The Legend of Zelda: Majora’s Mask completa 10 anos

Saudações aos palacianos.

E o ano de 2010 tem mais um aniversariante no mundo dos games. The Legend of Zelda: Majora’s Mask completou oficialmente nesse mês de outubro 10 anos de lançamento. Um game difícil, sombrio e criativo, foi uma espécie de Zelda II do Nintendo 64. Seja como for, ainda é um game especial para mim. Explorarei esse assunto no post de hoje. Me acompanhem.

Vocês já devem ter ouvido por aí que mais difícil do que chegar ao topo, é manter-se nele. Certamente o pessoal que trabalhava na Nintendo nos tempos de Nintendo 64 deve ter ouvido isso de monte por volta de 1999. Isso porque o game a ser sucedido era nada menos do que o épico Ocarina of Time, o mais popular game de uma série que por si só já é uma referência no mundo dos video games. Portanto, não precisar ir longe para imaginar o tamanho da pressão que foi produzir Majora’s Mask, aliando-se o fato de que o prazo de produção foi curto para um game Zelda (foi um pouco mais de um ano de produção somente). Pormenores à parte, o fato é que Majora’s Mask é um jogão e merece fazer parte da lista dos melhores do Nintendo 64.

Uma das fatores que me fez gostar de Majoras foi a personalidade do jogo, pois embora tenha sido produzido sobre a mesma engine de Ocarina (portanto herdava a mesma mecânica de jogo e compartilhava de muitos elementos gráficos e sonoros), tratava-se de um game radicalmente diferente. Começando pelo fato do jogo se passar por outro mundo que não o de Hyrule (antes de Majoras, apenas Link’s Awakening não era em Hyrule)além das ausências de Ganon e Zelda, Majoras trabalhava um elemento pouco explorado na série: a tensão.

A própria animação já tinha um certo suspense, naquela floresta enevoada, com as fadinhas sacanas tramando pelas costas de Link, com o Skull Kid terminando por roubar a Epona e iniciando uma sequência de perseguição. Mas além disso, assim que o jogador assume o controle de Link, ele logo passa por uma estranha transformação, tornando-se um frágil e patético deku scrub. Para piorar a situação, logo o jogo informa que o mundo está para acabar em três dias, o tempo começar a rolar logo em seguida, e a partir dali você tem que se virar daquele jeito mesmo. Me lembro bem como gostei bastante disso da primeira vez que joguei. Isso porque a pressão já rolava desde o início, e cabia a mim explorar a cidade de Clock Town, entender o que se passava com as pessoas ali e já realizar umas missões básicas. Tudo isso com a pressão exercida por aquele maldito relógio que ficava na parte debaixo da tela. De certa forma só voltei a experimentar sensação parecida quando joguei A Link to the Past no GameBoy Advance (não joguei na época do SNES, shame on me), naquela parte em que Link vai pela primeira vez no Dark World e é transformado em um indefeso coelho rosa.


(Pulem para mais ou menos o quarto minuto de video)

Outro fato de pressão era o fato de só poder salvar após o épico encontro com o Skull na torre do relógio, então quem jogava sentia que não podia errar. Entretanto talvez começasse ai uma certa rejeição que muitas pessoas desenvolveram por Majora’s Mask. Isso porque já ouvi vários comentarem coisas do tipo “aquele jogo me deixava nervoso”. Seja como for, o fato era que realmente a partir dali que o jogo reamente “começava”, no sentido de ganhar corpo e o jogador poder explorá-lo além dos limites de Clock Town.

Como o próprio título do jogo deixava subentendido, a mecânica exclusiva de Majora girava em torno do uso das máscaras, da forma como elas afetavam o gameplay e o personagens do jogo. Para conseguir algumas o jogador precisava cumprir quests que as vezes levavam os três dias, e nesse processo era possível se aprofundar nas histórias e razões de ser dos personagens . Por exemplo, quem jogou deve se recordar da quest envolvendo Kafei e Anju. Outro ponto interessante nesse sentido era que boa parte dos personagens sabia que algo nefasto estava para acontecer, como por exemplo o prefeito de Clock Town que estava em uma tremenda indecisão sobre fazer uma festa ou evacuar a cidade. Isso dava ao jogo uma profundidade bacana, pois ajudava a dar a ilusão de que o mundo do jogo era um lugar vivo, com rotinas e atividades que não dependiam das ações do jogador. Guardadas as devidas limitações, era como se os NPCs fossem mesmo pessoas, e não apenas ferramentas utilitárias que dependiam do contato com o jogador para exercerem uma função no jogo. Ou seja, havia uma progressão real no jogo, que o jogador podia ou não interferir em determinados momentos. Caso não houvesse essa interferência, o NPC em questão seguia seu curso, com seus problemas e contradições.

Falando mais do game em si, Majora’s Mask é mais desafiador do que Ocarina of Time. Como Majoras possui apenas quatro calabouços, eles são mais longos e difíceis (sem contar os 15 pedaços de fadas que podiam ser encontrados em cada um em troca de um upgrade posterior). Como boa parte do jogo também se passava com o jogador dirigindo-se entre os diversos locais, o campo de Termina também é bem mais hostil do que o de Hyrule. Devido a mecânica de Link ser igual ao game anterior, em Majoras o pessoal da Nintendo buscou inovar dando a possibilidade do jogador também ser um Goron e um Zora, com suas respectivas forças e fraquezas. Em diversas situações era necessário transformar-se em uma dessas raças para poder completar um objetivo ou mesmo matar um chefe. Isso dava ao jogo uma variedade que não existia em Ocarina of Time, o que particularmente eu achava bastante interessante. Em geral Termina era tão rica e cheio de possibilidades de exploração quanto era Hyrule, porém com a vantagem que sofrer diversas transformações durante os três dias de duração, o que adicionava um dinamismo todo próprio.

Talvez o único grande defeito do jogo fosse a batalha contra o chefe final, muito fraca se comparada a batalha épica contra Ganon, em Ocarina of Time (há bastante sobre isso no meu último artigo traduzido). A máscara que representava todo o mal no jogo, responsável por dominar um ingênuo e solitário skull kid e fazer a lua entrar em rota de colisão com Termina, acabou por ser um chefe fracote e sem sal. Se Link entrasse na luta equipado com a Delty Fierce Mask então, aí que a coisa ficava ainda mais fácil, tornando o embate patético.

Ainda sim, considero Majora’s Mask um grande game, um dos melhores da série Zelda (bem melhor que Wind Waker, por sinal…). Não teve toda a atenção que acho que merecia (vendeu cerca de menos da metade do que vendeu Ocarina of Time), o que é até compreensível, dado que foi lançado no final de 2000, quando japoneses e americanos já começavam a curtir o Playstation 2 (além de todo o destaque que o console teve na época de seu lançamento). Além disso, quando Majoras foi lançado o Nintendo 64 estava em franca decadência, e a própria Nintendo já falava sobre o vindouro GameCube. Mas isso pouco importa. Eu ainda me lembro com certo carinho de quando eu ganhei no natal aquela caixa com cartucho dourado do jogo junto do cartucho de expansão, junto de um livrinho ilustrado com umas dicas do jogo (eu ainda tenho essas coisas guardadas). Foi uma experiência grande e prazerosa passar aquelas madrugadas cumprindo quests para pegar as máscaras e explorando aquele mundo meio estranho mais um tanto encantador que ter Termina.


O video tem spoliers. Não vejam se alguém não ainda não terminou esse jogo.

Vou ficando por aqui. Tanto para quem gosta dos games Zelda quanto daqueles que não têm muito com contato, vale a pena uma revisitar The Legend of Zelda: Majora’s Mask. Na minha opinião, trata-se de um grande game, que conseguiu passar bem pelo teste do tempo após esses 10 anos. Após o anúncio do Ocarina of Time 3D, quem sabe também não ganhe um remake bacana para o 3DS. Eu compraria fácil. E vocês?

Abraços e até o próximo post.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

15 thoughts on “The Legend of Zelda: Majora’s Mask completa 10 anos

  1. Eu não gostava tanto assim do Majora’s Mask. No geral, achei os templos e chefes do Ocarina bem mais interessantes, com a excessão das batalhas contra Twinmold e Goht…

    Aliás, o Stone Temple foi o único dentro dos padrões “Zelda”. A impressão que eu tenho é que foi trabalhada tanto essa idéia de “você é só mais um nesse mundo. Aprenda como ele funciona” que os conceitos mais clássicos da série ficaram em segundo plano. Majora’s Mask acabou tornando-se “um Zelda de NPCs, não um Zelda de Templos”, se é que me entende.

    Uma coisa que eu gostei, porém, foi o reaparecimento de criaturas já clássicas da série. Chu-Chus, a já citada Moldworm, Wart… Essas surpresas me agradaram muito. A evolução gráfica também é inquestionável: a utilização do Expansion Pak permitiu uma maior quantidade de polígonos e texturas na tela, o que refletiu em melhores efeitos, maior quantidade de inimigos, efeitos de ação e reação e ambientes bem menos retangulares. As batalhas contra Gomess e o Gecko na Mad Jelly mostram bem isso.

    No geral, um Zelda muito superior tecnicamente que o Ocarina of Time, porém muito diferente para garantir todo o sucesso do primeiro título. Uma pena, pois gostaria muito de ver a mecânica das máscaras ser integrada à série.

  2. Majora’s Mask é como Link’s Awakening, você olha em um primeiro momento e acha esquisito, começa a jogar, acha mais esquisito ainda, mas ainda assim acha o jogo ótimo. Era bem legal a exploração de Termina, tinham muitas área diferentes e isso alongava bastante o jogo. O fator tempo colocava pressão mas não me incomodou, enfrentar Skull Kid aos 45 do segundo tempo foi uma ótima sacada, fora as transformações de Goron & Zora que foram sensações únicas dentro da série.

  3. Eu não cheguei a jogar muito Ocarina (acho que sou o único…), mas esse Majora Mask eu gostei bastante. Eu realmente senti um desenvolvimento gráfico em relação ao Ocarina, com um design de cenários muito bacana, e desafios e quests amplificados pela pressão do mundo acabando logo no início. O tom sombrio ficou muito bom e deu um tempero certo. Acertaram em cheio aqui.

    A única coisa que eu não gostei (além daquele relógio agourento, ehhehe) era a pouca quantidade de cenários em relação aos RPGs concorrentes. Eu esperava algo como em Lunar ou Shining Force em que você viajava para dezenas de lugares diferentes… Aqui o jogo é mais “restrito”, mas é só isso.

    Acho que esse jogo foi mais para “fechar com chave de ouro” a biblioteca do N64, um jogo para marcar positivamente o final da plataforma com um grande RPG, assim como Panzer Dragoon Azel foi para o Saturn.

    Obs: Esse é o chefão final de RPG mais fácil que eu já ví… =(

  4. Coisa que eu achei mais legal era a opção de como explorar a area voce podia color a mascara do goro e sair atropelando a 190 km por hora ou na mascara de coelho com um link mais veloz ou com a epona nodelo pequenina ou sair nadando com um zoras isso erra muito show se compara ao link criança pregado no chão do ocarina do tempo.

  5. Sim, definitivamente é um dos grandes clássicos da série. Também tenho meu cartucho dourado na caixinha (versão original estadunidense) mas pouco o joguei até hoje. Tenho ele também naquela coletânea limitada que saiu pro GameCube (que até vem com problema na sincronia do som – fato um tanto inexplicável…). interessante ver que Miyamoto pouco ou nada fez em Majora’s Mask, mas mesmo assim na opinião de diversos fãs ele se iguala qualitativamente ao Ocarina Of time – ou até o supera.

    @ Gelo: concordo plenamente com a comparação com o Azel do Sega Saturn. Porém lamentavelmente esse puta RPG não chegou a vender nem fração do que o majora’s mask vendeu… 🙁

  6. Não gostei do sistema de 3 dias desse jogo, e do sistema de salvamento, você estava lá onde Judas perdeu as botas, queria salvar e não podia. Se quisesse parar de jogar e desligasse o videogame voltava lá no meio da cidade e teria que caminhar tuuudo de novo até onde você estava antes.

    Paguei uma fortuna por essa fita e até hoje não zerei. Quero começar a jogar de novo, quem sabe as coisas engrenem e eu consiga jogar. É realmente muito bom, eu estava jogando pra valer mas no fim fui parando e acabei deixando de lado. Vou tentar jogar de novo agora com esse post hehe

  7. @Avcf só uma correção: o nome da máscara é (Fierce deity mask) se você usar essa máscara aí sim fica realmente fácil o último chefe! Ele pode não ser tão épico como o Ganon no Ocarina mas cumpre bem o seu papel! Tenho esse jogo também no N64 com caixa e tudo, amo d+ esse game! Certamente ele é + detalhado e lindo graficamente que o Ocarina graças aos 4Mb de Ram do cartucho de expansão que por sinal vinha incluído com o game! A palavra ORIGINALIDADE descreve muito bem esse game, ”único” também cairia bem, achei genial a ”rotina” criada para cada um dos personagens do game e como você pode alterar o destino deles e tudo em tempo real! E sobre o Majora’s ser melhor que o Ocarina… uma vez o Aonuma comentou que certamente o Majora’s era melhor que o Ocarina of time, em parte é verdade, nos quesitos técnicos gráficos, modelagem de personagens, resolução da imagem, fluidez, tamanho de cenários, qualidade das texturas ele realmente supera, mas no quesito enredo,puzzles e ser épico Ocarina ganha até mesmo pelo fato dele ter criado o sistema de mira z (o que salvou a humanidade de odiar os games com batalhas 3-d!) Mais uma criação do mestre Miyamoto!

  8. O curioso é que trilha sonora desse jogo é bem semelhante aos jogos originais de NES e SNES, por exemplo o tema de Termina Field, é idêntico ao do campo de Hyrule no NES e SNES, sendo que Majora’s Mask é um Spin-Off. Já o Ocarina of Time, que segue a linha original, a trilha apenas “lembra” as músicas originais, com outros arranjos.

    Já o Ocarina Of Time, que é a obra prima máxima da Nintendo, da série, e dos jogos, foi lançado em um cartucho comum cinza.

    Majora’s Mask que é um spin-off, foi lançado em um cartucho dourado. Hehe, acho que teria sido melhor ao contrário, mas tudo bem né

    Agora me deu uma baita vontade de jogar Majora até o fim.

    Comentário do AvcF: Ocarina of Time também teve cartucho dourado. Vinha assim para quem fez pre-order na época.

  9. O Ocarina Of Time teve cartucho dourado sim – era raro pra dedéu, muito mais que o do Majora’s Mask. E os primeiros cartuchos do Zelda II – Adventure Of Link do NES também, e esse em termos de raridade nem se fala!

    Aliás eu não sei como a Nintendo não se aventurou a lançar o A Link To The Past (do SNES, não o do GBA) também em cartucho dourado nas versões iniciais, bem como para o Link’s Awakening (DX) para Game Boy (Color).

  10. Eu adoro Majora´s, joguei ele em 2001, um pouco depois do lançamento, e fiquei maravilhado. Os gráficos eram lindos, as musicas e tudo mais era fantástico. Quando procurei revistas que falavam sobre o game percebi que ele possuia menos calabouços e pensei, beleza terminarei bem mais rápido que Ocarina, mero engano, demorei o dobro de tempo hehe, e não peguei todas as mascaras, lembro que ficou faltando umas duas, que batalhava até não poder mais e não consegui. Outro ponto que vc mencionou e sempre gostei, são os acontecimentos da cidade, eu achava aquilo tudo fantástico, a vida dos NPC eram mais convincentes que as do GTA San Andreas, e desenvolvia os personagens excentricos de uma forma brilhante, como raramente se ve, os tornando em muito mais que simples estatuas. Sou muito fã da série, e Majora´s tem um lugar especial na minha memoria, e ao ler esse texto me bateu uma vontade enorme de rejogar. Pena que só tenho o cartucho do Ocarina e a locadora da minha cidade que tinha esse jogo já o vendeu 🙁 Um relançamento pro 3DS seria uma boa hein!!!!

  11. Ocarina e Majora são dois jogos obrigatórios em qualquer Wii. Felizmente eu tenho ele no meu Virtual Console e de vez em quando ainda jogo e rejogo…

  12. cara…. me segurei mas é aquilo… não gosto de zelda… já falei aqui e não foi por falta de tentativa!!!!
    peguei o ocarina e fiquei um tempão com ele, joguei e passei vários lugares, aprendi várias músicas (e ainda peguei uma tabela e fiquei tocando outras músicas! huaeuhaeuha) mas….. ficou no “beh”…. não prendeu minha atenção… o majora’s…. pior ainda…. já o link to the past…. é legalzinho! 😀 gostei… mas não é a maravilha, ou me senti como quando jogando sonic ou mesmo o kingdom hearts do psp (que to terminando pela 5x seguida!) =D

    acho que o controle desses jogos 3D no início me barraram…. mario 64 é legal tb, mas o controle me ferra… acho que sem uma boa jogabilidade, a qualidade do jogo cai muito e eu não gostei da jogabilidade dos zelda em 3D.

    Ah sim, só gostei do link to the past pq estava com um detonado… q o série difícil de terminar sozinha! oO’ fico perdido sem saber onde tenho que ir… e isso me deixa meio louco!

    parenteses ao meu último comentário, eu tava jogando postal esse FDS….. cara, como postal 2 é MUITO melhor que a expansão (que tem armas BEM mais legais, tipo a foice!) e vc pode cumprir as coisas fora de ordem!
    acho bem legal, mas tem um mapa falando “vá alí!” hehehehe =D

  13. @Flavio: Já se sabe que o Ocarina Of Time será um dos títulos do 3DS – talvez iniciais. Há uma chance boa de que um dia saia também o Majora’s Mask e (porque não?) o Twilight Princess. Mas o estigma diz que o ocarina Of Time possui preferência e prioridade total para isso.

  14. Majora’s mask também é um dos meus jogos preferidos,pra mim ele só perde da OoT como foi dito.O aspecto sombrio, tenso e assustador é o que mais me faz voltar a jogar esse game.Aquela Lua feiosa e a musica que toca nas ultimas horas do temp odo jogo é uma das coisas mais arrepiantes que eu ja vi nos jogos.

  15. Olá Avcf tudo bem? Rapaz será que teria como você postar um Bad trip sobre o Tales of symphonia dawn of the new world (wii) que eu mesmo fiz? Adoraria vê-lo no Loading time! Se quiser mando para o seu e-mail o que escrevi daí vc acrescenta só a imagem do jogo e um vídeo da intro pode ser?! * – *

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