Jornalista do Kotaku admite que Wii Fit não é uma “modinha”

Saudações aos passantes.

Esses rardecóres…francamente. Quando digo que o Wii é console mais incompreendido da história, pelo visto não estou longe da realidade. Pois é, mais um jornalista falou bobagem sem se informar e terminou por passar vergonha diante de centenas de leitores. Acompanhem pelo link.

É incrível como esses rardecóres, tão cultos que acham que são, não cansam de levar tapas na cara do Wii. Depois de passarem os últimos dois anos errando todas as análises e previsões possíveis sobre o console, o alvo recente deles agora é o Wii Fit e sua balança. Aí vem aquela mesma sequência de sempre: primeiro será um fracasso, depois uma modinha. Aí após um sucesso incontestável, passa a se tratar de um fenômeno bizarro sem paralelo na história humana que deve ser combatido pelos nobres guerreiros rardecóres. Com o Wii Fit esse processo se repetiu de forma monotonamente igual. De piadinhas a comparações com as fitas de exercício dos anos oitenta, o fato é que o jogo/acessório é líder de vendas em uma pancada de lugares desde seu lançamento a oito meses atrás.

Somente esse dado já colocaria em séria dúvida a hipótese de que as pessoas compram Wii Fit para largá-lo no instante seguinte em que a novidade passa. Acho incrível como muitos jornalistas e jogadores se esforçam para embarcar nessa tese que ultrapassa os limites da ingenuidade e do bom senso. Vocês acham mesmo que depois de tanto tempo e com a internet aí ao alcance de todos, vocês não leriam milhares de relatos sobre experiências frustrantes de gente decepcionada com o software? É óbvio que tem muitos por aí que devem ter largado o software após alguns dias por pura preguiça ou pelo fato de ter encarado Wii Fit como um jogo (coisa que ele não é), tal qual um game comum, após ter sido “zerado”(aberto a maioria de seus exercícios e mini games) foi guardado e partiu-se para outra experiência. Considero isso perfeitamente normal, uma vez que nada na vida é unânime.

Pois bem, indo direto ao assunto o lance é o seguinte: o jornalista (pelo menos eu acho que é) Brian Crescente escreveu um texto para o Kotaku em que em linhas gerais admite que errou ao achar que o Wii Fit se tratava de uma modinha (fad em inglês). A razão desse texto foi que Crescente foi citado em do artigo do Yahoo! Games como uma “prova” de que as pessoas compram Wii Fit e não usam (como são idiotas esses casuais, não?). Na tentativa de dar algum peso ao texto, o Yahoo pegou uma pesquisa completamente obscura da qual ninguém ouviu falar e a citação de Crescente, cuja frase foi alçada a categoria de autoridade inquestionável: “I don’t know a single person who has bought the game who uses it routinely after a month“, ou em português: “Eu não conheço uma única pessoa que comprou o jogo e o usa rotineiramente após um mês


Segundo os rardecóres, esse sorridente casual comprou Wii Fit somente para largá-lo no instante seguinte que ele chegar em casa.

Como sempre, o analista Sean Malstrom (cujos artigos mais conhecidos são a série de textos sobre a ruptura da indústria de jogos, cujo mais famoso é “Os homens pássaros e a falácia casual”) cantou a bola e mostrou o rídiculo em um texto publicado em seu blog sob o título de “Wii News Story Generator” (vale a pena a leitura, recomendo). O chato para os rardecóres é que tem sempre um certo detalhezinho chato para os atrapalhar: a realidade. Como disse no começo do texto, hoje com a internet dificilmente uma bobagem passa incólume por muito tempo, e foi exatamente o que aconteceu com Crescente. Ele recebeu centenas de e-mails das pessoas que ele afirmava desconhecer, mostrando que a realidade era bem diferente da mentalidade preconceituosa rardecóre. Com isso Crescente percebeu três coisas importantes:

A maioria desses jogadores comprou o Wii para uso familiar ou para seus filhos e então começaram entrar de cabeça nos games

Assim que eles compraram Wii Fit, a maioria das pessoas com quem conversei usava de cinco a sete dias por semana. Esses esforços, segundo eles me contaram, ganharam tudo desde um melhor senso de equilíbrio até a perda de 50 a 70 libras (de 22,7 a 31,8 quilos).

Mas eles são “gamers”? Na maior parte, sim eles eram, exceto uma pessoa com quem conversei, todos ao menos tinham um dos outros consoles em suas vidas. Alguns atualmente têm vários consoles. Um tinha PlayStation 3, Wii, Xbox 360, DS and PSP. A maioria também tinha alguns jogos.

Que diferença que faz quando a gente pesquisa só um pouquinho antes de falar sobre alguma coisa. Ao menos nesse caso, houve um pouco de humildade por parte do blogueiro ao dar seu braço para torcer e perceber que estava errado. Até onde percebi, inclusive, não doeu nada. Aliás, ele até sugere que não vivemos nessa dicotomia idiota de rardecóres e casuais:

“Essas pessoas certamente não são jogadores hardcore, mas eles tamb;em não são do tipo que eu identificaria como jogadores casuais. Eles são um novo tipo de jogadores, “hardcasuals”, se você preferir. Jogadores ou não, na maior parte, têm tempo limitado e interesse pelos videogames.”

Eu dispenso esse rótulo do Crescente, mas em uma coisa eu já digo que ele está errado: os “hardcasuais” sempre estiveram aí, continuam estando e sempre estarão, pois afinal no mundo real não é todo mundo que pode ou quer dedicar todo o tempo e dinheiro disponíveis para os videogames. Mas mesmo assim, eles têm tanto direito a serem respeitados como consumidores quanto os rardecóres, e ninguém é melhor do que ninguém nessa história.

E fico por aqui. Abraços e até o próximo post.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time

5 thoughts on “Jornalista do Kotaku admite que Wii Fit não é uma “modinha”

  1. Olha….não sou fã do Wii, nem nunca tive vontade de te-lo. Proncipalmente porque a tal “inovação” , na minha opinião, não passa de botões usados de forma diferente. Já que o simples movimento mecanico feito de forma correta já executa a ação, não dependendo de força ou velocidade, mas isso não vem ao caso.

    Agora…mesmo assim respeito a exposição do aparelho, e ele é sim um grande sucesso da Nintendo como a muito tempo não víamos. Tentar dividir jogadores entre Hardcore e Casual, é querer dividir todo mercado de games em duas simples “marcas”, sendo que é algo muito mais complexo.

    Não sou “ista” e nunca fui, tanto que tenho hoje um Play 2 e um xbox 360 e é por isso que admito sem medo, que a Nintendo acertou na mosca com o Wii e que merece a fatia do mercado que tem.

    O que me chateia um pouco é o caso do Play 3 que tá cada vez pior. Não sei não….mas o meu palpite é que a sony aguente um “play 4″….isso se conseguir manter com o 3 sem ter que abandonar o departamento, como fizeram com outras áreas. (ACORDA HIRAI)

    É, “istas”…..queira ou não…a Nintendo tá matando a pau como nos velhos tempos!

  2. Da atual geração o videogame que mais me atrai é o plastation 3.Gosto do xbox 360 também,mas o console da sony tem alguns jogos exclusivos que me chamam mais atenção.
    Se a nintendo um dia distribuir “Wiis” de graça,quem sabe se eu não tiver fazendo nada,eu corro atrás do console.Por enquanto o Wii,ainda não me conseguiu me comover.

  3. eh, o sean malstrom detono o cara…
    mas fiquei com umas duvida…
    primeiro, todo mundo afirma e afirma, mas será q num tem nenhuma compania nesse mundo (ou jornalista ou oq seja) q sabe fazer uma pesquisa de opinião? perguntar para milhares de compradores do wii fit e do wii, estatizar os resultados e saber quantos compradores de wii compram jogos alem do wii sport, quanto o pessoal joga wii, quantos jogos eles compram por ano, se eles destinam uma parte da verba para VGs, q VGs eles tem, quanto eles jogam mensamelmente…e nisso pode incluir o quando eles jogam o wii fit tmb…
    o pessoal não profissional tem q fazer analises baseados em somente numero de vendas e experiencia propria ( como aqui no site), mas esse tipo de analise estah sempre sujeita a erros…enquanto issos os profissionais q deveriam fazer a analise baseado em pesquisas extensas e fatos reais, andam fazendo igualzinho os não profissionais fazem…sinceramente, se eu fosse chefe desse jornalista ele tava na rua…
    acho q o unico jeito de saber realmente quantas pessoas jogam wii fit por mais de 1 mes, eh perguntar para quem comprou o wii fit…mas perguntar para milhares de pessoas, e não para os amigos do cara…
    tmb acho q o wii fit tem aquela cara de aparelho de ginastica q o cara compra e usa por uma semana e aposenta (e isso realmente acontece com a maioria dos aparelhos de ginasticas), mas soh perguntando para o pessoal q comprou o wii fit para saber…
    por fim, perda de 20 kg??? HA HA, essa eu duvido e achei o numero ridiculo, as pessoas, levam anos para perder isso indo em academia regularmente, to pagando para ver o povo perdendo 20 kg no wii fit…(isso não foi uma critica ao aparelho, soh naum acho taum facil assim perder 20 kg, por mais divertido q isso seja…)

  4. com certeza o Wii será minha segunda aquisição nesta nova geração de consoles, a primeira será o XBOX 360 com três luzes da morte e o escambal, por questões de opção. Sempre babei pelo ps2, mesmo enamorado pelos poucos jogos hardcore do GC, mas hoje o PS3, particularmente, não brilhou…

  5. O problema do Wii é que ele foi um soco na cara de quem gostava dos jogões da Nintendo. Eles ainda existem, mas não num videogame normal. Antes o N64 e o Gamecube tinham como adjetivos o poder em relação aos Playstations I e II, e mesmo amargando a lanterna da corrida pelos consumidores, ele ainda era um videogame normal, com ótimos jogos e aquele N da Nintendo.

    Agora o Wii é diferente de tudo que já foi visto no mundo dos videogames, e o adjetivo que o define é isso. É a diferença. Ele tem uma jogabilidade que é vendida como a jogabilidade do Milênio, mas que não em agradou, pelos motivos que o Alex citou lá em cima. Um design diferente, e principalmente um público diferente. Então aqueles mesmo radcóres que estavam acostumados ao seu mundo normal de videogames poderosos e jogos indo numa linha de evolução esperada, agora, estão andando por territórios nunca explorados. É estranho dividir a biblioteca de jogos com Zeldas, Marios e Wii Fit por exemplo. Ainda mais num videogame que nem tem suporte para ser jogado naquela super HDTV de R$5000. Tememos o que não conhecemos, e uma maneira de nos defendermos é atacar.

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