Especial 10 idéias idiotas 2: UMD da Sony (parte 1)

UMD

Saudações aos desiludidos.

Falem a verdade, vocês já estavam com saudade. Enfim a segunda edição de um dos posts mais polêmicos e populares do ano passado, o Especial 10 idéias idiotas, e sua coleção de palermices, estupidez e decisões erradas na hora errada. Novamente iremos em uma contagem regressiva que vai do idiota para o estupidamente tapado. Após o link, o canditado de hoje. Acompanhem.

UMD do PSP

Em 2004 eu garanto que todo mundo, se não ficou impressionado, ao menos se interessou quando os detalhes acerca do PSP foram surgindo. Naquela oportunidade, a Sony prometia levar o poder do Playstation 2 para o mundo portátil, dando a seu novo aparelhinho capacidade parecida com os consoles de mesa da época. Algo que a Nintendo nunca tinha feito e não fez, diga-se de passagem. Era encantadora a idéia de ter um Playstation 2 de mão e poder jogar títulos como God of War ou Gran Turismo na fila do banco, no metrô ou na sala de espera do dentista. Mas para armazenar todo esse poder era necessária uma midia a altura para aceitar essa tarefa. Foi aí que a Sony colocou o talento dos seus melhores estagiá…digo projetistas, e concebeu uma das maiores invenções da contemporaneidade: o UMD. Até o momento de escrever esse texto juro que não encontrei uma razão para explicar como a humanidade pode viver sem essa invenção. Conforme o console foi tomando forma nos previews e materiais de divulgação, o UMD foi ganhando destaque crescente. Afinal, pela primeira vez os portáteis sairiam dos obsoletos cartuchos em direção de uma midia optica, e ainda por cima nova. Legal né? Hum, não.

Graças ao sensacional e maravilhoso UMD, a Sony foi responsável por um conceito inédito nos videogames, o loading portátil. Nunca antes na história dos jogos eletrônicos você seria capaz de passar momentos aprazíveis entre telas de carregamento na fila do banco, no metrô ou na sala de espera do dentista. Graças a um leitor que é praticamente um analfabeto funcional e a memória RAM insuficiente para evitar esse problema, alguns jogos tinham tempos de carregamento tão longos que até viraram piada entre os jogadores. Para não me acusarem de perseguição, vejam esses videos:

Se procurarem pelo youtube tem mais exemplos desse tipo, com as habituais piadinhas. Mesmo com os remendos adicionados nos modelos seguintes do PSP, é cristalino que o UMD tornou-se um fardo. Além de ser um problema insolucionável, pior que isso foi o fato de que o portátil tornou-se o primeiro da história dos videogames em que a pirataria é mais vantajosa em todos os sentidos do que o modelo oficial. Em todas as outras plataformas a única vantagem dos piratas costuma ser o baixíssimo (isso quando não é inexistente) custo frente aos jogos originais. Além disso, quem costum entrar nessa é obrigado a correr diversos riscos ou sofrer desvantagens que para muitos crêem valer pela vantagem desonesta que adquirem. Por exemplo, a Microsoft bloqueia consoles modificados e os leitores de “cartões das trevas” do DS costumam forçar a bateria do console, o que diminui sua autonomia e a longo prazo a sua vida útil. Já no PSP é só alegria, pois tudo ocorre via leitura do memory card, por sinal uma idéia muito melhor do que os tais UMDs. Afinal, os tempos de carregamento e o consumo de bateria diminuem, sem contar que é o fim daqueles “RÉÉÉÉÉÉÉÉÉ” e “RÔÔÔÔÔÔÔ” horríveis que ocorrem durante os momentos de leitura de disco. Pois é, os piratas agradecem a Sony por essa facilidade. Mais moleza que isso só sentando no pudim.

No fim das contas a Sony resolveu lançar o PSP Go!, que como demonstrei em um artigo já escrito aqui no blog, tem mais problemas do que soluções. Além de que a Sony condenou milhões de usuários e ficar com coleções de elefantes brancos em casa, já que o Go! não rodará esses jogos. Super legal, sumpimpástico eu diria. Por outro lado, quem comprou o Go! agora compra um produto impossibilitado de aproveitar 99% da biblioteca do console. Pelo menos enquanto os gênios da Sony pensam em alguma solução, se é que há uma. O PSP foi o único portátil que bateu de frente com a Nintendo nesse mercado e sobrevive para contar a história, mas o fato de ser obrigado a carregar um disquinho só serviu para lhe atrapalhar, o fez ficar para trás nessa corrida. O UMD, antes símbolo do que seria o “próximo nível” em termos de midias ópticas portáteis, hoje é apenas o símbolo de mais uma idéia fracassada da Sony. Ficará numa linda cova ao lado do Beta Max do MD.

Foi uma idéia idiota que prejudicou um bom portátil. No alto de sua arrogância, a Sony quis inovar além da conta e além dos os jogadores precisavam. O resultado foi um disquinho inútil que ainda por cima é pior do que métodos alternativos. Os piratas agradecem.

Até o próximo capítulo.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

11 thoughts on “Especial 10 idéias idiotas 2: UMD da Sony (parte 1)

  1. Bom, eu não tenho o PSP, mas como já passei muito tempo com ele, concordo plenamente.
    Foi uma das maiores bobagens da Sony esses disquinhos.
    E eu ri demais com esses “RÉÉÉÉÉÉÉÉÉ” e “RÔÔÔÔÔÔÔ” uahuahua.

    @joao

    O Gamecube usava sim, os Mini-DVDs.

    Embora eu particularmente também tenha achado esses Mini-DVDs uma péssima aposta da Nintendo, o contexto e finalidade de ambas as mídias eram bem diferentes.

  2. eu gosto da biblioteca do PSP (jgoando MUITO -não de bom, de quantidade- o dissidia em ingles (gostei da voz do tidus ser a mesma que do jogo)…… mas umd é ridículo…. só tenho o god of war (sem ser versão greatest hits) quando lançou pq gosto do original…. mas nem jogo ela (mais)…. loading demais!! oO”

    viva à firmware modificada \o/

  3. ARPN disse:
    “A ideia não foi idiota,só não deu certo…”
    corrigindo a sua frase:
    “a ideia foi idiota,e não deu certo”

    desde q soube q o psp teria um “cd” eu sempre faleis pros meus amigos q ele seria um fracasso e so daria problemas…veja como eu sou um cara “nostradamico” XD

  4. Tinha um potencial enorme de ser uma mídia para dispositivos portáteis mas a própria Sony matou o formato se recusando a abrir pra outros fabricantes.

    Poderia ser embutido em tocadores portateis de audio e video, os filmes em UMD tem excelente qualidade com um bitrate generoso. Quem já assistiu um filme em UMD e outro no iPhone baixado do iTunes sabe que o UMD é superior. Poderia ter pego carona nos netbooks, enfim.

    É o tipo de produto que é destinado ao FAIL completo por conta da propria politica da empresa. Não critico a ideia, os loadings eram questao de aumentar a velocidade de leitura dos drives.

  5. Nossa Manja Master disse algo que não tinha pensando, UMD poderia até ser usado em Netbook’s se a SONY não tivesse inventando em querer monopolizar a mídia.

    Tem coisas que a Sony não aprende, é incrível!

  6. Acho que mídias portáteis tornar-se-ão obseletas muito em breve. Hoje temos cartões de memória de altíssima capacidade de armazenamento, e cada vez mais conexões de rede Wi-Fi de “alta velocidade”. Acho que o sistema de downloads vai dominar…Embora acho que os jogadores mais conservadores prefiram ter o objeto físico, um cartuchinho do Nintendo DS, por exemplo.

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