Uol Jogos: Moda passageira? A ascensão, glória e queda do dos controles de movimento

Saudações aos leitores.

Ontem o Uol Jogos publicou um bom artigo sobre um dos maiores diferenciais do Wii: os controles por movimento. O texto de Pedro Henrique Lutti Lippe já começa com uma pergunta no título – “Moda passageira?” – respondida logo em seguida, após um breve  resumo o sobre o Wii:

Quando a Nintendo apresentou o Wii em 2005, a promessa era a de uma revolução. Centrada no uso de um controle sensível a movimentos, a plataforma mudaria a forma com a qual o público enxergava videogames, atraindo para a indústria pessoas que antes nem cogitariam a ideia de jogar em frente à TV.

Tudo isso aconteceu – mas apenas de forma passageira.

O artigo prossegue falando sobre o grande sucesso do Wii,  a liderança do console durante a sétima geração e a tentativa da Sony e Microsoft de emular o sucesso do Wii via Move e Kinect. O texto também cita corretamente como nenhum exclusivo de PS3 e X360 chegou nas maiores marcas de exclusivos de Wii como Mario Kart e Wii Sports Resort, além de como os controles por movimento alcançaram públicos até então de fora do mundo dos video games. Até aqui, ok, o texto fez uma radiografia correta, sucinta  da “era Wii”, porém há dois pontos que creio que mereçam questionamento, então darei meus centavos sobre eles. A começar, por esse trecho:

Veio então o passar dos anos, e o interesse do público esvaiu-se. A Nintendo melhorou as capacidades de seus sensores com o acessório MotionPlus, mas jogos mais complexos não eram o que queriam os tais ‘jogadores casuais’, que se aproveitaram da febre dos controles de movimento e depois a deixaram para trás como quem veste o penteado da moda.

(…)

Os ‘não-gamers’ que compraram o Wii pelo fator novidade ou abandonaram os consoles logo em seguida, ou deram continuidade ao seu novo hobby com games gratuitos em seus celulares. Sem poder contar mais com esse público volátil, as empresas acabaram tendo que reatar o compromisso com os jogadores tradicionais.

Primeiramente, eu discordo da tese de que, apesar do esforço da Nintendo, o público perdeu o interesse pelo Wii simplesmente porque o tempo passou. Meu pensamento é exatamente o contrário: como cheguei a escrever algumas vezes antes, a Nintendo abandonou tanto o Wii como os novos jogadores que o compraram. Afinal de contas, após Wii Sports Resort (lembrando que foi lançado em 2009), citado no texto do Uol Jogos, a Nintendo não lançou mais nenhum jogo de peso que aproveitasse bem o Wiimote, apenas jogos inexpressivos como Fling Smash ou sequências sem nenhum capricho, como Wii Play Motion. Dessa forma, não acho que tenha sido um fenômeno orgânico, algo que ocorreria naturalmente, e sim consequência de erros estratégicos que a Nintendo vem cometenndo desde o fim de ciclo do DS.

Como já cheguei a mencionar aqui, não sei de quem partiu a ordem, mas em algum ponto parece ter havido uma mudança de linha, abandonando a expansão de público para retroceder à fase GameCube na forma de fazer jogos. Assim, não acho que havido essa volatilidade, e sim um console que mesmo tendo feito muito sucesso, ainda poderia ter chegado mais longe.

Por outro lado, discordo da parte final do artigo, que cita a realidade virtual como uma solução para a volta dos controles por movimento como elemento de destaque. Primeiro porque o VR, é justamente o contrário do que foi o Wiimote – enquanto esse era um controle inclusivo, que convida todos em volta a participar, o VR é exclusivo, pois ele atende apenas quem veste os óculos,capacetes e afins. Inclusive, para mim realidade virtual está mais para um truque à lá 3D estereoscópico do que uma tendência real de jogo, e diferentemente do Wiimote não é uma ferramenta de gameplay, apenas uma forma diferente de ver um jogo. A receita mais simples (que mesmo a Nintendo não parece estar afim de executar) é fazer jogos bem feitos, divertidos e com bom uso do controle.

Por fim, quero dizer que gostei do artigo do Uol Jogos, pois diferentemente de tantos textos do passado que falavam altas bobagens sobre o Wii, fez um bom resumo sobre a geração passada e questionou a principal ferramenta de sucesso do console-líder daquela época.

Até o próximo texto.

AvcF – Loading Time.

One thought on “Uol Jogos: Moda passageira? A ascensão, glória e queda do dos controles de movimento

  1. Achei que só eu enxergava a má vontade do UOL Jogos com a Nintendo, em especial com o Wii.
    O autor desse texto, Pedro Henrique Lutti Lippe, era redator do Wii Brasil, acredito que talvez por isso o texto tenha vido despido dos preconceitos costumeiros do UOL.

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