Queria jogos mais baratos? Pergunte ao Sandro Mabel…

Wilson Dias/ABr

Saudações aos faristeus.

Parece até ser uma grande e mórbida coincidência que o último post tenha justamente sido sobre a questão da pirataria, já que essa discussão quase sempre se envereda pela questão da ata carga tributária que torna os preços altos, que por sua vez incentiva a pirataria.De qualquer forma, recebemos mais uma notícia “totalmente excelente” direto dos representantes de nosso governo bananeiro:

Comissão rejeita emenda que reduzia carga tributária

Votação varou a madrugada e só foi concluída às 5h53

Aprovada, proposta segue para o plenário da Câmara

Deputados já prevêem que texto sofrerá modificações

Depois de quase dez horas de sessão, a comissão especial da reforma tributária concluiu a votação da proposta. Deu-se às 5h53.

O texto base do relator Sandro Mabel (PR-GO) fora aprovado ainda na noite de quinta (19). Mas havia um lote de emendas sugerindo alterações.

Decidiu-se entrar pela madrugada. Foram exatas nove horas e 53 minutos ininterruptos de sessão.

Quem sobreviveu aos debates, como o signatário do blog, ficou com a impressão de que, concluída a votação, produziu-se um monstrengo que, longe de reduzir, pode aumentar a carga de tributos.

As más intenções ficaram explícitas no instante em que foi votada uma emenda propondo uma regra explícita de redução de tributos. A poda seria gradual: 1% ao ano, durante os próximos oito anos.

A proposta, de autoria do deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC) foi, obviamente, rejeitada pela maioria governista. Só DEM, PSDB e PPS disseram “sim”.

Contra a vontade do relator Sandro Mabel, aprovou-se uma emenda que afaga os brasileiros pobres: isentaram-se de tributos os alimentos que compõem a cesta básica.

Evitou-se, de resto, um escândalo. Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pendurara na reforma uma emenda que obrigava o governo a renegociar os débitos tributários de sonegadores, parcelando-os.

Sandro Mabel revelou-se simpático à esperteza. Dispôs-se a incorporá-la ao seu texto depois de uma negociação com o ministério da Fazenda. Houve uma grita generalizada. E terminou prevalecendo o bom senso. A proposta foi ao lixo.

Vai abaixo um resumo de algumas das votações da madrugada.

Agora vamos a parte que mais nos interessa:

Softwares: a proposta de Sandro Mabel instituiu a cobrança de ICMs nas operações de venda de softwares (programas de computador).

O PSDB apresentou emenda para retirar a novidade do texto. Foi rejeitada pela comissão. Mabel, porém, comprometeu-se em reabrir as negociações antes da votação no plenário da Câmara.

Perceberam? Muitos profissionais lutam e dão duro para levantar o que um dia já foi um mercado nacional de jogos e mais essa. Como se já não pagasse tributos pesadíssimos sobre os videogames, ainda querem meter a mão mais fundo para raspar o tacho. Para vocês terem uma noção, um jogo para console paga cerca de 233% de imposto. Jogos mais baratos e/ou a preços acessíveis no futuro? Esqueçam. Jogos para computador continuarão na faixa dos noventa e poucos reais? Improvável. Programas de computador continuarão caríssimos para a maior parcela da população? Pode apostar.

E quem é o autor dessa maravilha? O genial deputado Sandro Mabel, relator do texto base para a única reforma tributária do mundo que aumenta imposto e busca formas mais ágeis para a criação de novos tributos, para se somar a salada já existente. Se duvidarem do que digo, olhem o Blog do Josias, fonte das informações que listei aqui em itálico. Mas quem é Sandro Mabel? É aquele mesmo deputado que passou um vexame no CQC?

Mais do que isso. Ele foi um dos pilhados no escândalo do Mensalão, uma das maiores vergonhas da história recente do país. E vergonhosamente também foi inocentado pela câmara, a mesma que livrou a cara de figuras como Professor Luizinho, João Paulo Cunha, José Janene, Vanderval Santos entre outros. Se procurarem nos arquivos dos jornalões e revistas é fácil achar a lista dos notórios mensaleiros. Ou nada que o Google não resolva.

Pelo menos existe uma ponta de esperança nessa história. De acordo com o site Convergência Digital, “A Frente Parlamentar de Informática já esperava por essa postura do relator e agora se organiza para derrubar a proposta original de Mabel, caso este não altere a redação, quando o projeto for discutido e votado no Plenário da Câmara“. Veremos no que tudo isso dará. A minha expectativa é pessimista, mas pelo menos eu estou denunciando esse absurdo que ocorreu ontem.

Fiquem espertos, amigos, afinal o que é ruim pode piorar. Ainda mais quando algo passa pelas mãos de tão nobres representantes do povo. É como diz aquele slogan governamental: Brasil: um país de tolos.

13 thoughts on “Queria jogos mais baratos? Pergunte ao Sandro Mabel…

  1. Enquanto “eles” ficarem lá brincando de governar vai continuar acontecendo isso e coisa pior. A verdade que os maiores interessados (nós) no final das contas ficamos de braços cruzados, reclamamos com o colega ao lado e voltamos a nossas vidas normais, esquecendo rapidamente dos acontecimentos.

  2. Eu pelo menos acompanho no limite do possível as notícias políticas, reflito sobre o assunto, conheço as trajetórias e ideologias das principais figuras. Me lembro em quem eu votei em eleições passadas. Não sou alienado.

    Além de que eu estou denunciando esse fato absurdo, já é alguma coisa. Ainda sim, estou vendo pra mandar e-mail aos deputados envolvidos nesse assunto.

  3. Meu sonho e fazer uma bomba
    tirar uns 10 senadores,uns 10 deputados “JUSTOS E HONESTOS”
    e explodir o lugar com os corruptos!!!
    acho q isso ajudaria bastante o brasil
    ALEM DE DIMINUIR O GASTO!!!

  4. Pra eles é fácil, pois com o salário deles(sem contar o tanto que roubam) fica fácil pagar mais de R$ 200,00 num jogo de X-BOX 360….Ah, é: são todos uns velhos rabugentos que só pensam em roubar e não gostam de jogar.
    Para mim, se existe um honesto lá vai ser influencido pelos outros a roubar também….já ouviram aquele ditado que uma lar anja podre estraga uma caixa inteira? Imagina uma caixa com todas podres e uma só boa…………….
    Agora a gente ganhar um salário minino de R$ 400 e poucos reais e tirar metade do salário para poder jogar é foda….
    Nos E.U.A o preço dum jogo original é equivalente ao de um pirata aqui…..

  5. Hely disse:
    “Nos E.U.A o preço dum jogo original é equivalente ao de um pirata aqui…..”

    hmm 60 dolares x 2.31(preço do dolar em media)=138 reais

    nao creio q isso equivale a um jogo pirata por aki ¬¬

  6. Pirataria é um assunto muito complexo.

    É fácil (tanto para as empresas quanto para os consumidores) jogar a culpa pelos preços altos na carga tributária, mas, por exemplo, a EA – quando quer – vende jogo a R$ 30,00.

    Óbvio que ela tenta aproveitar para o “hype” do lançamento de um game para cobrar um valor que é mais de 3 vezes maior (e lucrar mais), mas aí cabe ao consumidor decidir se aceita o “valor de lançamento”.

    Ressalvo que eu não acho que a carga tributária seja totalmente inocente nessa história, afinal os tributos são repassados para o consumidor. Mas a minha pergunta é se ela é mesmo a maior vilã para o alto preço de nossos consoles e jogos.

  7. Não diria complexo, mas diria difícil de lidar, pois envolve aspectos não apenas econômicos e sociais, como também morais e é aí que a coisa costuma ficar turva. A carga tributária asnal do Brasil age em conjunto com a falta de fiscalização, interesse, informação e de vergonha na cara (em muitos casos), culminando na pirataria de níveis estratosféricos que temos. Tudo isso de forma a rodar um círculo vicioso o qual ainda não fomos capazes de escapar.

    Aí vem um gênio como o exmo. deputado Sandro Rosquinhas Mabel junto de seus asseclas criar (como diria o autor do texto base desse post) “um monstrengo que, longe de reduzir, pode aumentar a carga de tributos.”

    E assim continuamos como sempre, dando um passo a frente para em seguida dar dois para trás.

  8. NitroxxBR
    Você não entendeu meu raciocínio: eu quis dizer que a gente pagar R$ 10,00 aqui ganhando R$ 500 por mês é + ou – equivalente pra eles pagarem U$ 60,00 ganhando por volta de U$ 2000 por mês….

  9. Trem da alegria dos vereadores – Política e Justiça, 02/04/09

    Qualidade e quantidade

    Isso é um absurdo. Não podemos aceitar que isso volte a acontecer. Um número maior de vereadores não vai beneficiar a população de cada município, e, sim, a qualidade dos projetos apresentados e uma maior fiscalização ao prefeito de seu município. E que hoje em dia são poucos que fazem.

    Reginaldo Souza Lima (via DM Online)
    Diario da manha ou no seu ORKUT

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