Rare completa 25 anos: do pó vieste; ao pó voltou

Saudações aos melindrosos.

A Rare completou hoje 25 anos de existência, e embora tenha um logo novo (como vocês vêem na imagem acima), não há mais o que comemorar. Seja como for, falarei um pouco sobre a trajetória dela no post de hoje. Sigam-me.

Nascida da iniciativa dos irmãos Chris e Tim Stamper, a então Ulimate surgiu na Inglaterra como uma pequena empresa de jogos para computador. A pequena empresa era formada por pessoas talentosas, e durante a década de 1980 fez alguns clássicos para computadores, jogos como Knight Lore, Sabrewulf e Underwurlde. Então, com a ascensão do NES, a empresa mudou seu nome para Rare e passou a desenvolver jogos para o console de 8-bits da Nintendo. Sé é verdade que por um lado a Rare foi obrigada a produzir muita porcaria licenciada para a Acclaim (joguetes de filmes, WWE e afins) por outro, ao menos ela criou três clássicos para o NES: RC Pro AM 2, Battletoads e Battletoads & Double Dragon: The Ultimate Team.

Mas a era de ouro da Rare só veio mesmo em 1994, durante o auge da era 16-bits, com o clássico eterno Donkey Kong Country.

Além de ser um marco na história dos video games, DKC catapultou a Rare ao panteão das grandes empresas desenvolvedoras, como Capcom e Konami, por exemplo. Donkey Kong Country se tornou uma trilogia de qualidade, e na mesma época ainda teve o lançamento do clássico de arcade Killer Instinct.

A era Nintendo 64

Um ano após o lançamento de Donkey Kong Country 3 a Rare lançou outro clássico dos video games: 007 Goldeneye, até hoje o melhor e mais bem sucedido game baseado nos filmes James Bond. Além de ser um belo jogo de tiro (para os padrões da época; hoje já está um pouco envelhecido), Goldeneye foi responsável por quebrar o paradigma de que jogos de tiro eram exclusivos para os computadores. No campo dos consoles, ajudou a impulsionar a popularidade do Nintendo 64. Até hoje é um dos jogos mais lembrados e reverenciados daquele console.

A trilha de sucessos continuou com games como Banjo-Kazooie, Diddy Kong Racing, Jet Force Gemini e Donkey Kong 64. Mas o ponto alto (e final) dessa fase virtuosa foi a “sequência espiritual” de 007 Goldeneye, o clássico de tiro Perfect Dark

O começo do fim

Perfect Dark marcou o fim da melhor fase da Rare. Ainda na mesma geração ela lançou o medíocre Conker Bad Fur Day, que embora tenha seus momentos de humor negro, não é grandes coisa como jogo.O jogo seguinte foi o fiasco conhecido por Star Fox Adventures, lançado no início do ciclo do GameCube. Foi nessa época também que a Rare foi comprada pela Microsoft, deixando de ser uma parceira da Nintendo. Durante a geração Xbox, a Rare foi muito pouco produtiva, lançando apenas dois games (sendo que um era remake do Conker). Quando o Xbox 360 foi lançado, o que prometia ser o retorno triunfal foi um novo fiasco. Perfect Dark Zero e Kameo: Elements of Power se mostraram medíocres e sem graça (eu joguei os dois em 2005) e em nada ajudaram o X360 em seu lançamento.

O tempo fez com que a Rare fosse murchando até a insignificância. A tentativa mais recente de lançar um grande game foi com Banjo-Kazooie: Nuts & Bolts, porém o game foi um fracasso comercial e decepção para muitos jogadores que esperavam ter uma experiência próxima a dos games do Nintendo 64. Hoje a Rare é como uma Sega ou SNK, aquele tipo de empresa que “morreu mas esqueceram de enterrar”. Vive de suas glórias do passado, mas quando tenta repetí-las, falha miseravelmente.

Mas seja como for, torço para que a Rare se recupere. Torço para quem sabe um dia ela lançe um Killer Instinct 3 ou um novo Battetoads fodão, deslumbrando os jogadores de hoje como ela fazia nos anos 1990. Tá certo que nem os irmãos Stamper estão mais lá, mas sonhar não custa nada. Noves fora, a Rare escreveu seu nome na história dos video games, e isso nunca irá mudar. Pelo menos isso.

Abraços e até o próximo post.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

19 thoughts on “Rare completa 25 anos: do pó vieste; ao pó voltou

  1. saudades do meu dk3……. tava jogando esses dias e até postei no facebook uma foto dele com 105% =D

    isso me lembra que preciso comprar um 007 goldeneye pro 64 oO’

  2. A Rare foi a empresa certa na hora certa.

    Gozou de bons momentos por causa da Nintendo. E só.

    Nem assim conseguiu manter o nível durante todo o tempo.

    E finalmente é bom ver mais alguém que reconheça a ruindade que é aquele Conker’s. Que chamou mais atenção por causa do conteúdo “maduro” do que do gameplay em si.

    Não tenho mais esperanças. É difícil uma empresa que caiu tanto dar a volta por cima. Nem a Sega conseguiu.

    Rareware só mesmo na memória. Fica o legado pelos jogos e pelo grande momento que viveu.

    E Starfox Adventures diverte. Algumas pessoas ficaram numa comparação com Zelda e isso tirou o brilho do jogo (pra mim a única coisa que avacalhou são os excessos de missões com tempo. Isso é chato).

  3. A humanidade precisa de um novo Battletoads. Numa dessas aí sim a rare volta.

    E nunca fui com a cara do jet Force Gemini, sempre o achei muito babaca. Tinha também aquele Blast Corps pra Nintendo 64, que eu achava babaquiiinha que dói. Mas em compensação tinha Banjo-Kazooie ( que tenho até hoje aqui comigo) e sua superior seqüência Banjo-Tooie, que eram demais.

  4. Já eu abominava esse Killer Instinct. Cruisin’ USA (e suas seqüẽncias) também, nunca chegou aos pés de Daytona USA nos Arcades.

  5. Eu gostei dos dois Banjo_Kazooie de Nintendo 64, sendo que o segundo (Banjo-Tooie) é muito superior (e mais difícil) que o primeiro.

    Dificilmente a Rare volta, já que ela meio que “perdeu o rebolado”. O auge deles (de popularidade) foi mesmo nos anos em que lançou jogos pro Nintendo 64 – entre 1996 e 2000, mais ou menos.

  6. Quando vi a notícia que Dave Wise tinha deixado a Rare tive a esperança de que ele pudesse ser contratado pela Nintendo para fazer a trilha do novo DK.

  7. Realmente, o que aconteceu com a Rare? Eu até poderia dizer que foi uma “maldiçãozinha” da Nintendo mas… a queda foi antes! O que aconteceu? Mudaram de diretor?! De equipe?! O que??

    Pra mim a queda começou com Perfect Dark – Detesto jogos com slowdowns quase constantes…

  8. @Gelo: eles melhoraram bem a versão pro X-Box Live – ficou do jeito que deveria ter sido quando saiu em 2000 pro Nintendo 64.

    Me lembro do Battletoads, ô jogo foda!

  9. Já comentei isso antes, uma empresa é composta por pessoas e com a Rare não é diferente, os gênios que eram a essência da Rare se mandaram de lá faz um bom tempo acho que foi em 2001 e fundaram a Free Radical Design, ou seja a Rare como conheciamos nunca mais vai ser vista como nos bons tempos. Infelizmente somente o seu passado de glórias restará em nossas lembranças (e seus maravilhosos games também). A propósito esse logo novo é horrível!

  10. Ótimo post!

    Gostava muito de Battletoads & Double Dragon para Snes.

    Como sou fã de FC e esse estilo “cyberpunk”, acabei fazendo questão de jogar Perfect Dark Zero para Xbox 360. Até gostei do jogo, mas concordo que ele tem muitos defeitos e agora que estou jogando o remake do jogo de N64 para XBLA, vejo que o jogo original está um nível bem acima do seu prólogo.

  11. @Trouble Man: Pois é, eu vi um review dizendo que o jogo estava melhor que o original, apesar de ainda ser relativamente obsoleto aos atuais. De qualquer forma preferi não arriscar, já que eu não sou muito fã de FPS mesmo…^^

  12. @Trouble Man: Tem razão. Mas levando em conta o potencial técnico que poderia ser aproveitado nessa adaptação (N64>X360) o jogo poderia ter melhorado BEM mais. Tudo bem que os jogos da Live tem a fama de não serem “muito complexos”, mas eu ainda esperava um pouco mais deles.

  13. Poderia sim. O que mata um pouco por exemplo (já desviando MAIS OU MENOS do tema) é que por exemplo o GameCube foi um puta console “urucado” da porra, mas ao menos seu controller para jogos em primeira pessoa era um mimo (vide os dois Metroid Prime pro console)! Pena que não aproveitaram isso e não saiu nenhum Goldeneye ou Perfect Dark pra ele… 🙁

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