Pérolas publicadas: E.T na revista Videogame

Saudações aos incas venuzianos.

Enquanto eu não termino a tradução da última parte do artigo do Malstrom, fiquem com uma pérola publicada na saudosa revista Videogame. Ela envolve, claro, o jogo que está no título desse post.

Em uma época estranha, cujos hábitos dos jogadores de videogame não envolviam a internet, além de existir práticas estranhas como “sair de casa” e “alugar” jogos, as revistas eram o único meio de informação mais confiável que se podia ter sobre os jogos e os consoles. No Brasil não poderia ter sido diferente e logo algumas começaram a surgir. Entre elas eu destaco a revista Videogame, que em minha opinão foi a melhor revista de games que o Brasil já teve, durante sua existência. Mas até mesmo a querida VG (tenho várias aqui comigo, em diferentes estados de conservação) tinha suas pérolas. Vejam só essa que peguei aqui:

E.T

Como a imagem não está essas coisas, transcrevo o que vai no box:

“O simpático – e bem feio – E.T, que encantou crianças e adultos no mundo inteiro no cinema, continua sua aventura neste “game”. Sua missão é encontrar três partes do telefone, para ligar para casa e poder voltar.”

Reparem agora a classificação do game. Simplesmente QUATRO ESTRELAS de cinco. Se fosse uma avaliação numérico-decimal, seria 8/10. Ou eu estou muito enganado, ou essa deve ser A MELHOR AVALIAÇÃO QUE “E.T” RECEBEU NO MUNDO. O jogo é considerado por qualquer ser pensante com um pingo de discernimento e bom senso, como o maior lixo que já surgiu na história dos videogames. Muitos, corretamente, sequer consideram E.T um game em si, de tão ruim que ele é.

Mas não para o “piloto” (usavam muito esse termo naquela época, para designar quem testava os jogos para a revista fazer matéria), que não só gostou daquela atrocidade, como deu quase a nota máxima. Para vocês terem uma idéia do tamanho da bizarrice disso, na mesma edição da revista jogos como After Burner (do Master System), California Games e Shinobi(Master System), Dr. Mario e Gradius II (NES), ganharam a mesma nota. Para ficar mais esquisito, Double Dragon do Master e Ghosts N´ Goblins do NES receberam nota menor que E.T, ambos com três estrelas.

Como diria o Angry Videogame Nerd, o que diabos eles estavam pensando? O que será que foi consumido antes de uma avaliação dessa? Me dá até medo de saber.

Aquele rapaz da Atari que passou seis semanas tentando fazer o jogo sozinho deveria ter ficado sabendo dessa “avaliação”. O jogo continuaria sendo a vergonha que é, mas ao menos ele ficaria um tantinho menos triste. Aposto.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

7 thoughts on “Pérolas publicadas: E.T na revista Videogame

  1. ai meu Deus!
    pelo menos na epoca o nome das pessoas(ou unico indivio)
    não aparecia,assim ele deve ter ficado mais “tranquilo” XD

  2. Pode ser que o piloto tenha gostado. XD

    Haha, bons tempos, mas ainda assim as pérolas nas seções de cartas são maiores ainda.

  3. EU ME LEMBRO DESSA AVALIAÇÃO!!! AVCF, vc deve se lembrar também que deram um destaque desproposital a “Bart vs. Space Mutants”, com direito a um “detonado” só pra ele. Enquanto isso eu sinceramente não me lembro de nenhuma revista brasileira falando de Metroid. Quando lançaram “Super Metroid” para SNES falavam 1000 maravilhas do jogo (com justiça, diga-se), que era o maior até então do SNES, etc., e eu “e daí!? qual é a graça desse tal de Metroid?”. Maldita ausência de internet na época…

    @ Cliff: lembra daquele pessoal que ficava perguntando dúvida de jogo e pedia no final “por favor, não publique a minha carta” e a revista (qualquer uma) publicava? Eu rachava de rir na época…

  4. De fato, as seções de cartas das revistas daquela época eram impagáveis. As dúvidas que o povo tinha eram de morrer de rir, de tão ingênuas que eram algumas. Mas as melhores eram as dúvidas “técnicas”, coisas do tipo “como faço para encaixar um cartucho de Phantom no meu Atari?” ou “meu primo falou que no Japão já tem um Mega Drive de 64 bits, é verdade?”

  5. Eu me lembro de ter comprado (comprava tudo relacionado sobre videogame na época, mesmo só adquirindo um Mega Drive apenas em 91*) uma revista especial (não me lembro o nome, mas devia ser uma publicação caça-níqueis de uma editora chinfrim dessas) sobre o [ironia on] MARAVILHOSO [/off] jogo do NES… A Nightmare on the Elm Street!

    *Lembrando o artigo do Malstorn, tive a felicidade de comprar o Sonic no ano de seu lançamento…

  6. Tenho essa e várias outras revistas até hoje… realmente, era um festival de pérolas (como 4 estrelas pro ET e UMA pro Megamania). Mas o melhor mesmo era o pessoal se metendo a falar tecnês, como “o Neo Geo é um console de 32 bits porque tem 2 processadores de 16” ou “Ouvi dizer que vai sair um adaptador de Nintendo pra Master, é verdade?”

    No geral, achava as cotações da Ação Games bem melhores do que as da Videogame. Claro que ela também dava umas derrapadas técnicas, mas pelo menos nas cotações eu não me lembro de nenhuma barbaridade desse nível.

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