Revisitando Metroid Prime 3: Corruption

Saudações aos abilolados.

Percebendo que possuía algumas horas de puro ócio em um despretencioso fim de semana, aproveitei para revisitar Metroid Prime 3, um dos primeiros clássicos do Wii. As impressões dessa experiência estão no post de hoje. Aproveitem.

Nessa altura do ano de 2010, já fazem quase três anos que Metroid Prime 3: Corruption foi lançado. Foi um dos primeiros clássicos da biblioteca do Wii, me recordo que comprei logo que foi lançado. Assim como o debulhei e terminei com sobras, varrendo praticamente tudo o que havia a ser feito e descoberto naquele jogo. E desde então não o liguei mais, ou seja, de 2007 até aqui fiquei sem jogar um minuto sequer de Metroid Prime 3. Até que no último fim de semana resolvi pegar alguma coisa para jogar, e ao dar uma olhada pelas caixas brancas do jogos de Wii, peguei a do Metroid Prime 3 e pensei comigo: “qual será a impressão que terei desse jogo depois desses quase três anos?”

Antes de continuar, aproveito para responder uma indagação que alguns devem estar se fazendo, de porque eu “larguei” Metroid depois de terminá-lo. Sou do tipo de jogador que não gosta de saturar um jogo, ou seja, jogar até não aguentar mais, até esgotar todas as possibilidades. Claro que em jogos que demandam exploração, que há items escondidos e etc; procuro fazer/achar tudo ou quase tudo. Contudo, Não gosto de abrir modos extras da vida, do tipo “new game plus” ou “play again, now with a fucking hard difficulty level” da vida. Tanto que agi com Zelda Twlight Princess e Resident Evil 4 da mesma forma que agi com Metroid Prime 3. Explicado isso, seguimos de volta ao assunto original do texto.

Claro que ainda não deu tempo para avaliar como Prime 3 envelheceu graficamente, embora nesse quesito continue bem. Mas nem era esse o foco da minha revisita, e sim a minha segunda impressão desde a última vez que estive com o jogo. O primeiro aspecto que comecei a prestar atenção foi a implementação do wiimote na mecânica de jogo, lembrando que os primeiros Primes eram jogados com controle tradicional, dois analógicos e tal. É incrível como mesmo depois de três anos, vários jogos com wiimote e até mesmo Motion Plus, a mecânica do jogo casou bem e os controles por movimento funcionam tão satisfatoriamente. Contudo, é curioso notar como os jogos daquele começo de geração (lembrando que Prime 3 é de 2007) tinham uma necessidade bastante presente em usar gestos para justificar os controles por movimento. Isso é perceptível em diversos momentos em que o jogo exige a manipulação de alavancas e digitação de teclas em paineis. Lembro que da primeira vez que joguei Prime 3, eu achava esses momentos muito legais, já que faziam parte da “mágica” do wiimote, por assim dizer. Hoje, em contrapartida, vejo como esses gestos são frívolos, desnecessários mesmo.

Mas é justamente aí que vejo com mais clareza hoje o potencial desperdiçado do wiimote para jogos de tiro. A mecânica de ataque, esquiva e manejamento de equipamento (missel, os diferentes canhões, grapple beam), me fez ver como os antigos controles com analógicos ficaram ultrapassados para esse tipo de jogo. Depois de umas partidas de Prime 3, outro dia experimentei jogar um pouco de Gears of War 2 e Modern Warfare 2, duas estrelas dos games de tiro. Os games são legais e tal, mas o gameplay soou duro e impreciso, em especial nas partes de tiroteio, quando a necessidade de uma mira rápida e precisa era essencial. Não que fosse impraticável ou mal feito (até porque muita gente está acostumada assim e joga numa boa), porém nesses momentos ficou absolutamente claro para mim como o mouse/teclado e o wiimote/nunchuck são dispositivos de entrada muito melhores que o esquema de controle tradicional dos consoles. Acredito que no futuro próximo, com o avanço dos controles por movimento, não fará mais sentido o uso de direcionais e analógicos para jogos de tiro. Claro que o wiimote não faz tudo sozinho, uma vez que a movimentação da Samus usa o analógico do nunchuck. Mas tratando especificamente do combate, ou seja: mirar, atirar, esquivar (strafe, ducking) o esquema de duplo analógico soará como gambiarra perto dos motion controls. Imagino que será uma sensação parecida de quem está acostumado com jogos de tiro nos consoles HD quando pega pela primeira vez um game desse gênero lançado para o Nintendo 64.

A diferença é notável também para quem jogou Metroid Prime no GameCube e depois jogou Prime 3 no Wii. Quem passou por essa experiência certamente percebeu que embora o design das versões seja o mesmo (me refiro ao desenho das mecânicas de jogo), o dispositivo de entrada muda bastante a experiência de jogo.

Além do Gameplay

Não quero entrar no campo da comparação, mas é fato que a trilogia Prime é mais popular que os Metroids bidimensionais, basta procurarem pelo número de vendas de MP1 e MP3 para perceberem isso. Prime foi por um lado uma aposta arriscada, já que foi uma mudança drástica de mecânica de jogo, saindo da ação 2d para um quase tiro em foco interno. Mas acho que o maior diferencial mesmo para atrair foi o conteúdo rico de Prime. A estética sombria, soturna, com contrastes de elementos tecnológicos e orgânicos ganhou amplitude graças a tridimensionalidade em conjunto com a capacidade técnica do GameCube.


Não tem como não ficar impressionado ao ver essa abertura pela primeira vez

Uma coisa que me agradou no primeiro game e continuo gostando no terceiro é justamente o contraste entre o tecnológico e o orgânico, o antigo e o novo. Prime 3 tem bastante disso desde o início com aqueles cenários com ruínas e estátuas em conjunto com naves acidentadas e instalações pós-modernas. O jogo é muito bonito nesse sentido o tempo todo, indo além daquela noção babaca-rardecor de shaderzzz e polígonos mil. A trilha sonora funciona de forma parecida, com temas pesados cpm bumbos e corais intercalando momentos de batidas eletrônicas mais rápidas (como quando ocorrem algumas batalhas e sub-chefes). Confesso que gostava mais das músicas de Prime 1, mas Prime 3 também funciona bem nesses aspecto.

Por fim…

Pelo tempo que tive com o jogo, não cheguei a “reterminá-lo”, mas a experiência foi e continua sendo muito agradável. Foi muito gostoso revisitar Metroid Prime 3. O jogo é e continurá sendo um sólido clássico do Wii, e creio que será uma referência toda vez que alguém dizer que é impossível adaptar um game essencialmente bidimensional para o mundo dos polígonos. Considerando que Other M funcionará essencialmente de modo parecido com os títulos pré-Prime, não dá para saber qual será de fato o futuro das aventuras de Samus e os Metroids. Seja como for, Prime é uma trilogia tão marcante quanto Country foi. Se algum de vocês tem Wii, digo que vocês têm DEVER CíVICO de jogar Metroid Prime 3: Corruption.

Vou ficando por aqui. Até mais ver.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

13 thoughts on “Revisitando Metroid Prime 3: Corruption

  1. Tenho o Trilogy aqui em casa, joguei o primeiro e o segundo, ainda estou enrolando para jogar o terceiro.

    Uma coisa que percebo em FPS como sendo também um assíduo jogador de computador é que os controles são tanto um gambiarra para este estilo quanto o teclado é para os jogos de corrida.

    Não consigo entender inclusive como alguém consegue falar que um FPS multi tem sua melhor versão no 360 mesmo tendo que usar controles, já que a interface mouse e teclado é muito mais superior tornando a experiência muito mais rica. Inclusive no meu 360 só tenho os exclusivos de fato e os jogos da live, que considero a grande mina de ouro da microsoft

  2. boa camarada!
    joguei o modern warefare primeiro no PC e dps no ps3.
    Tudo bem que meu pc não roda na qualidade do ps3, mas é INFINITAMENTE superior jogar no pc!!!! =D

    não joguei nenhum dos prime. E na verdade, só terminei os 2 do GBA =D

  3. Metroid é uma das minhas séries preferidas, tantos os mais antigos quanto os mais novos. O legal de Prime é que ele conseguiu manter todo o clima dos jogos antigos mesmo com uma jogabilidade completamente diferente e ainda por cima manteve o lance da exploração, não ficando aquela coisa típica dos FPS, corre, atira, corre, atira, o que não é ruim, mas teria feito do jogo apenas mais um entre tantos.

  4. Destaco:
    “Depois de umas partidas de Prime 3, outro dia experimentei jogar um pouco de Gears of War 2 e Modern Warfare 2, duas estrelas dos games de tiro. Os games são legais e tal, mas o gameplay soou duro e impreciso….”

    A mesma sensação eu tive jogando MW2. Ano passado eu viciei no gameplay do CoD: World at War do Wii, perfeição mesmo. Agora eu tive a oportunidade de jogar MW2 no Ps3……. me senti dando um passo pra trás nesse quesito.

  5. AvcF, porque você não citou o 2 – não o jogou? me disseram que é meio que um “Expansion pack” do 1, propriamente dito.

    Da série prime eu joguei apenas o primeiro no GameCube e gostei bastante.

  6. Penso a mesma coisa dos analógicos pra mirar. Respeito quem gosta, mas considero, como eu mesmo chamo, mira medieval. Pra mim, a maior sacada do Wiimote é o pointer, com os controles de movimento em segundo lugar. E me dá tristeza ver que o enforque do Kinect e do Move não é esse…

    Outro exemplo é Sin and Punishment 2. Joga meia hora com o Wiimote e depois vai jogar com o esquema de mira medieval do classic. Dá vontade de chorar. Sério mesmo. Aí penso no tempo que já perdi na vida arrastando a mira na tela…

    Pointer nos consoles HD já!

  7. Apelação hein Avcf?! Logo uma das séries que + respeito nos games!! Esse Cool vibrations foi A+++ Tenho a série completa dos Prime 1 e 2 do Cube e 3 óbvio do wii!! Confesso que na época em que foi lançado o Prime 1 todo mundo ficava com o pé atrás, afinal um game feito por um estudio americano, em 3-D tinha tudo para dar errado mas graças ao meu bom Deus foi o contrário! A Retro demonstrou que não brinca em serviço e criou um dos games + memoráveis da história.

    Comentário do AvcF: nem me fale muito dos primeiros Primes, pois não consegui comprar o Prime Trilogy… 🙁
    E Trouble Man, não joguei Metroid Prime 2, por isso não falei desse jogo

  8. essa é a unica franquia da nintendo q realmente me desperta algum interesse, joguei o primeiro e gostei muito mas não sei se apostaria em comprar um wii pra jogar o 3 para depois me arrepender e vender o wii como fiz com o game cube

  9. Os mais assíduos vão se lembrar de quantas vezes eu falei que o controller do GameCube era simplesmente PERFEITO para os First-person shooters (bem melhor que os de Playstation, Dreamcast e Nintendo 64, por exemplo), pois se podia ter uma manuseabilidade extremamente versátil dos comandos. Muito bem, isso eu falei justamente baseado no primeiro Metroid Prime para o console (que até o momento é o único que eu joguei – e o tenho aqui original guardado ate hoje! 😉 ).

    Agora, é ótimo que pelo jeito a Nintendo tenha conseguido transcender tudo isso com o Wiimote.

  10. @Trouble Man Concordo plenamente com você meu amigo! O controle do Cube realmente é uma luva de tão bom que é! Também acho que ele poderia ter sido melhor utilizado tendo em vista que os botões ”L” e ”R” são sensíveis a dois níveis de pressão, um dos poucos games que utilizou isso foi o Mario Sunshine e o Star Wars, tipo no sunshine vc pressionava o botão levemente e o Mario andava enquanto usava o squeeze, já se vc pressionava até dar um ”click” ele parava e vc podia mirar mais precisamente. Fora que a disposição dos botões era de fácil memorização e super macios * – * E Avcf eu não comprei o Trilogy eu já tinha as versões do Cube do Pirme 1 e 2 daí não faria sentido comprar o trilogy =/ comprei então o 3 do wii mesmo!

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