Bad Trip – Tomb Raider 2 (PSX,PC)

Saudações aos amigos imaginários.

Mais uma repostagem e mais um Bad Trip, para alegria da criançada da internet. Falo hoje sobre um dos maiores embustes da história dos videogames, a patética e mentirosa franquia Tomb Raider, (mal) representada aqui pelo constrangedor Tomb Raider 2: The Dagger of Xian, originalmente lançado para Playstation e PC. No Bad Trip vocês já sabem, só os piores e os mais lamentáveis entram na roda da humilhação perpétua. Texto na continuação do link, como de praxe. Amanhã tem mais e até a próxima postagem aqui no Loading Time.

Após algum tempo, volto a contar minhas vergonhosas experiências com jogos que nunca deveriam ter saído das prateleiras das lojas onde só ocupavam espaço e acumulavam poeira. Ou de terem saído da cabeça dos manés que se propõem a faturar dinheiro fácil com joguetes de qualidade duvidosa. Ou sem qualidade. Aproveitando o embalo do texto do meu companheiro de blog, hoje chutarei o pau da barraca de um joguinho safado de ruim: Tomb Raider 2. Ainda não creio como era ruim.

Surgido no meio dos anos noventa, ganhou uma continuação em 1997, com um relativo sucesso movido a muito marketing e jabá nas revistas especializadas. Pelo fato do jogo ter uma protagonista do sexo feminino, foi marketeado como algo inovador, isso porque Metroid e Super Metroid já tinham Samus em ação muito tempo antes. No começo era até engraçado, mas em pouco tempo já era irritante ver até o Globo Rural e a revista Casa e Jardim falar do pseudo-fenômeno Lara Croft. Clone feminino com shortinho atochado do Indiana Jones, seu carisma era inversamente proporcional ao tamanho de seus peitos triangulares. De coisa de criança, passando por reprodutores de violência, naquele momento os videogames se transformaram em plataformas com mulheres muito mal modeladas e desesperadas em demonstrar um “sex appeal” kitsh e até deprimente.

Acostumado a sempre procurar o que havia de melhor nas plataformas da época, desconfiei desde o inicio daquela franquia e de toda aquela promoção em cima daquela mulher deformada. Mesmo assim, por generosidade de minha parte, acabei caindo no conto do vigário. Tudo por querer apenas “dar uma chance”. Que vergonha. Admito.

Na época, vivia em Taubaté e era o auge dos jogos “Capitão Gancho” a módicos cinco reais. Quem poderia resistir? Como eu tinha um Nintendo 64 e seus malditos e caríssimos cartuchos, ía frequentemente na casa de um amigo meu jogar a tranqueirada que ele comprava com exclusividade dos melhores pirateiros. Era comum o pessoal ter estojos com cem, duzentos até trezentos CDS com nomes escritos errados com aquelas canetas de retro projetor. Em uma dessas caças a alguma coisa para jogar, me deparei com o Tomb Raider II: Quest for the Dagger of Xian. Como dezenas de outros jogos de sua época, este tinha sua abominável CG pré-renderizada na abertura, artisticamente bem ruim e mal dirigida, mas como era de costume também, o suficiente para impressionar a turminha da geração playstation.

Comecei a acompanhar a jogatina do meu amigo e não tive uma impressão inicial muito animadora. Tudo parecia muito quadrado, os gráficos eram estourados, os controles eram estranhos. No fim, ele acabou enterrando aquele CD no estojo e jogando alguma coisa melhor. Como a maioria dos jogos do Playstation eram de fato bem feios, não achei aquilo anormal ou abaixo da média, então não parecia tão ruim. Quanta inocência…

Algum tempo depois eu achei aquele jogo sendo vendido em uma daquelas revistas que vinham com um jogo “de brinde”, claro que não caía nesse papo de brinde, mas o preço era bem mais barato que um original com caixa vendido nas lojas. Comprei bons jogos nesse esquema ao longo dos anos, como Lord of the Realms 2, Tron 2.0, Shogo, entre outros. Aí veio o maldito Tomb Raider.

Logo que instalei na máquina e começar a “jogar” aquilo, parei, olhei em volta, respirei, refleti e finalmente me perguntei… Como pude comprar isso?????? Não acreditava ao olhar para aquela aberração rodando bem na minha frente. Os gráficos eram quadrados e estourados como no Playstation, mas ainda piores com a resolução do monitor. Todos os lugares davam uma sensação irritante de que faltavam elementos para compor aquelas tentativas de cenários. Por falar neles, o estágio inicial, a mansão da Lara Croft, era sensacionalmente trash. Servindo como uma espécie de tutorial disfarçado, a nababesca localidade era totalmente aberta e explorável, para fazer com que o jogador descobrisse o quão travados, duros e terrivelmente mal projetados eram os controles.

O level design era constrangedor de tão ruim e parece ter sido feito por freqüentadores dos alcoólicos anônimos. Ou eles realmente tinham sérios problemas etílicos ou eram seres bizarros que achavam perfeitamente normal pessoas que realizavam proezas como pular nas pias de suas cozinhas, escalarem na sala de jantar ou trancar o mordomo dentro do frigorífico. Não tenho palavras para descrever minhas reações nestes momentos.

O jogo em si ía se passando em várias localidades famosas como as muralhas da China ou a cidade de Veneza, que a exploradora tinha de viajar para encontrar o tal artefato do título. Todas mal e porcamente representadas, cheias de texturas fora de lugar, bugs para dar e vender e pontos vazios que só serviam para atrasar o jogador, tornando a experiência geral ainda mais frustrante. Era tudo tão confuso e mal dirigido, que não duvido que a noção de mundo dos produtores não ía além da esquina de suas casas.

Os combates contra inimigos pretensamente humanos de tão feios, eram pavorosos e capazes de dar vergonha alheia em quem via outra pessoa jogar. A mira automática simplesmente não funcionava e a Lara era incapaz de fazer qualquer outra coisa enquanto estava com aquelas quase inúteis pistolas automáticas em suas mãos. Mais ridículo ainda era ter de fugir de alguns inimigos correndo com os braços esticados no melhor estilo dos figurantes de filmes de zumbis. Era mesmo vergonhoso.

Para completar a genialidade geral, não havia qualquer trilha sonora durante as fases, você era obrigado a agüentar os repetitivos efeitos sonoros e os ainda piores e constrangedores gritinhos e cacarejos da personagem, criando uma sinfonia de “ahns”! ’ e “ohs!” que poderiam ser até reaproveitados por sonoplastas de filmes pornôs.

O resto da história vocês conhecem bem, uma seqüência de jogos cada vez piores e mais cheios de bugs que os anteriores, até se tornar a piada atual que é na indústria dos jogos. É verdade que o character design da Lara Croft melhorou muito nos últimos anos, evoluindo de deformada para genérica, mas ainda sim tem diversos títulos de aventura melhores que essa malfadada série. Faça como milhares de jogadores pelo mundo e esqueça essa porcaria. Seu console agradece.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time

Publicado originalmente em 6 de setembro de 2007

11 thoughts on “Bad Trip – Tomb Raider 2 (PSX,PC)

  1. Lembro que sempre via todo mundo jogar algum Tomb Raider e sempre ficava curioso, mas por falta de console não jogava. Ae um dia com meu computador novo resolvi jogar a última versão na época, o Angel Of Darkness. Gráficos bacanas… trilha sonora fraca, jogabilidade horrível… terminei o jogo por desaforo e desde então nunca mais joguei nenhum.

  2. Durante séculos caminhei por essa terra marginalizado.Tratado como uma aberração por não gostar desse tal Tomb Raider.
    É um consolo saber que não sou o único a pensar isso do jogo.Pro inferno essa maldita ditadura dos peitões!!!Além do que o velho PSX tinha muitas outras garotas muito mais interessantes como a Jill Valentine, a Aya Brea, Regina, etc.Todas protagonizaram jogos muito mais bem feitos e divertidos.
    Quanto a feiura dos gráficos, infelizmente quase todos os jogos de PSX eram muito feios até o final de 97.Só então começaram a surgir jogos mais bem acabados e com texturas mais bem feitas como Dino Crisis e Ace combat 3 (esse, na minha humilde opinião, um dos jogos mais bonitos da época)

  3. Oh filho, graficos quadradões? mulher mal modelada? TR2 é do Ano de 97, o q vc queria?? e outra graficos não é tudo enunca foi o forte da série, TRAOD para quem não sabe foi feito a base de pessão, bando de cuzão vcs viu.

  4. Pelo baixo nível daquilo que você acha que é argumentação dá pra ver idéia não deve ser seu forte. E daí que foi em 97, qualquer um sabe que tinham jogos melhores naquele ano . Com ou sem “pessão”(seja lá o que isso signifique), os gráficos eram ruins, lotados de bugs, mal estruturados e não era nenhum anti-aliasing dos pcs com placa de video que salvaria a situação.

  5. Não tem mesmo muita desculpa, o próprio psx tinha muitas coisas muito mais interessantes a se jogar. Tomb raider nunca me convenceu, rs.
    Nunca fui grande fã da série, e nunca entendi a febre que ela gerou nos anos 90, mas tudo bem, eu sempre torço o nariz pras “febres gamers”, até que os games mostrem o que têm de melhor.

  6. Não consegui terminar nenhum dos jogos, sempre achei as fases ridiculamente grandes e sem sentido, sem saber para onde ia…. a jogabilidade era ruim SÓ porque os controles respondiam lentamente, mas nada confuso ou duro….. prefiro muito mais jogar a jogabilidade do tomb raider do que o do 007 (não me matem!!!) digo isso pq jogo de fps tem que ser com mouse e teclado (quake 1!) hehehehe não estou defendendo, mas só achei exagerado seu review Oo’
    apesar de concordar com quase tudo…… hahahahhaha

  7. quake 1 no pc rules!!! mas como atualmente quase ninguem joga, o quake 3 para mim eh seu descendente direto….e agora o quake live, joguem q tah mto bom! (so falta eles melhorarem um poco o ping dos brazuca, colocando servidor aqui tmb!)

  8. A meu ver esse Bad Trip deveria ter sido feito englobando TODA A SÉRIE – do primeiro ao mais recente jogo da série – e não apenas com o Tomb Raider 2.

    Me lembro da Revista Ação Games endeusando a lara Croft como se fosse uma modelo de verdade. Digo… ficar babando num aglomerado de polígonos mal-feitos/mal-reunidos. Típico da 5ª geração mesmo…

  9. Discordo completamente dessa “análise” do jogo tomb raider 2. O jogo tem sim seus defeitos, mas era um dos melhores jogos de ação e aventura do ano. Os gráficos eram feios, porém eram em um ambiente 100% 3D, diferente de jogos como Resident Evil (1996) que eram pseudo 3D (pré-renderizado). No P.S1 o melhor jogo da franquia era Tomb Raider The Last Revelation (1999), com gráficos muito bonitos (para a época), jogabilidade aprimorada, e a melhor história da franquia, além de diversas novidades.

  10. Não existem jogos ruins, aprendi isso recentemente. Existem jogos que você gosta, jogos que você não gosta, e tem ainda aqueles jogos que você não gosta HOJE. Se hoje somos felizes com Prince of Persia, Uncharted e outros foi graças a essa equipe de “merda” que conseguiu inventar um jeito de fazer uma personagem escalar montanhas. Video Games são assim: Ontem a bola era formada por 1 quadrado (ATARI), depois por 16, e hoje por várias centenas.

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