Especial: Os mitos da Sega – parte 4 de 4

Enfim, amigos, a parte derradeira do especial.

Como sempre, tudo na continuação do link. É isso aí. Abraços e até o próximo post.

Finalmente chegamos ao capítulo derradeiro da saga que está derrubando os mitos criados pelos fanáticos seguistas. Não à-toa, a caixa de comentários do blog está cheia de manifestações apalermadas de uma viúva que provavelmente tem alguma séria obsessão por objetos e suas aplicabilidades sobre os orifícios do corpo humano. Bobagens a parte, no texto de hoje discutiremos o seguinte mito:

– O Dreamcast foi derrotado pelo Playstation 2 graças ao marketing exagerado e mentiroso da Sony.

Esse é o factóide que mais encontrei referências e é mais defendido pelos fanáticos seguistas na internet. De acordo com a história, o Dreamcast era equivalente em capacidade ao seu concorrente, tinha tudo para competir de igual para igual, mas foi derrotado pelas táticas de marketing mentirosas e escusas da Sony, que ludibriou o público e as produtoras com suas inverdades e prejudicou a Sega. Além do fanatismo óbvio, temos aqui um alto grau de fantasia e profunda deturpação da realidade, afinal, além de colocar a empresa do coração em um patamar superior as outras, os fanáticos ainda criam uma aura de “inimigo” na concorrência, que em suas visões míopes, nunca vencem por méritos próprios.

De forma curta e grossa: o Dreamcast é um console que nasceu morto comercialmente, e a Sega já era uma empresa em processo de profunda decadência. Como citei no capítulo 3 (penúltimo parágrafo), o próprio co-fundador e o presidente da companhia à época, já queriam desistir do ramo de consoles no tempo do Mega Drive/Genesis. Como declarou Howard Lincoln, presidente da Nintendo of America naquele período, ao livro The Ultimate History of Videogames, considerando a situação financeira periclitante da Sega, o projeto (do Dreamcast) era “completamente irresponsável“. Na própria Sega o clima era de “ou vai ou racha”, cujo objetivo era conseguir reunir desesperadamente a maior base instalada possível, para ter alguma chance de competir com o futuro Playstation 2, já aguardado por jogadores do mundo todo.

Prova do que digo? Com a palavra, Steven L. Kent, autor do livro Ultimate: “Irijimari (Shoichiro Irijimari, ex presidente e CEO da Sega) torcia para vender mais de 1 milhão de Dreamcasts no Japão até fevereiro de 1999. Ao invés disso, vendeu menos de 900,000. E as vendas continuavam lentas. Olhando o mercado japonês por uma perspectiva histórica, Irijimari calculou que ele precisaria vender mais de 2 milhões de consoles até a época que a Sony lançou seu novo aparelho. No ano fiscal que começou em 1 de março de 99 e terminou em 29 de fevereiro de 2000, a Sega vendeu menos de 900,000 consoles. A única esperança da Sega era bater a Sony na base do preço e dos jogos.

O que podemos perceber, é que desde o começo, o Dreamcast era um console fadado a dar errado. Para piorar, o aparelho simplesmente não se encaixava em nenhum contexto, pois já era ultrapassado antes mesmo dos consoles da nova geração serem lançados, e ao mesmo tempo já era batido pelos da antiga geração, que entre 98 e 2000, Playstation e Nintendo 64 receberam alguns de seus melhores jogos como Final Fantasy 8 e 9, The Legend of Zelda: Ocarina of Time e Majora’s Mask, Metal Gear Solid, Tekken 3, Perfect Dark, Super Smash Bros, Valkyre Profile, Gran Turismo, entre outros. Ou seja, antes de qualquer suposto marketing mentiroso da Sony, o Dreamcast já cambaleava e estava prestes a beijar a lona. Para adicionar consistência ao argumento, o comentário de Winnie Forster, autora de The Encyclopedia of Game Machines: “Na expectativa dos novos aparelhos da Sony, Nintendo e Microsoft, as publishers terceirizadas diminuíram seu suporte ao Dreamcast, particularmente no Japão.

Aqui já temos elementos suficientes para derrubar parte do mito que os fanáticos seguistas tentaram por anos sustentar, de que o Dreamcast ia bem antes da chegada do novo console da malvada e manipuladora Sony. Por falar nisso, acho especialmente curioso (e conveniente) essa vilanização ao melhor estilo Davi e Golias, mas com o gigante no papel de vencedor. Claro que não há santos no predatório mundo dos negócios, e quem acompanha o mercado de videogames, sabe do histórico de declarações cheias de exageros e meias verdades por parte dos dirigentes da Sony (como a lendária anedota dos PS2 lançadores de mísseis), mas justificar o fracasso de um produto satanizando o excelente desempenho do rival, além de simplismo, é desonestidade intelectual. No mundo encantado dos fundamentalistas seguistas, o Dreamcast era o console que lutava contra a tirania da Sony, no mundo real a nova geração era uma corrida entre Gamecube, Xbox e Playstation 2, cuja Sega já era carta fora do baralho. Declaração de Charles Bellfield, vice presidente de marketing e comunicações corporativas da Sega, naquele período: “Quando você considera a força da expectativa sobre o Playstation 2, o custo de marquetear uma nova plataforma na América do Norte…Quando você considera que a Microsoft anunciou um programa de 500 milhões para o lançamento do Xbox e que a Nintendo tinha 5 bilhões para gastar e o poder geral por trás da marca Playstation, a Sega não tem a capacidade de competir contra essas companhias“.

Como era de se esperar, o lançamento do Playstation 2 foi um sucesso, mesmo com os problemas de estoque que a Sony enfrentou, e uma linha inicial de jogos abaixo da média. Ainda sim, foi um massacre, como menciona Kent: “A Sega levou 22 meses para vender 6.5 milhões de Dreamcast mundialmente. Em comparação, a Sony enviou 10 milhões de Playstation 2 em menos de quinze meses, e as vendas continuaram em aceleração. Com a Sony espremendo a Sega para fora do mercado e Nintendo e Microsoft preparando de seus novos consoles, o presidente da Sega, Isao Okawa, tirou sua companhia do negócio de consoles.” Em 2001, enfim a inevitável queda ocorreu, mas ela não foi a causa dos problemas da Sega, e sim, a consequência de toda uma trajetória. Nada de “marketing mentiroso”, de vilões folhetinescos, negócios são negócios e quem não é capaz de competir, simplesmente é eliminado pela concorrência. Ponto.

Após todas essas linhas, creio que haja elementos suficientes para por em terra mais um mito, mostrando que a realidade é diferente do mundo encantado criado pelos fanáticos, cuja definição da filosofia diz que “é aquele que dobra seus esforços quando já se esqueceu do seu propósito”. Para finalizar, gostaria de reiterar mais uma vez, que não nutro qualquer sentimento negativo pela Sega, pelo contrário, pois joguei muitas horas de Master System, Genesis e Dreamcast, além de alguns de seus jogos recentes como Sonic Rush e Sonic Rush Adventure. Nessa série de textos o que busquei foram dados, declarações e fatos históricos para remontar a realidade e confrontá-la com os mitos. Afinal, um dos motivos de existir desse blog é incentivar a reflexão por parte de seus leitores, exercício esse que não combina com dogmas e doutrinas gamísticas. E chegamos ao fim. Espero que tenham gostado.

Fontes consultadas:
The Ultimate History of Videogames, de Steven L. Kent
The Encyclopedia of Game Machines, de Winnie Forster
High Score! , de Rusel DeMaria e Johnny L. Wilson

Abraços e até o próximo texto.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time

Publicado originalmente em 23 de maio de 2008

15 thoughts on “Especial: Os mitos da Sega – parte 4 de 4

  1. Realmente é fato que o Dreamcast não tinha gás para durar muito. Creio que na melhor das hipóteses ele teria durado mais um ano. Mesmo assim, é incrível como esse clima de “vai ou racha” tenha criado (na minha opnião) um console muito bom (apesar dos pesares) e jogos que se tornaram clássicos. Mas a Sega acabou colhendo tudo aquilo que plantou, seu passado a condenou.

    PS: O marketing da Sony é muito bom apesar de exagerado as vezes, mas o que me irritava na época antes do lançamento do PS2 não era a Sony e sim os sonystas. O frisson causado na época era extremamente irritante.

  2. Vc só arranjou provas comerciais quero ver analizar fra,me a frame poligono por poligono to nem aí se um vendeu mais outro menos azar!!! o que importa é que eu tenho um dream e um play 2 nem se quer roda shemmue!!!! na moral cara…. isso é papo de sonysta querendo afundar a sega mais ainda!!!! duvido que seu time de futebol ganha o campeonato brasileiro todo o ano!!! e alem do mais todos gostam de programar no dream e ele foi eleito o segundo maior video game de todos os tempos… nos seguistas (nem sei se sou seguista mais gosto da sega) sabemos de todos estes nhenhenhes mas o dream tem uma capacidade grafica indubitável e não é enciclopedias de nerd que vai mudar isso!!! não vi o bambambam tocar neste assunto mais esta eu queria ver… Além do mais ps3 ta indo pro mesmo brejo!!!

  3. Leandro, eu não sei o que você bebeu antes de escrever, mas seu comentário está registrado e te respondo numa boa. Vamos lá:

    O que seria prova comercial? Desconheço esse conceito, não entendi mesmo o que você quis dizer com isso.

    Segundo, pelo amor do professor Pasquale, use vírgulas! Difícil construir idéias desse jeito, ficou tudo atropelado, até parece que você respirou fundo e escreveu a maior quantidade de palavras possíveis antes do ar acabar.

    Terceiro, não sou sonista e nem me pautei por “enciclopédias de nerd” para produzir essa série de textos. Você mesmo fala em analisar “frame a frame”, mas não comprovou nada do que escreveu. Fora que não sei que site que elegeu o Dreamcast segundo melhor console da história.

    Ok? Se quiser comentar alguma outra coisa, a caixa de comentários é livre pra isso, desde que mantenha o nível. Até.

    André V.C Franco/AvcF

  4. Cara… se eu fosse fazer uma analise bem profunda sobre os sonystas, por exemplo, eu precisaria de umas 10 paginas iguais a esta. Coisas do tipo: “o dreamcast é igual psone”, O ps2 é o videogame mais realista que existe” ou ” Os melhores gráficos já feitos!”. Na moral o ps2 nem antialiasing tem direito quem dirá ganhar de Xbox ou Game cube. O PS2 ganhou pelo seu marketing!
    Você só apresentou dissertações dentro da area que todos dreamers já sabiam de sua derrota a mais de seis anos: As questões de mercado!!!

    Sobre uma verdadeira análise sobre o sega dreamcast? O site gamedaily o elegeu o 2º maior videogame da historia.

    Como sugestão: Desvende os mitos dos sonystas, NOW!!!

    Jogar uma pá de cal sobre esse assunto!!! Cuidado! Eu sou aspirante a publicitário e posso afirmar que consigo ler nas entrelinhas.

  5. Seu post está bem melhor que o anterior, agora sim é legível. Bom, eu já tive uma idéia de fazer “Os mitos da Nintendo” ou “Os mitos da Sony”, mas isso demanda tempo e aquisição e organização de fontes, como você mesmo viu nesse texto, eu consultei três livros para apresentar os textos do especial. Mas quando eu achar que estou pronto a fazê-lo, eu escrevei tais textos.

    Discordo com isso de que o PS2 ganhou pelo marketing, pois nenhum aparelho faz sucesso apenas pela força dos publicitários e marketeiros. Nesse mesmo texto da Sega, citei uma declaração que menciona que a Microsoft gastou 500 milhões para a divulgação do Xbox, muito mais do que a Sony gastou com seu console. Fora que o PS2 recebeu títulos de peso desde o começo de seu ciclo produtivo.

    Gamedaily não é que se pode chamar de fonte confiável, afinal é o mesmo site que elegeu o Xbox 360 como o melhor console da história e o joystick dele como o melhor de todos os tempos. Enfim, tendencioso é a mãe, hehe.

    Só não entendi esse final enigmático, jogar uma pá de cal? Porque? Devo ter cuidado com quem? Eu hein…

  6. Resumo esculachado (pra não dizer outra coisa):

    Nintendo 64: ótimo console + cartucho = vende pouco
    Sega Saturn: Hardware 2D + Era 3D = vende quase nada
    PSX: console meia-boca + CD = vende mais por ser o menos pior

    Geração seguinte:

    Game Cube: ótimo console + desconfiança do povo = vende pouco
    Dreamcast: ótimo console + falta de grana e confiança do povo = falência
    X-Box: computador em forma de vídeo-game + muita grana pra investir = um bom teste de aceitação de mercado
    PlayStation 2: melhorias quantitativas + ótima aceitação do povo = vende igual pinga!

  7. Cara, pra te responder devidamente, seria necessário estudar a fundo não só a questão comercial como você fez, mas também os aspectos técnicos.

    Acredito que uma comparação técnica seria indiscutível. É claro que o fator comercial e suas técnicas de guerrilha capital são sem dúvida um fator poderoso. Mas acho que os fãs desta(SEGA) ou daquela(Nintendo) empresa(eu me atenho aos jogos e não aos consoles) acreditam não nas questões de mercado que levam os consoles a máxima da popularidade, mas sim a suas experiências com os jogos de cada console…que por vezes usaram como pilar para sustentar sua opiniões e defender suas paixões

    Particularmente tive um tremendo desgosto quando na época de “Castlevania – Simphony of the Night” recebi da Konami aquele presentão, uma conversão horrível para Saturn, onde o único ponto positivo era a personagem Maria.
    Tenho certeza que o Saturn era capaz de uma conversão digna, fiquei muito decepcionado com a Konami(ela se redmiu sob meu ponto de vista, recentemente, com o lançamento de “Dracula X Chronicles” com “Rondo of Blood” e “Simphony of the Night”).

    Você vê meu caro avcf, não é bem uma questão de mercado, nem todos os jogadores tem seu senso crítico para uma análise mercadológica como a que você fez, muitas vezes eles acreditam no que vêem.

    Acho que meu exemplo anterior elucida a posição do inflamado Leandro sobre a tal “potência”, não vou entrar num mérito de discussão desse tipo pois meus conhecimentos não são tão específicos porém é difícil ter uma certeza, contruída a partir de vivência balançada por números ligados indiretamente ao produto final que motiva o desenvolvimento destes consoles, “diversão”. A partir daí é que vem o lucro e o mercado…

  8. Ah, então é por isso que o DC faliu! Eu nunca tinha entendido, mas agora tá claro.

    Agora… vc é um fanático… e doido!!! Vc fala que vai ser imparcial, mas desde o começo já escolhe quem vai defender e quem vai, você mesmo, vilanizar! Que texto porco!

  9. Úia, não sabia que ía te incomodar tanto, e eu que sou fanático. Você falou que eu escolho quem vilanizar, quando justamente a idéia do texto foi contrária, já que os fanáticos seguistas culpavam a Sony pela derrocada da Sega, quando a realidade dos fatos e dados que eu trouxe a tona mostraram que a própria Sega se colocou naquela situação. Você pode me questionar, mas e os próprios dirigentes da empresa? Eles estão errados também, ou por acaso são doidos?

    Você pode não concordar com as idéias do texto, até como outros leitores aqui discutiram os fatos comigo aqui, mas de fanático não tem nada. Mesmo porque eu estudo e trabalho com jogos. Não há espaço para o fanatismo quando se tem conhecimento de área.

  10. concordo totalmente com o q eu Tchulanguero disse sobre os consoles, não basta só um console bom para vender. Como já foi dito por outro lah em cima, falar q o DC tinha graficos ruim eh mentira, shenmue e outros nos mostram q quando bem feito podia superar o play2. O marketing eh sim tudo, pois eh atraves dele q a sony conseguiu um acervo de jogos imensos, tornando seu console o mais atraente. E dinheiro faz sim a diferença, infelizmente a sega tava falindo quando laçou o DC e faltuo dinheiro para consegui acompanhar o mercado, mas ateh ai falar q o DC foi uma má ideia é terrivel, a contribuição q ele deu pra industria dos jogos foi excelente, melhores graficos da sua epoca (ate chegar play2 e xbox) , primeiro videogame com windowsCE ( facil de programar) , e primeiro a explorar a internet, com MMOs do tipo phantasy star online e quake 3 (que infelizmente soh naum pegaram mais pq o videogame foi lançado com um modem 56k, ou seja, lag e ping..) .
    No fim das contas, a sony ganhou nessa geração graças ao play1, q deu confiança aos produtores para produzirem MTO para o play2, a nintendo se ferrou com o 64 e o gamecube, mas conseguiu reerguer das cinzas com o wii , pq tem recursos infinitos e mta criatividade, e a microsoft tem mais recurso ainda pode ficar brincando de gastar dinheiro até acertar a mão ( oq tah acontecendo mto bem agora com o 360) . E soh mais uma coisa, ateh hj o controle do 360 eh sim o melhor jah criado, e o do wii é com certeza o controle mais divertido…

  11. Chamar o 360, um console que tem prazo de validade de 3rl, de “o melhor da história” é de lascar a inteligência alheia…

  12. @Andy: ao menos o console da história dele mesmo. Ou seja, do quanto ele dura sem queimar, hahahaha!

    Mas confesso que a infra-estrutura do mesmo (tirando esse lance da queimada/auto-destruição de fábrica) também não é de se jogar fora. O mesmo vale para o Dreamcast na época em que foi lançado, há 12 anos atrás. Ele só não foi injustiçado por quem o comprou.

  13. NoBLeWAR = e cara da pra ver voce ta muito magoado com a sony mas em fim vou falar uma coisa o dremcast so foi melhor que o ps2 no começo pele sua facil programação e so isso e claro nas texturas e anti aliasing e so nisso cara veja bem metal gear 2 o dremcast dificilmente faria aquele jogo com aqueles efeitos de sombras relistas reflexos transparencia particulas o unica problema de metal gear são as texturas fora isso e um show , e se o dremcast fose mesmo superior nem o markeiting mentiroso da sony ia abalar as vendas do dremcast voces tem que entender que nada ia salvar esse vidiogame alias duvido que o dremcast rodaria ARIA -51 mas duvido mesmo o dremcast e um classico para jogos do estilo acarde i so e ponto eu acredito no que eu vejo nas configurações dos consoles não em milagres como voces seguistas tanto afirman e não vem com esse papo de shemue que comigo não cola e tudo isso que postei são fatos e nâo fanatismo .

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