Pokemon X e Y são os novos clássicos de uma série consagrada

 

Saudações aos leitores.

Segue após o link o texto que havia mencionado que faria sobre os novos títulos dessa que é uma série das mais sensacionais que há nos games.

Grande expectativa

Que os jogos Pokémon, seja os da série principal, seja os spin-offs, são grandes sucessos desde os saudosos Red & Green (Blue, no ocidente), todo mundo já sabia e era óbvio. Porém, após Black & White 2 – os títulos mais recentes, lançados para Nintendo DS – começaram a surgir questionamentos até naturais sobre o fôlego da série (exemplos aqui e aqui). Afinal, a capacidade limitada do Nintendo DS em renderizar polígonos fez com que os títulos recentes ainda não só guardassem bastante semelhança com os anteriores do Game Boy Advance, como também estavam muito distantes de um Pokemon Stadium, por exemplo. Portanto, uma grande expectativa emergiu quando as primeiras informações sobre os primeiros jogos da série para o 3DS.

Revolução poligonal

O grande incremento técnico do 3DS junto do longo tempo de desenvolvimento deram à Pokemon Y e X algo que há muito era desejado: apresentação gráfica tão caprichada quanto os demais quesitos. Afinal, sprites estouradas, estáticas ou mal animadas, fundos de batalha embaçados e economia geral em detalhes sempre acampanhou o excelente sistema de batalha, os vastos continentes onde as aventuras desenrolam, e claro, os carismáticos designs da maioria das criaturas (se bem que tem vários pokes com designs de doer). Dessa vez porém, o continente de Kalos foi belamente representado com bom uso das capacidades poligonais do 3DS, com ambientes cheios de detalhes, efeitos de luz e, no que talvez seja realmente inédito, câmeras com ângulos dinâmicos. Essas melhorias ficaram ainda mais evidentes nos oito ginásios presentes no jogo, que ganharam ambientes tridimensionais e diversos efeitos condizentes com seus temas – o ginásio psíquico foi o que ficou mais legal – e principalmente nos cenários presentes da Liga Pokemon, todos suntuosos de forma a mostrar ao jogador a importância de ter chegado até ali.

Não restou dúvida a mim que as batalhas foram os eventos que mais ganharam com a evolução técnica de X e Y. O destaque ficou sem dúvida para as excelentes animações e efeitos que os golpes ganharam (Brave Bird, Close Combat e Oblivion Wing são bons exemplos), porém acho que a maior diferença foi no dinamismo das lutas, com variações de câmera, como closes e divisões de enquadramento que lembraram muito às das lutas dos saudosos Pokemon Stadium 1 e 2. Assim, as lutas ganharam um “quê” extra de tensão e envolvimento que havia em menor grau em versões recentes. Não posso deixar de mencionar também, claro, a bem executada modelagem dos pokes, que mereceu boa quantidade de detalhes mesmo para os menores bichos, além de animações que davam uma boa idéia da personalidade de cada um, com alguns mais frenéticos, outros com jeito mais agressivo, alguns propositalmente bobos e por aí vai. E por falar em batalhas, a grande novidade nesse sentido foram as mega evoluções, que acionadas pelo jogador a qualquer momento durante as lutas, faz com que determinados pokemons ganhem uma forma extra e aumentem seus poderes de forma instantânea:

Claro que isso tem um custo, pois apenas um pokemon por time pode passar por esse processo, e além disso, o jogador precisa encontrar pedras especiais que são necessárias para engatilhar a transformação. Dessa forma, um elemento que facilmente poderia quebrar o jogo, foi inserido de forma inteligente e que adiciona ainda mais estratégia às lutas, sobretudo entre os jogadores mais competitivos. A única coisa um pouco estranha foi a aparente falta de critério para a escolha das criaturas habilitadas à mega evolução, ficou parecendo algo arbitrário.

O único ponto contra disso tudo é que o preço a se pagar por tamanha evolucão foi uma menor taxa de quadros por segundo, chegando até a ter algumas quedas significativas dependendo dos pokes que estavam na tela (estranhamente o Zubat é um dos que mais causam slows). Essas quedas se tornam ainda mais significativas quando o 3D estereoscópico está ligado, o que faz com que esse efeito se torne mais desnecessário do que já é por natureza. E isso porque só funciona durante as lutas e em alguns menus e telas, pois o 3D é automaticamente desativado na maior parte do jogo. Realmente acho difícil não imaginar uma certa falta de capacidade técnica por parte da Game Freak, pois o 3DS tem jogos mais pesados e que contam com desempenho técnico bastante superior (Resident Evil Relevations é um belo exemplo), e Pokemon X e Y não só naturalmente não exige nem possui gráficos pesados, como ainda por cima exibe imagens bastante serrilhadas e cenários com texturas claramente de baixa resolução.

Simplificação bem-vinda

Falando mais do jogo em si, acho que a marca que X e Y deixará na série será a da muito bem-vinda simplificação de sua estrutura de jogo. Tudo o que envolve o desenvolvimento dos pokemons ficou mais direto, simples e intuitivo, em especial para aqueles que gostam de gastar tempo na busca do pokemon perfeito para batalhas competitivas. Isso porque surgiram os modos Pokemon-amie e Super Training, feitos através de mini-games simples, respectivamente simplificarem o processo de relacionamento e treinamento das criaturas. Afinal, conforme a série foi avançando, elementos como natures, EVs, novos tipos e mesmo o grau de felicidade dos pokes passaram a influenciar o desempenho nas lutas, ao mesmo tempo que nunca foram explicados ou mesmo explicitados ao jogador, que tinha não só que se virar sozinho, como ficar calculando dados que eram “invisíveis”. Dessa forma, o Super Training em especial desmistifica o conceito dos Effort Values, que por sua vez influenciam nos diferentes stats dos pokemons, fazendo com que o jogador tenha o controle sobre eles de forma clara. E ainda por cima, brincar com os mini-games é bem mais divertido que passar horas lutando repetidamente contra os mesmos monstros somente para ganhar um ponto extra de HP ou Speed.

Além disso, o jogo em si ficou mais rápido e descomplicado para o jogador, uma vez que nunca se teve tamanha variedade de pokemons para capturar desde o início. Isso porque, ao contrário de versões recentes em que para focar nas novas criaturas, escondia-se as mas antigas no pós-game, em X e Y nunca o lema “gotta catch them’all” fez tanto sentido. A princípio isso pode parecer uma jogada fácil de nostalgia, porém, montar um time variado ajuda muito durante a progressão do jogo, dando ao jogador mais opções de ataque e mais maneiras de lidar com fraquezas. Por outro lado, a nostalgia mesmo ficou por conta do jogador poder novamente escolher entre Squirtle, Chamander e Bulbasaur entre os iníciais, isso logo após a conquista da primeira insignia, o que faz com que o jogador também possa pela primeira vez ter dois “iniciais” sem que precise recorrer a trocas. Quem jogou Red & Blue deve ter voltado no tempo no instante que viu os três pokes clássicos novamente.

X e Y também têm o começo de jogo mais rápido da série, pois logo após as apresentaçòes e diálogos costumeiros, eu tinha duas insignias e uns 40 pokes capturados em um piscar de olhos. A chegada à cidade grande do jogo também foi antes do que o comum, embora a cidade de Lumiose esteja parcialmente bloqueada a princípio. A “Paris” do jogo (todo o mundo de Kalos foi feito em cima do mapa da França e tem tema francês) embora cumpra com a terefa de impressionar o jogador com sua grandeza e movimento de cidade grande, infelizmente concentrou também todos os problemas técnicos do jogo. Isso porque na busca de uma diferenciação em relação aos demais locais do jogo, a Game Freak tentou criar um sistema de câmera mais imersiva que segue o jogador de perto, cujo resultado prático foi um desastre. Caminhar por Lumiose é uma tarefa confusa e desorientante. Realmente uma pena.


Tá perdida, filha?

A tradição continua

Pokemon X e Y segue com louvor a bela tradição dos games Pokemon, cuja marca tem sido a de apresentar aventuras grandiosas, divertidas e cheias de conteúdo. Dessa vez contudo, a Game Freak ousou em simplificar os elementos fundamentais de jogo, de modo a não afastar os mais experientes ao mesmo tempo que providencia a experiência mais inclusiva possível àqueles que ou nunca jogaram ou mesmo pararam justamente por conta da crescente complicação adicionada em gerações recentes (Ruby & Saphire é o pior jogo nesse sentido). Além disso,  a GF finalmente entregou um jogo que fosse ao mesmo tempo belo e cheio de recursos, com criatura bonitas, bem animadas e detalhadas presentes em um continente cheio de lugares visualmente interessantes. O design dos menus e demais elementos gráficos também ficou muito bem resolvido, um alívio quando se lembra dos menus e telas horríveis de jogos anteriores. Os recursos online também ajudaram um bocado, fazendo com que trocar pokes mundo afora nunca fosse tão rápido e fácil.

Digo tudo isso com 90 horas de jogo, e contando. Eu que estava meio distante da série desde Black & White (não só não joguei as continuações, como pulei a geração anterior), voltei a explorar o jogo como há muito não fazia. E que jogo, senhoras e senhores. Enfim, Pokemon X e Y são os novos clássicos de uma série consagrada por sua excelência. Vida longa à Pokemon.

Abraços e até o próximo post.

AvcF – Loading Time.

 

4 thoughts on “Pokemon X e Y são os novos clássicos de uma série consagrada

  1. Em termos de apresentação, realmente é o ápice da série.

    Em termos de conteúdo e mecânicas, está beeeem atrás de BW2.

    Contudo, os stats ocultados tiveram seus valores facilitados.

    Acho que no geral X e Y agradaram mais os irritados e irritou um pouco os fãs de longa data.

    Ainda assim, é um excelente jogo. Pena que o single player continua obrigatório. Não tem nada mais chato do que percorrer a história bobinha, lutando em ginásios, Elite 4…

    Único grande defeito até agora, é a falta de uma maior otimização no multi. Obrigar a usar o Team Preview realmente é uma bola fora.

    1. Bom, não vi ninguém irritado com o jogo ainda, pelo contrário, está agradando geral. E não entendi a reclamação quanto à campanha, pois ela corre rápido, os ginásios estão legais – e até a ia dos líderes está menos monga. E o que exatamente você prefere no lugar, uma sequência de menus para treinar os bichos e só? Mesmo Pokemon Stadium dependia do que você fez no jogo.

      1. Fui muito vago. O que quero dizer é que esse jogo seguiu o caminho de Fire Emblem. Deixaram o jogo mais fácil enquanto fizeram umas modificações que irritaram uma parte (mais radical?) do fandom.

        A bem da verdade é que isso é irrelevante, já que o jogo está agradando bastante muitas pessoas que ficaram longe da série – e isso é MUITO importante. Quem reclama, reclama mas compra do mesmo jeito (como eu, que comprei os dois ainda por cima -_-).

        Então, essa reclamação vem da minoria da minoria que pertenço em relação à série. É insignificante, mas existe. Porém ela irá refletir de algum modo no próximo VGC (pombas, até o atual campeão reclamou sobre umas mudanças no metagame). Mas já sabemos que esse não é o público alvo da série.

        Já sobre o single, é algo bem pessoal. Sempre reclamei disso. Acho beeeeeeeeeeeeeeem chata a campanha. E minha reclamação é que as coisas legais só são liberadas APÓS seu término (Friend Safari, Battle Mansion, Move Tutors[normalmente na 3ª versão]). Se essas coisas estivessem disponíveis desde o início, nem me daria o trabalho de jogar a campanha.

        Sobre o treinamento, na Join Avenue de BW2 você treinava simplesmente pagando. Coloque uns dojos na sua Avenue, e pague para treinar 64 EVs na Defesa, por exemplo. Era simples e rápido. E o trabalho para conseguir o dojo era bem menor do que para destravar todos os minigames.

        Os minigames até podem ser divertidos (por um tempo) e incentivar quem nunca deu bolas para os EVs. Isso é muito interessante. Mas, acredito, que uma vez que uma pessoa se empolgue com os treinamentos, logo ficará enfastiada com esses minigames e descobrirá formas mais rápidas – e simples – de conseguir esses EVs. Como exemplo, treinar em hordas com power item. Treinei um Pokémon com os 510 EVs em cerca de 10 minutos.

        Esse Pokémon adicionou muita coisa, mas tirou outras coisinhas. Seria legal se não tivessem tirado nada.

        E ao contrário da época do Black / White, quando discutimos se haveria um Gray (e eu disse que não XD ), nesse aqui haverá um Z quase com certeza. E é a partir dali que veremos mesmo qual a direção que darão à série.

  2. ” E ainda por cima, brincar com os mini-games é bem mais divertido que passar horas lutando repetidamente contra os mesmos monstros somente para ganhar um ponto a mais de HP ou Speed.”

    Apenas uma correção. Em BW2 já era possível treinar um pokémon totalmente em menos de 10 minutos, sem a necessidade de ‘passar horas lutando repetidamente contra os mesmos monstros somente para ganhar um ponto a mais de HP’

    Alguns erros rápidos neste parágrafo: “Além disso, o jogo em si ficou mais rápido e(…)”
    3ª e 7ª linhas

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