Reparando uma injustiça histórica: joguei Duck Tales pela primeira vez

Reparando uma injustiça histórica: joguei Duck Tales pela primeira vez

DuckDestaque

Saudações aos mochileiros.

Como a atual geração de games se encontra em um marasmo só, resolvi então dar mais atenção aos clássicos de verdade, deixando de lado os “GOTYs” semanais dos rardecores que vivem aparecendo nos sites e portais gamísticos. Quanto ao título, é isso mesmo que vocês leram; porém acalmem-se: a justiça tardou mas não falhou. Acompanhem no link.

Por algum motivo que me foge à memória, eu nunca joguei Duck Tales no meu tempo de NES. Entre tantos clássicos que aquele console teve, acabei pulando justamente as aventuras de Tio Patinhas e seus sobrinhos. Acabei apenas jogando a sequência, Duck Tales 2, grande jogo também mas que não tinha o charme do game original. Mas antes tarde do que nunca, certo? Como contei em um post anterior, após resgatar um NES do limbo, fui escarafunchando por aí atrás de games clássicos. Após alguma dificuldade, vejam o que consegui:

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“Gato não incluso”

Porque só jogando no console para se ter uma experiência autêntica

Aproveito para confessar a vocês que ao colocar o cartucho para funcionar no NES, fiquei arrepiado assim que o tema da série ecoou pelas caixas de som da televisão. Mesmo sob aquela simplicidade sonora típica de um game de 1989, foi impossível não se lembrar disso:


Desenho clássico é clássico

Passado esse instante de nostalgia, vamos ao jogo em si. Como será que foi jogar Duck Tales 22 anos depois que foi lançado? Teria o jogo envelhecido bem?

Diamonds are forever

Parafraseando o sub-título de um dos filmes antigos de James Bond, clássicos, assim como diamantes, são eternos. E Duck Tales é indubitávelmente clássico.O joguete é sensacional mesmo, me divertindo bastante durante o tempo que passei com ele. Para quem não jogou ou não se lembra, o jogo apresentava cinco fases à escolha do jogador: The Amazon, Transylvania, African Mines, The Himalayas e a antológica The Moon (já falarei mais sobre essa fase). Cada uma delas possuia um mapa enorme, cheia de passagens e tesouros secretos. E era justamente aí que estava a graça do jogo, pois tal qual ocorria nos episódios da tevê, Tio Patinhas (ou se preferirem o original, Uncle Scrooge) passava, sob o comando do jogador, pelos picos mais longínquos do planeta em busca de raríssimos e valiosos tesouros. Afinal, ele tinha que ser o pato mais rico do mundo, lembram-se?

A mecânica de jogo desenvolvida pela Capcom incrivelmente funciona bem até hoje. Os controles são precisos e todo o level design se mostra muito bem encaixado, entre pontos que exigem saltos mais precisos, posicionamento dos inimigos como acessórios para acessar baús e pontos secretos, items disponíveis e etc. É interessante notar também como uma simples bengala pode ser tão útil, uma vez que é através dela que Patinhas interage de forma efetiva com os elementos de jogo e ataque seus inimigos. Aliás, quem na época imaginaria que uma bengala podia ser usada como um pula-pula (pogo stick) ou um taco de golfe? Isso unido a uma mecânica “de plataforma”, que como já mencionei, é muito bem feita, especialmente porque a Capcom estava em uma fase inspiradíssima (muito diferente da mercenária de hoje) pois um ano antes de Duck Tales, nada menos que clássico Mega Man 2 fora lançado. Falando em Mega Man, Yoshihiro Sakaguchi compositor das músicas do Blue Bomber também trabalhou nas de Duck Tales.

DuckNintendoPower
Para vocês terem uma idéia do prestígio que esse jogo tinha em seu tempo

E sim, não se pode falar em Duck Tales sem falar da The Moon stage. Que fase, que música. Aí o video que não me deixa mentir:

Mas não era apenas a música que era sensacional, mas a fase também muito divertida de se jogar. Primeiro que nela haviam três ambientes distintos(a lua em si, uma nave espacial e o subterrâneo), algo que não era comum em games NES da época; segundo que havia um tesouro escondido e uma pequena missão antes de poder chegar na parte final. Até mesmo rolava uma participação de um personagem do desenho animado (que por sinal acontecia em algumas das outras fases também).

Embora tenha sido uma experiência um pouco curta, uma vez que são apenas cinco fases, e até porque não estou podendo me didicar a jogos agora (terminar facul é f&*%), minha experiência com Duck Tales foi deveras agradável, muito legal mesmo. Mesmo 22 anos depois, DT ainda é um jogo fodástico, que envelheceu com muita dignidade, mantendo seu charme e agilidade, tal qual o próprio Tio Patinhas. Talvez minha única crítica fique por conta dos chefes meia-boca presentes no jogo, não passando de uns bonecos genéricos (só a Maga Patalógica se salva um pouco nesse quesito) e ridicularmente fracos. Uns pulinhos no cocoruto e era só passar a régua pra fechar a conta. Porém como o resto do jogo era tão bom, para mim esse detalhe é apenas irrisório.

Então é isso, amigos, exatamente como escrevi no título, reparei uma injustiça histórica. Afinal, como pude passar pela geração NES sem experimentar um dos games mais populares e clássicos da época? Felizmente pude corrigir essa falha em minha tragetória gamística. Nunca há tempo para jogar tudo o que queremos, então sempre tem alguns clássicos que acabam escapando mesmo. E é justamente por serem clássicos que temos a oportunidade de jogá-los mesmo muito anos depois do lançamento original e aproveitá-los como se fosse a primeira vez, por assim dizer.

Mais uma vez desculpa pela demora em postar novos textos aqui no Loading Time, não tem muito jeito infelizmente. Mas de uma forma ou de outra, vamos em frente. Espero que tenham gostado de relembrar de Duck Tales, esse grande game. E que saudades que tenho do desenho animado.

AvcF – Loading Time.

14 thoughts on “Reparando uma injustiça histórica: joguei Duck Tales pela primeira vez

  1. Indiscutivelmente um jogo muito bom, joguei na minha época de Nintendo e seus excelentes companheiros de pratileira…Chip’n Dale (Tico e Teco) e Darkwing Duck…Sem mais…

  2. Embora curta bem mais Castle Of Illusion e Quackshot, os dois Duck Tales do NES e os dois Chip ‘N’ Dale: Rescue rangers também matavam a pau!

    Também curto bastante aquele Mickeymania.

  3. Esse jogo é muito bom, tive o prazer de jogar ele na sua época, e de jogar novamente esses dias.

    Sobre a nova geração ser um marasmo eu concordo com você André, não é atoa que estou voltando pros clássicos.

  4. Viver de Nintendo talvez seja uma alternativa a tanto shooter genérico, tanto jogo querendo ser filme, com mais cenas em CG que gameplay, tanto rpg com personagens emo-andróginos, tanto jogo lançado em estágio beta (e depois infinitos patches pra corrigir erros grosseiros e primários) com conteúdo que está no próprio disco sendo vendo como DLC, tanto jogo de corrida “realista” (até parece) que parecem ter se esquecido da diversão arcade, enfim a tantos jogos que querem mais parecer “eu sou fodástico” que efetivamente divertir. Não digo que a Nintendo está totalmente livre disso, mas os seus aparelhos ao menos tem o Virtual Console, que tem jogos que dão uma aula em muito joguete mequetrefe que tem por aí, e ensinam aos molecotes “Turma do Nescau Cereal” o que é videogame de verdade.

    1. A pior coisa da velhice é a intolerância as coisas novas, em meus 33 anos de vida , e mais de 25 de games, eu lhe digo meu caro Gilmar : Só vive de Shooter quem quer , nunca na história dos videogames foram lançados tantos titulos dos mais variados generos como hoje. Só vive no marasmo quem não se propõe a jogar de TUDO, e tudo que não for Nintendo é “Rardcore” , é dispensável , pera lá né meu !?!? “Videogame de verdade” , Videogame de mentira” , o que é isso ??? O tempo passa , os jogos hoje são esses , enquanto se buscar coisas antigas nos games novos as chances de se decepcionar são grandes. Vamos nos divertir mais, e reclamar menos, pois tirando a seca de jogos do Wii , e 3DS , tem muita coisa saindo nos outros consoles , e o principal ; para todos os gostos.

  5. Clint, eu tenho 23! Pra mim o problema do videogame hoje é a rendição aos clichês, ao que “dá dinheiro”. Diga um jogo da atual geração que ousou misturar simulação de cidades com ação, como Actraisers do Snes? Diga qual o jogo baseado em animações que consegue ser tão bom hoje em dia quanto The lion king ou Alladin do Mega Drive? Na época dos 16 bits, até jogo dos Power Rangers era bom cara. Já cheguei ao cúmulo de ver em sites “especializados” que jogo X seria excelente pois seria feito na Unreal Engine… Você não precisa saber o nome e o conceito do jogo, basta que ele tenha a unreal ou qualquer engine moderna e gráficos em HD, e imediatamente ele é dito como promissor. É a geração das impressões e não das sensações. E não me leve a mal, adoro muitos jogos HD´s como Street Fighter 4 e Marvel vs Capcom, Burnout Paradise, Batman Arkham Asylum (Esse justamente por seguir o conceito que era muito usado nos jogos antigos, ele é um jogo do gênero BATMAN, feito pensando nele e no seu modo de agir, diferente dos jogos do homem aranha por exemplo, que se apropriam de fórmulas de ação genéricas) entre outros. O que eu sinceramente acho é que o público precisa ficar mais exigente, não comprando jogos q

  6. Clint, eu tenho 23! Pra mim o problema do videogame hoje é a rendição aos clichês, ao que “dá dinheiro”. Diga um jogo da atual geração que ousou misturar simulação de cidades com ação, como Actraisers do Snes? Diga qual o jogo baseado em animações que consegue ser tão bom hoje em dia quanto The lion king ou Alladin do Mega Drive? Na época dos 16 bits, até jogo dos Power Rangers era bom cara. Já cheguei ao cúmulo de ver em sites “especializados” que jogo X seria excelente pois seria feito na Unreal Engine… Você não precisa saber o nome e o conceito do jogo, basta que ele tenha a unreal ou qualquer engine moderna e gráficos em HD, e imediatamente ele é dito como promissor. É a geração das impressões e não das sensações. E não me leve a mal, adoro muitos jogos HD´s como Street Fighter 4 e Marvel vs Capcom, Burnout Paradise, Batman Arkham Asylum (Esse justamente por seguir o conceito que era muito usado nos jogos antigos, ele é um jogo do gênero BATMAN, feito pensando nele e no seu modo de agir, diferente dos jogos do homem aranha por exemplo, que se apropriam de fórmulas de ação genéricas) entre outros. O que eu sinceramente acho é que o público precisa ficar mais exigente, não comprando jogos são lançados praticamente inacabados, refutando pacotes de expansão oportunistas e lembrando aos estúdios que quem compra games quer jogar, e não ver horas de cenas animadas.

  7. Olha Gilmar , eu respeito seu ponto de vista cara , mas pela sua resposta deu para saber que você definitivamente não conhece a biblioteca de jogos dos consoles HD . Pessoal rotula demais as coisas hoje em dia , “o Wii é casual ” , ou “o PS3 e 360 são rardcore ” nada haver isso. Rardcore , ou casual é o JOGADOR , não os jogos. Quem dedica parte de seu precioso tempo criando , escrevendo , se informando em um blog de games é casual ????? Em relação aos jogos. de uma olhada nos games disponíveis na Playstation Network , e na Live como: Limbo , Outland , Braind , Shank, Plant VS Zombies, Moon Diver , Hard Corps Uprising , só para citar os que eu tenho , dê uma olhada, e tire suas próprias conclusões pois o oferta de titulos é enorme, são games com forte apelo Old School, por isso eu acho que a reclamação é sem fundamento. Com uma “gelada” esse debate seria melhor ainda. Abraços!!!

  8. Cara, é sempre bom discutir com pessoas que tem argumentos bem fundamentados! Agora imagina se todos esses jogos fossem feitos com o investimentos das grandes produções, somando com a ousadia criativa que eles têm? Seriam clássicos eternos…Como o Duck Tales. Abraços!

  9. Equipes de 100+ pessoas, orçamentos milionários, anos de desenvolvimento… E mesmo assim mal aparecem 5 jogos por ano que pareçam serem bons. Enquanto isso equipes com 1/4 ou até 1/8 desse tamanho, orçamento modesto e feitos em no máximo 6 meses do conceito até a finalização conseguem ser jogos melhores… É. Marasmo é uma ótima maneira de colocar isso.

    Por comparação eu não tenho idéia do porque eu devia me contentar com jogos medíocres com valores de produção altos quando existem condições de fazer jogos melhores. Old School não são apenas os gráficos ou gimmicks de mecânica, usar apenas isso é colocar um jogo hardcore na pele de um jogo Old School.

  10. Zero , você chegou ao ponto onde eu queria. Jogos podem ser em 2d ou 3d, em HD ou SD, não importa. Quando eu me referi à geração 16 bits, falava sobre valores de produção, de como um jogo do Mickey não era mal feito só porque venderia de qualquer forma por conta do personagem e conseguia figurar até mesmo como um dos melhores da geração (tanto o mega como o Snes tinham excelentes games da Dysney). Esse tipo de mentalidade é que falta aos desenvolvedores hoje em dia, quando um jogo já tem DLC pronto antes do jogo ser lançado…

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