois games que joguei recentemente: Street Fighter 4 e Super Street Fighter 2 Turbo HD Remix, ambos no Playstation 3 de um dos meus amigos next gen. A quem acha essa essa idéia estranha, já deixo claro que não se trata de uma comparação qualitativa entre os dois títulos, que por óbvio são bastante diferentes. O que farei aqui é uma , digamos, comparação entre o design e a filosofia estética entre os dois jogos. Como disse no título, o contemporâneo venceu o saudosismo. Acompanhem

Semana passada eu fiz uma reunião gamística com amigos, naquele esquema nerd mesmo. Não existe nada melhor do que reunir os manos e jogar videogame até os dedos sangrarem, especialmente com games multiplayer. Como gosto demais de jogos de luta, estava ancioso para finalmente poder jogar Street Fighter IV, e experimentar as evoluções que esse jogo trouxe para a melhor série de luta dos videogames (por falar nisso, comprarei Tatsunoko vs Capcom assim que sair). Falarei sobre SF IV primeiro, então. O jogo realmente era aquilo que esperava, excelente mesmo, tão bom que nem me deu vontade de jogar The King of Fighters XII. A Capcom foi deveras competente na difícil transição do 2d para o 3d em sua série principal de luta, e SF IV tem qualidade suficiente para continuar a carregar o bastão da qualidade que os games anteriores da franquia passaram às versões posteriores. Quem já jogou bastante Street Fighter sabe que essa transição seria complicada e que haviam grandes chances de ocorrer de forma problemática. Aquelas porcarias de Street Fighter EX da vida que o digam.

Claro, o jogo também tem alguns defeitos que pude perceber enquanto estava jogando. Não gostei do design exagerado de alguns personagens, como a Chun-Li com suas pernas de zagueiro de Rugby, Fei Long e sua total cara de chinês palerma e E.Honda, o único gordo musculoso do mundo. Isso só para ficar em alguns exemplos. A trilha sonora e os cenários genéricos não empolgaram (embora também não fossem ruins, longe disso), mas graças a ação soberba, esses defeitos passaram praticamente despercebidos. Aliás, por falar em trilha sonora, que merda era aquela música da abertura? Cacetada, aquela atrocidade deve ser seguramente a pior música de apresentação que um game Street Fighter já teve até hoje. Sério, quando ouvi aquela goroba pop emo asiática, fui tomado por um misto de revolta, indignação e constrangimento. Bom, saindo desse lado cafona, jogar Street Fighter continua ótimo como sempre, cada personagem continua sendo uma experiência distinta, cada estilo foi muito bem representado, e de todos os que joguei, só não consegui me entender bem com o El Fuerte.

Além do “lutchador” mexicano, também pude jogar com a C.Viper, certamente o mais próximo que uma personagem de Street Fighter chegou do jeito KOF de lutar. Não sei se estou falando bobagem, mas tive essa nítida impressão quando joguei com ela. Não que isso seja um problema (inclusive eu gostei dela), mas apenas uma constatação curiosa. De resto temos o bom e velho Street Fighter plenamente adaptado aos tempos atuais, gostoso de se jogar como os antigos. Controles funcionam bem e o ritmo das lutas só depende da habilidade de quem joga. Trata-se de um título obrigatório a qualquer um de posse de um PS3 ou X360.

Entre o hoje e o ontem

Após diversas animadas seções de porrada com a trupe de Street Fighter 4, resolvi experimentar o tal Super Street Fighter 2 Turbo HD Remix. Me lembro que quando esse jogo foi anunciado e tão logo começou a sair material referente, não me animei nem um pouco. A mim, desde o começo aquilo tudo pareceu um enorme migué para pegar uns trocos dos jogadores saudosistas. Assim que tive contato com o jogo em si, não tive dúvidas e ficou exposta a picaretagem da coisa. No geral é a mesma experiência da versão de SSF 2 de Street Fighter Anniversary Collection, em que você pode trocar o ajuste entre SSF 2 ou SSF 2 Turbo. As características de luta dos personagens são as mesmas, bem como as vantagens e fraquezas. As únicas mudanças de fato foram nos gráficos e sons, e foi aí que a porca torceu o rabo.

Ao invés de refazer todo o visual do zero, a Capcom conratou uma empresa para fazer um migué que consistia em apenas repintar por cima as sprites no Photoshop. Assim, os personagens ganharam um estranho aspecto de personagens genéricos de quadrinhos. Como nem um único quadro de animação foi adicionado, os personagens ficavam ainda piores em movimento, eram ruins a ponto de me incomodar enquanto jogava. Os cenários também não escaparam de parecerem com ilustrações amadoras de Photoshop que vemos aos montes de fãs sites de Street Fighter. Bem sem sal mesmo. Ao invés de manter a fantástica trilha sonora original (não me lembro se havia opção para habilitar a versão antiga da trilha sonora), umas versões sem vergonha que variavam do genérico ao insosso tocavam durante as lutas. O som era um aspecto que deveria ter sido fácil de resolver, bastando implementar atualizações nos arranjos das músicas originais (ou remixes mais conservadores), mas não, fizeram invencionces que simplesmente estragaram as composições.

Aquilo tudo foi me desagradando tanto, que preferi simplesmente voltar para o Street Fighter 4. Naquele momento ficou mais do que claro para mim como o saudosismo pode ser danoso para um jogo, e por consequência para o jogador. Super Street Fighter 2 Turbo HD Remix foi apenas uma picaretagem cujo objetivo era (e ainda é, pois está a venda) faturar uns trocos em cima da memória e do saudosismo de muitos fãs da franquia de luta da Capcom. Por outro lado, Street Fighter 4 trouxe com sucesso várias inovações e soluções de design que modernizaram o jogo, ousou em sua estética e trouxe conteúdo novo.

Por fim…

Paralelamente a tudo isso, foi bacana ter vivenciado situções tão distintas dentro da mesma seção de jogo. Fora que quando você está com os amigos, não importa se o jogo é bom ou ruim, você se diverte da mesma forma. Ademais, também foi útil para perceber na prática como os jogos tradicionais precisam se modernizar e não podem ficar parados no tempo vivendo das glórias do passado. Retomando o que rescrevi no parágrafo de introdução do texto, o contemporâneo venceu o saudosismo, e com folga. Afinal, se é para relembrar o passado, prefiro ficar com o passado genuíno, e os games Street Fighter envelheceram bem a ponto de não precisarem de homenagens picaretas. Prefiro a honestidade dos gráficos pixelados e sons midi, do que truques gráficos e remixes toscos. Pois é justamente no olhar além da crueza, da falta de detalhes e do aparente primitivismo comparado ao que temos hoje, que vemos como é bela a evolução dos videogames; e ao mesmo tempo nos espantarmos de como aquilo tudo era maravilhoso no seu devido tempo. Diferentemente dos games medíocres, os clássicos não têm vergonha de mostrar as marcas de sua idade.

Super Street Fighter 2 é clássico do jeito que é, sem esquemas de Photoshop. Street Fighter 4 também é um clássico pelo o que é: uma evolução técnica e artística, mais um passo que a franquia dá em sua trajetória de sucesso. Daqui a alguns anos, quando estivermos jogando Street Fighter 8 ou 9, espero que não me venham com um Street Fighter 4 HD Remix, apenas com uns filtros a mais e uns polígonos arrumados. O jogo não precisa nem precisará disso.

Abraços e até o próximo post.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

15 thoughts on “Street Fighter 4 vs HD Remix: quando o contemporâneo vence o saudosismo

  1. Street fighter 4 é de longe o melhor game de luta de todos os tempos. Enquanto não tinha todos os personagens abertos eu não parava de jogar. Pena que formatei o PC pra colocar o Windows 7 (que esta ótimo por sinal) e os saves corromperam, e os BackUps tmbm. Mais em breve batalharei tudo novamente sem medo de ser feliz hehe!!!! Agora como sempre falo, não façam remakes, o que nos queremos é coisas novas e manter o antigo na memoria. Quando jogamos um game que nos agradava hj em dia percebemos o quanto aquilo não funciona tão bem quanto na época, e Remakes só servem para reforçar isso. Um exemplo, quem consegue jogar Resident Evil 1 depois de ter jogado o 4 e o 5? E o remake p Gamecube só foi pra nos mostrar o quanto a jogabilidade e a formula do game não envelheceu legal. É melhor fazerem continuações. Mas existem poucos games que mesmo após anos se mantém tão divertidos quanto na época, Mario, Zelda e Street Fighter são prova disso. Mas se os mantiverem intactos, ou relançarem em HD para download nos VG atuais, já será o suficiente p agradar muitos saudosistas por ai.

  2. nossa… viajou legal falar que sf4 é o melhor game de luta… isso é de gosto….. o jogo é bom, mas sf2 ainda é melhor…..

    preciso urgente da versão do ps3… jogar no pc com gráfico SEMI no talo não é tão legal qto no ps3 😀

  3. então…. eu tenho o adaptador pra controle de ps2…… mas peguei emprestado pro ps3 MUITO melhor \o/

    e eu ontem, fui jogar a 1 vez pra abrir os carinhas entrou um cara pra jogar online comigo!!! hahahahaha MUITO bom \o/ me senti num fliperama! 😀

  4. Eu não gostei, achei que ficou estranho demais os graficos, personagens grandes demais e o pulo ficou muito estranho. Fiquei 1 mes com ele e passei pra frente.

  5. Caramba, cara…você não se cansa de criticar os videogames “next gen” tendo pouco contato com eles? Acho que seus melhores posts são quando deixa a parcialidade pró-Nintendo de lado..Não sou defensor desse ou daquele, mas sei reconhecer onde há qualidade, como na Live do 360, nos exclusivos caprichados do PS3 como o Uncharted 2 e na jogabilidade mais “casual do Wii..bacana ver um post elogiando um jogo mais “hardcore”! abraços!

  6. Mas onde foi que critiquei os consoles “next gen” no texto? Eu falei especificamente dos dois jogos, mal mencionei qualquer coisa de console. Também não entendi o que a Nintendo tem a ver com isso.

  7. Joguei o Street 4 no Xbox 360 e no PS3, não sou muito fã da série, mas pretendo comprar também o tatsunoko vs capcom do wii, alí sim é um game rápido e com animações mais atuais, parece um anime, não tenho nada contra o 4 mas achei meio paradão. Sou fã da Série Soul Calibur (único jogo de luta 3-d que me agrada). Gostava muito de Mortal Kombat até o 4 do N64 que para mim foi o último que prestou também.

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