Wii Sports Resort é o novo California Games

Wii Sports Resort é o novo California Games

 

Saudações aos leitores.

Após várias horas de entretenimento e um braço deveras dolorido, posso constatar com segurança que Wii Sports Resort é o novo clássico do Wii. O porquê eu direi durante esse post. Sigam-me os bons.

Quando eu era moleque, havia um game capaz de reunir o pessoal independente da plataforma e do gosto individual, falo de California Games. Não importava a versão que fosse (CG foi lançado para um putilhão de sistemas, incluindo versões para relógio cuco de parede, pingüim de geladeira e pacote de Fritopan) todo mundo parava para tirar umas partidas principalmente de foot bag (que o pessoal chamava de embaixadinha), surf e half pipe. A turma se reunia, ia passando os controles e rolava aquela farra, até porque o jogo suportava até oito pessoas. Esse tipo de jogo ficou por anos esquecido, só retornando com o lançamento do Wii e seu Wii Sports, o fenômeno que chacoalhou essa geração. Agora dois anos e meio depois, surge o game esportivo multiplayer definitivo para se reunir a turma. Eu ainda não tive como testar seu multiplayer a fundo, mas como Resort melhora tudo o que há em Sports, não tenho dúvidas quanto ao seu potencial.

A principal mudança foi que agora Resort tem corpo de um jogo de fato, evoluindo da característica que fazia Sports parecer para alguns como um tech demo. O tema de um arquipélago paradisíaco preenchido de espaços esportivos foi uma jogada brilhante de design. Surgida de uma idéia previamente mostrada em Wii Fit, em Resort a ilha Wuhu (só o nome que não é muito feliz) se mostrou um local completo e muito bem planejado. A apresentação do jogo já deixa claro que a ilha está integrada com as diversas propostas esportivas do jogo, pois já de cara o jogador é literalmente jogado de um avião, onde aprende a manejar o controle via pára-quedismo. O Motion Plus funciona muito bem desde o começo e só precisei de segundos para me acostumar com sua precisão. Por falar em apresentação, deixo registrada a minha maior crítica ao jogo. QUE PORCARIA DE VIDEO ERA AQUELE, NINTENDO? Logo que o jogo é iniciado pela primeira vez, sou obrigado a assistir um video de três minutos ensinando como “instalar” o Motion Plus. Usei aspas porque essa “instalação” significa pegar o MP e encaixar no controle e apertar um botãozinho atrás para travar. Só isso? Só isso. Ainda sim, mesmo com DOIS manuais inclusos (um no pacote do jogo e outro na caixa do jogo, é sério), a Nintendo me considera um analfabeto incapaz de compreender como se encaixa uma porcaria de um quadrado na parte de baixo do meu Wiimote.

Passado esse momento “games for dummies”, me deparo com doze modalidades esportivas, mais que o dobro da versão anterior. Isso sem contar as subcategorias que vão sendo abertas conforme vai se jogando. Essa foi outra decisão acertada do design do jogo, pois aumenta muito a vida útil do game e incentiva a exploração. Essa exploração progressivamente aumenta a habilidade do jogador, criando assim um ciclo virtuoso. O exemplo mais claro que vejo nesse sentido é a modalidade do avião (Island Flyover), que embora seja a menos esportiva de todas (pelo menos eu acho), tem uma das mecânicas mais simples, eficientes e viciantes do jogo. Usando apenas o Wiimote, o jogador viaja de avião por todo a área do arquipélago, podendo voar por todas as áreas imagináveis. Há oitenta emblemas “i”, que quando coletados (basta atravessá-los), além de conferir infos curtas sobre os locais da Wuhu Island, abre conteúdos extras, como tiros, pilotagem a noite, balões e etc. Eu já coletei mais de cinqüenta deles e nessa já voei por uma penca de lugares diferentes, incluindo até o interior de um vulcão. Me perguntem se não estou doido para achar os emblemas restantes. Por outro lado, pena que ainda não pude testar a modalidade Dog Fight, que vem a ser uma batalha de aviões.

Das demais modalidades, certamente as mais viciantes são a Sword Fight, Table Tennis e Archery. Passando rapidamente pelos níveis mongolóides iniciais, a coisa engrossa para valer nas lutas de espadas do nível pro em diante, fortemente inspiradas no Kendo, por sinal. Empunhando o controle verticalmente (como se fosse a bainha da espada), os movimentos necessários para os diversos ataques e defesas de espada funcionam perfeitamente, o que dá um caráter altamente estratégico às lutas, muito legal. Embora aquela arena redonda suspensa sobre o mar dê um visual meio “Olimpíadas do Faustão” (argh), é simplesmente sensacional dar uma chapuletada estilosa e mandar o pobre Mii direto para água. (Se eu escrevesse aqui as coisas que dizia nesses momentos, o blog saia do ar). Há ainda um bobinho modo de teste de reflexo e o ainda mais sensacional modo de fases,chamado Showdown. Nele o jogador avança por fases e vai descendo o cacete em hordas de Miis, podendo levar apenas três golpes. Se um game completo for feito em cima dessa mecânica, e tiver opção de co-op, poderá ser um clássico. Sério.

Já o Table Tennis obviamente se refere ao bom e velho Ping Pong, frenético e altamente técnico. Graças ao Motion Plus, toda sorte de saques, forehands, backhands paralelas e o que for, são possíveis com aquele efeitinho altamente sacana. Sabem aquelas bolas que batem na quina da mesa e matam a gente de ódio? Com muita habilidade e precisão é possível mandar a bolinha para qualquer ponto da mesa e surpreender o adversário. Uma sacada de design muito legal que notei nessa modalidade, é quando ocorre um “rally” (quando um ponto fica demorado e super equilibrado, esse termo é do Volei, mas não sei se há um equivalente para o ping pong), todos os barulhos externos são desligados e a torcida fica subitamente em silêncio. Durante esse momento os sons dos quiques da bolinha na mesa e da raquete batendo nela ganham um efeito de eco, criando um clima de tensão único no jogo. Por falar em tensão, quando se chega por volta do nível 1490, surge um monstro chamado “Lucía”, que perdõem o termo, É UMA MALDITA PROSTIRANHA. Ela é simplesmente o ícone do absurdo, o auge da apelação, o máximo da infâmia. Eu tenho certeza que as futuras gerações de jogadores serão eternamente assombradas pelo trauma de um dia terem cruzado o caminho de Lucía (não me perguntem o porquê desse acento agudo). Para terem uma idéia do nível de apelosidade da criatura (gostaram do neologismo?) vejam esses videos:


Reparem a expressão maquiavélica dela


Vocês não estão bêbados. Esse coitado aí ficou tão perturbado pelas incontáveis derrotas que perdeu a própria identidade e assumiu a de sua algoz.

É simplesmente sobre-humano. Eu já devo ter perdido umas 40 partidas para ela, sendo pelo menos 15 por um humilhante 6-0. Alguém da equipe de produção do jogo deve ter sido seriamente espancado com uma raquete de ping pong durante a infância e deve guardar um ódio profundo do restante da humanidade. Seria Lucía a madrasta do/da sacripanta? Uma valentona da escola? Uma freira tresloucada com fetiches sádicos envolvendo palmatória? Um amor não correspondido? Jamais saberei a resposta.

Voltando ao jogo, o arquerismo também é bem bacana e muito gostoso de jogar. A precisão é incrível, e realmente qualquer coisa pode influenciar na trajetória da flecha. O jogo oferece ainda vários níveis de dificuldade e variáveis para desafiar o jogador. É uma modalidade bem mais calma, perfeita para se recuperar dos esportes mais intensos. Do Wii Sports original ficaram somente o boliche e o golfe, com poucas mudanças, apenas mais opções e melhorias em suas mecânicas. Por outro lado, uma ironia é que os esportes aquáticos não me chamaram tanta atenção, tanto o Wake Boarding quanto o Power Cruising, que vem a ser o Jet Ski. Por sinal, essa modalidade me lembrou a quanto tempo eu não jogo um game realmente bom desse esporte desde Wave Race 64.

É tanta coisa sobre o jogo que acabei me alongando, desculpem-me. O fato é que Wii Sports tem tanto conteúdo e a mecânica de jogo é tão competente que se potencial para diversão em grupo é enorme. Desde California Games e depois Wii Sports, eu não via um jogo ter potencial para juntar tanta gente em torno de uma experiência gamística conjunta. Wii Sports sozinho já foi capaz de me fazer passar jogando madrugadas quase inteiras com meus amigos de faculdade. Wii Sports Resort será o próximo, assim que puder. É aquele jogo capaz de unir as pessoas, sem essa palhaçada de rardecore. Trata-se do California Games dessa geração.

Abraços e até o próximo post.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

13 thoughts on “Wii Sports Resort é o novo California Games

  1. “Eu tenho certeza que as futuras gerações de jogadores serão eternamente assombradas pelo trauma de um dia terem cruzado o caminho de Lucía”

    aeueahae …. seria a Lucía para os jogadores de Resort, o que foi o G. Ceara foi para os jogadores de Super Monaco GP?

  2. Gostou mesmo do jogo hein? A impressão que tenho, mais do que óbvia, que esse jogo sobrevive muito mais tempo no Single Player do que Wii Sports e Wii Play (-_-).

    Bicho, só faltou chamar California Games de Jogos de Verão. XD
    Bons tempos.

  3. Eu lembro quando era criança e jogava summer sports do master system de um amigo, com outras crianças juntas. Bom saber que este tempo está voltando para a nova geração.

  4. “Uma sacada de design muito legal que notei nessa modalidade, é quando ocorre um “rally” (quando um ponto fica demorado e super equilibrado, esse termo é do Volei, mas não sei se há um equivalente para o ping pong), todos os barulhos externos são desligados e a torcida fica subitamente em silêncio”

    Nessa você mandou mal..Isso não foi uma sacada do design, mas sim uma imitação safada do mesmo efeito no excelente e “rardecore” (seguindo seu vocabulário) Table Tennis da rockstar..

  5. Não joguei o Table Tennis da Rockstar, mas isso não invalida o comentário do texto. Seja da Rockstar ou da Nintendo, imitação ou não, esse efeito do ping pong continua sendo uma sacada inteligente de design.

  6. “Alguém da equipe de produção do jogo deve ter sido seriamente espancado durante com uma raquete de ping pong durante a infância”

    tem um durante a mais aí no meio da frase.

    E eu quero um wii… pensei bem ultimamente e queor um só por esses joguinhos bobinhos…. deixo o ps3 pra jogos mais sérios (e que não precise de cordenação motora – que sou horrível) hehehehehe

  7. “Por sinal, essa modalidade me lembrou a quanto tempo eu não jogo um game realmente bom desse esporte desde Wave Race 64.”

    Pois trate de fazer um favor a si mesmo:

    1- Plugue um controle de GC no seu wii
    2- e jogue Wave RAce BlueStorm

    Te garanto q é um dos melhores e mais viciantes jogos de corrida JA FEITOS EVER!!!

  8. Dois jogos que me arrependo de não ter jogado no GameCube foram Wave Race Blue Storm e Ikaruga. No caso do segundo o arrependimento é maior porque tive a oportunidade de comprar lacrado por R$90 e perdi.

  9. Tenho um amigo que jogou Ikaruga até o led do Dreamcast pifar. Seria tão bom se a Treasure relançasse ele pro Wii assim como lançou pro Live Arcade

  10. Cara, vlw pelo post… O melhor de tudo foi vc ter falado da Lucía, cheguei nela e não consegui passar até agora… Se vc já perdeu 40 partidas eu já devo ter perdido umas 100… Eu já estava me sentindo um retardado (Rs…) por naum passar dela…. Welcome to the Club!!!!

  11. hahaha num sei pra q tow ressucitando esse post (na verdade eu sei: minha namorada me deu um wii de aniversário e veio com esse jogo hehe) bem, a “modalidade” mais viciante sem duvida (pelo menos pra quase todo mundo q eu mostrei o meu wii) foi o “sword play”… o “speed slice” (que vc descreveu como “um bobinho modo de teste de reflexo”) foi um dos que eu axei mais maneiros… tá, é meio bobo sim… mas é maneiro “cortar as coisas com uma espada”… passada a primeira semana de jogo eu tinha desanimado um pouco desse jogo (e comprei o the conduit que, embora em todo lugar se fale mal desse jogo, eu tenha gostado) mas me senti motivado a jogar o “pingue pongue” pra enfrentar essa tal de lucia (e tambem pra ver se aparecem adversários mais dificeis no “duel”)… hehehe abraço man!

    Comentário do AvcF: a Lucia é um monstro. Esteja avisado.

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