Bad Trip: Street Fighters piratas do NES

Street Fighter II - NES

Saudações aos neófitos.

Falarei no post de hoje das bizarras experiências que tive com aquelas infames (e de um modo particular clássicas) versões piratas de Street Fighter 2 que inundaram o NES no começo da década de noventa. Eram joguetes tão ruins, mas tão ruins que até eram divertidos.

Aos seis anos de idade eu ganhei meu primeiro console de videogame, um NES, em 1990. Comecei a geração 8-bits tardiamente, mas mesmo assim eu aproveitei bastante, a ponto de só ter um Super Nes em 1995. Como vocês sabem, se teve um jogo que foi simbólico desses anos foi sem dúvidas Street Fighter 2, o rei dos jogos de luta (foi mal, The King of Fighters). Apesar de ter um console em casa, durante um bom tempo fui, como diziam naquela época, “rato de fliperama” e claro que SF II era um dos mais jogados, ao lado de outros games de luta. Obviamente que um dia me perguntei se nunca haveria um Street Fighter para o NES, já que tanto o arcade quanto o Snes demandariam que eu saísse de casa e gastasse dinheiro extra com eles (tanto fichas quanto horas de aluguel em locadoras). Até que um dia finalmente aconteceu, mas não exatamente do jeito esperado.

Como a Capcom nunca demonstrou interesse para essa empreitada, um buraco foi aberto para piratas chineses e taiwaneses explorassem esse filão, que creio ter sido um tanto lucrativo. Foi aí que uma dessas cópias chegou em casa. Acredito ter sido no natal de 92, e lógico que foi uma felicidade só. Não dá para ter muito discernimento com sete anos de idade (o máximo do meu senso crítico era dizer que um jogo era “chato” ou “legal”), prova disso é que joguei boa parte das porcarias que o Angry Videogame Nerd desce o sarrafo, e até gostei de algumas. A pirataria era tão sacana que o jogo veio em uma caixinha que imitava muito bem o modelo da original, com capinha e tudo. Claro que o desenho não era muito parecido com as artworks oficiais da Capcom, com um detalhe engraçado que lembro do Zanguief usar um capacete (?!) no desenho piratesco.


A maravilha em movimento

Me lembro de uma revista Videogame na época ter feito uma matéria desse jogo (com direito a fotos e comandos para os golpes e tudo), mas se esquivava bonito na hora de mencionar que o “cart” (gíria da época, amiguinhos) era obra do Capitão Gancho e seus asseclas orientais. Quando o jogo começava, notava-se que houve um esforço em mimetizar a apresentação do jogo original, com direito até a uma aberturinha que não fazia feio para os padrões do NES. Mas o primeiro revés vinha já na tela de seleção, pois só haviam quatro lutadores (Ryu, Chun-Li, Zanguief e Guile), apenas um terço do plantel da versão Champion Edition que já rolava nos fliperamas e até no Snes (como SF II Turbo). O desastre começava mesmo quando as lutas aconteciam, quer dizer, não aconteciam. O gameplay era medonho, lento e com péssimas respostas, e a jogabilidade era tão precária que dar um golpe especial era um evento por si só. Como as sprites eram grandes, a movimentação dos bonecos era desajeitada e muito mal animada, o que tornava a luta incompreensível em determinados momentos.

Era um joguinho de luta safado ao extremo, com bugs para dar e vender e bem enganador. Acho que até os presidiários chineses que manufaturaram gratuitamente os cartuchos devem ter ficado com vergonha do Street Fighter 2 do NES. Pior que havia até mesmo uma “companhia” por trás daquela bomba, uma tal de Yoko soft, que devia ser no máximo um galpão imundo e escuro com meia dúzia de fracassados que deviam um troco para a máfia, ou coisa assim.

Mas não acabou ainda, amiches. Algum tempo depois meu irmão ganhou um cartuchinho com um tal de Street Fighter 3, com mais uma cópia pilantra do game da Capcom. Esse tinha ainda mais cara de pirata que o outro, nem caixa tinha e o adesivo do cartucho tinha um desenho genérico que nem tinha muito a ver com o game que tentava representar. Já o jogo em si era melhor que o outro, tinha nove lutadores (não entendo porque esses piratas nunca colocavam todos), além de ser bem mais jogável. Tecnicamente era mais feio que bater na mãe, mas tinha um gameplay que chegava bem mais próximo de ser um Street Fighter que o outra porcaria do NES, mas ainda sim era bem ruinzinho. Por outro lado, o legal desse jogo era uma certa dose de licenças poéticas, por assim dizer, com uns detalhes e cores dos cenários que nada se pareciam com o original da Capcom, além da proporção cenário/lutador não fazer nenhum sentido.


Street Fighter III. Não sei como o cara conseguiu passar tanto tempo jogando

Claro que depois vieram outras dezenas de imitações, com crescente de cara-de-pau, além de uma certa dose de cachaça, pois haviam nomes e lutadores que até hoje não sei de onde poderiam ter vindo. Como diz o pessoal dos fóruns de games, “iariariariar dorgas, mano”. Por fim, não percam tempo com essas porcarias, não vale a pena pois nem engraçado é mais, tamanha a ruindade dessas coisas. Talvez valha apenas por um certo valor histórico, pois muita gente por aí acredita que a pirataria veio com os CDs do Playstation, o que não é verdade. Esses Street Fighters (me desculpem pelo estranho plural) de meia tigela mostram isso.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

52 thoughts on “Bad Trip: Street Fighters piratas do NES

  1. Respondendo que o cara falou sobre street Fighter 3… Vocês não entendem o cara jogou esse jogo por um longo tempo porque esse jogo foi um clássico no NES que era super limitado. Foi lançado na época que o SF2 e foi o jogo de luta mais bem feito do NES.
    Por isso ele jogou muito tempo.
    Pense aí. Na época que o Dynavision era febre no brasil os chineses aproveitaram e fizeram games pra ele.

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