Artigos traduzidos: “onde foram parar os jogos multiplayer em telas separadas?”

 Saudações aos leitores.

Segue abaixo a última tradução do blog, um artigo vindo diretamente das páginas do jornal Le Monde sobre um tema bastante interessante sobretudo para os veteranos em video games: o desaparecimento dos jogos multijogador local com tela dividida. Por várias razões elencadas no texto, como o foco em gráficos de ponta ou o controle de dados via jogo online, o fato é que nunca teve tão poucos jogos com esse recurso como agora em 2015. As razões vocês saberão logo em seguida.

Boa leitura a todos.

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Onde forão parar os jogos multiplayer em telas separadas?

“Halo 5: Guardians”, um dos lançamentos de fim de ano mais aguardados para Xbox One, não será mais jogável a mais de um jogador na mesma televisão, para desgosto dos fãs da série.

“Tirar o split screen de Halo é um crime”. Para o site especializado Polygon não há outro caminho: para eles, como para muitos jogadores, o fim de uma das funcionalidades mais populares da série mais famosa de jogo de tiro da Microsoft constitui um pequeno escândalo. Halo 5: Guardians, um dos lançamentos mais esperados para Xbox One, não será mais jogável à mais de um jogador na mesma tela, um grande desgosto para os fãs da série.

Em 1994, Street Racer, um jogo de corrida inspirado em Super Mario Kart e Street Fighter, permitia disputas de até quatro jogadores na mesma tela. Vinte anos mais tarde, essa opção se tornou rara.Neo Gaf.

Pequena explicação: “tela separada” ou “tela dividida” (tradução de “split screen”) é um modo de jogo que consiste em dividir a superfície da tela em dois, três ou quatro, para que mais jogadores possam se beneficiar de um campo de visão dedicado. Seu interesse é simples: nos video games com câmera traseira ou subjetiva, ela permite mais de um jogador jogar no mesmo console.

A tela dividida é quase tão antiga quanto o video game em si: ela aparece desde 1976 em arcades, como Speed Race Twin, se destacou em Spy vs Spy de 1984 para o console NES, antes de verdadeiramente se transformar no modo dos anos 1990, graças principalmente à Super Mario Kart, para Super Nintendo, 1992, que democratizou e popularizou esse modo de jogo.

Um jogador em cima, um jogador embaixo, e duas telas separadas exibidas sobre a mesma tela: o “splitscreen” animou as noite de milhões de jogadores se Super Nintendo e seus sucessores. Nintendo

Reuniões de jogos entre amigos

Desde Goldeneye para Nintendo 64 até Gears of War para Xbox 360, passando por Call of Duty, Portal 2 ou ainda Left 4 Dead, o split screen se tornou uma opção indispensável das reuniões de jogos entre amigos – em todo caso para os jogos que não se contentavam com uma única câmera comum para todos os jogadores, ao contrário de um Street Fighter ou de um FIFA. O splitscreen deu mesmo lugar a vários experimentos audaciosos, como Screencheat, um jogo multijogador em câmera subjetiva, em que os jogadores, invisíveis uns aos outros, não podem se encontrar a não ser olhando as janelas de seus concorrentes.

Entretanto, a tela dividida, foi sumindo aos poucos a partir dos anos 2000 e da democratização dos jogos onlines. Das três grandes marcas de console, Nintendo é a única a ter tentado satisfazer o gosto desse tipo de jogo com o Wii U. Uma escolha que atenua uma grande tendência: no site especializado Giant Bomb, que lista mais de 350 jogos em split screen, podemos constatar que 22 títulos dessa categoria foram lançados em 1999 (Bomberman 64, Gran Turismo 2, Quake III Arena, Medal of Honor, Sega Rally 2…), como em 2000 (Banjo-Tooie, Perfect Dark, Aqua GT, TimeSplitters, Need for Speed Porsche Unleashed…), e somente três esse ano: Rocket League, Swords & Soldiers II e Resident Evil: Revelations 2. Em uma página (não exaustiva) reservada aos jogos PC, a plataforma Steam não marca mais que dois.

A sequência de Swords & Soldiers, um jogo de ação e estratégia sobre cores, um dos mais raros títulos jogáveis em tela dividida a sair em 2015.Ronimo

Porém, os jogos em tela separada vendem bem. Resident Evil 5 e 6, os dois únicos episódios canônicos jogáveis em dois da famosa série de terror da Capcom, são simplesmente as duas melhores vendagens históricas da companhia, com respectivamente 6,9 e 6,3 milhões de jogos distribuídos, enquanto que Mario Kart é o mais vendido dos últimos consoles de mesa da Nintendo, com um recorde histórico de 36 milhões de exemplares para Wii, fora jogos inclusos com console.

“Halo 5”: uma explicação técnica

Halo, que conta 65 milhões de unidades vendidas desde sua estréia, faz parte das séries que surfaram os anos de popularidade da tela separada. Porém o estúdio americano 343 Industries resolveu abandonar essa funcionalidade no próximo jogo, suscitando muitos debates nesse verão.

Halo 5 Guardians será o primeiro jogo da série que não será jogável à quatro na mesma televisão. A opção fez sucesso da saga. 343 Industries

A decepção dos fãs e uma petição online não adiantarão de nada. Halo 5 se juntará à Destiny, Titanfall, Project Cars, ou ainda Driveclub, entre os muitos títulos dessa jovem geração de consoles que ignoram a opção de tela dividida. “Escolher remover o jogo em tela dividida de Halo 5: Guardians é uma das decisões mais difíceis que nós tomamos como um estúdio. Nós sabemos que para muitos de nossos fãs, Halo é sinônimo de jogo de convivência entre os amigos no mesmo lugar”, se desculpa o estúdio.

Como sempre, a explicação é técnica. De forma simples, exibir duas telas ao mesmo tempo necessita duas vezes mais poder, e mais ainda em um jogo tecnicamente ambicioso (gráficos detalhados, grandes ambientes, muitos elementos animados), além disso é difícil gerar vários fluxos de vídeo em paralelo. Assim, foi a vontade de obter uma animação constante à 60 quadros por segundo que fez Project Cars renunciar à tela dividida.

No seu blog oficial, Frank O’Connor, o responsável pela licença Halo, se explicou:

“Em Halo 5, nós oferecemos ambientes em grande escala, um melhor comportamento de inteligência artificial, visuais de melhor qualidade e um sistema de jogo fiel… coisas que verdadeiramente tiram proveito de um novo console (Xbox One). Muitas de nossas ambições seriam postas em perigo com uma tela dividida, e o tempo passado para optimizar e resolver os problemas gerados nos afastaria de outros aspectos do desenvolvimento.”

Mas os editores também acharam um interesse. Privilegiar o jogo online permite em teoria lutar contra a pirataria, graças à autenticação das conexões ao servidor, ou ainda colecionar muitos dados úteis sobre o comportamento dos jogadores, tanto para melhorar o jogo, como para refinar a produção.

“Rocket League”, sucesso surpreendente

Por outro lado, conciliar as duas coisas não é impossível, como prova recentemente o sucesso surpreendente desse verão, Rocket League, um jogo de futebol em carros (!) jogável à quatro na mesma tela, online ou offline. Lançado em 7 de julho para Playstation 4 e Steam, ele foi baixado 5 milhões de vezes apenas em três semanas. Os jogadores aderiram massivamente a seu sistema simples de jogo, e principalmente a seus jogos à dois contra dois, três contra três ou quatro contra quatro, assim como é jogável solo online na mesma televisão.

Os desenvolvedores de Rocket League não estão enganados: o jogo à quatro na mesma tela é uma das principais opções desse barulhento jogo de “futebol mecânico”. Psionix

Em seu blog Gameswithfriends, especializado em jogos multijogador, o youtuber Kyle Mc Kenney, elogia o título:

“Eu amo “Rocket League”, eu amo porque é um jogo o qual eu posso jogar com meus amigos, sobre o mesmo sofá, na mesma TV, no mesmo lugar. É simples de manusear, de compreender. É engraçado para todo mundo. Rocket League inspira a camaradagem como as melhores experiências multijogador local”

O título dos americanos da Psionix não será felizmente o último desse gênero nesse ano. O remake de Gears of War, esperado para 28 de agosto de 2015, o próximo Call of Duty, e principalmente Star Wars Batttlefront, um dos jogos mais esperados do fim de ano, proporão por exemplo de modos de jogo em tela dividida. Simplesmente dobrarão o número de jogos desse gênero lançados em 2015.

Por William Audureau 

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AvcF – Loading Time.

One thought on “Artigos traduzidos: “onde foram parar os jogos multiplayer em telas separadas?”

  1. Pensando friamente apesar de sentir falta do recurso, acho totalmente desnecessário. As pessoas estão cada vez mais isoladas no mundo real e conectadas no virtual, além do argumento das desenvolvedoras ser extremamente válido. Lembro de ter jogado Left 4 Dead no 360 em split screen, o que foi uma experiência nada prazerosa devido a queda de quadros e limitação do campo de visão. Se parar pra pensar, a geração passada e principalmente a atual estão focados em jogos multiplayer, ironicamente sem multiplayer local.

    Outro detalhe, o N64 acredito ter sido o primeiro console a ter nativamente 4 entradas para controles, o que se tornou padrão na indústria e de lá pra cá, os jogos que suportam 4 jogadores são raríssimos. Gostaria de saber, guardada as devidas proporções, como estão as vendas deste periférico nessa geração. Tenho o PS4 há um ano, tenho filho e sobrinho que também gostam de jogar e até agora não tivemos a necessidade de comprar um segundo controle. Claro que existem alguns poucos jogos, como o excelente Rocket League citado, porém é um jogo de partidas rápidas que não chega a incomodar em revesar.

    Enfim, o que sinto falta mesmo são de jogos cooperativos, seja local ou online. Estou realmente cansado dessas arenas.
    Abraço.

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