Pérolas publicadas: a super incoerência da Ação Games

Saudações aos leitores.

Ter uma coleção de revistas antigas de video games é garantia de diversão por diversos motivos. A nostalgia de ver games clássicos anunciados como grandes novidades, as dúvidas incrivelmente ingênuas dos leitores da época, aquela sensação de “futuro do pretérito” dos anúncios de tecnologias que hoje são foram ultrapassadas e por aí vai. Mas outra coisa que me diverte horrores ao revisitar essas revistas são certos absurdos inexplicáveis, como por exemplo os etilicos critérios (considerando que pudesser mesmo haver um) para a avaliação dos jogos, que em muitos casos nada tinham a ver com tudo o que foi escrito sobre o jogo em questão. Mostrarei abaixo um exemplo sensacional, sobretudo pelo jogo envolvido, o infame e mundialmente conhecido Superman 64:

Bem, trata-se de uma edição de 1999 da extinta revista Ação Games, cujos destaques de capa eram Superman e Dino Crisis. Como podem ver, já na capa o leitor fica sabendo que Superman possui um grave defeito (aliás, não sei nem como um troço desse foi aprovado pela Nintendo, mas enfim), o que por óbvio gera uma primeira péssima impressão sobre o jogo. Pois bem, chegamos à página da matéria, que detona o jogo desde o título:

O título em questão é “O Super-Homem não voa”, a última palavra não aparece por conta do corte que tive que fazer para a imagem não ficar muito grande.  Mesmo assim, o subtítulo não deixa dúvidas quanto ao que o avaliador pensava sobre o jogo, que afinal de contas,  todo mundo soube na época que era um lixo total. Mais interessante ainda é a informação dada pela revista de que três cartuchos foram testados em dois consoles diferentes, o que mostra não só que a revista realmente se preocupou em checar os problemas do jogo antes de dar o veredito sobre o mesmo, como também ilustrou bem o constragedor nível da programação entregue pelos macacos que trabalhavam para a produtora de Superman 64, no caso a Titus.

A reportagem sobre ao jogo contava ao todo com duas páginas recheadas de críticas sobre as diversas partes do jogo, não deixando o leitor qualquer rastro de dúvida de que o jogo reportado ali era uma porcaria total, absoluta e irrestrita. Pois bem, e para finalizar, esperava-se um quadro de notas que detonasse com Superman 64, certo? Erradíssimo meus caros, vejam só:

Caninha 51? Dreher? Saquê Azuma-Kirin? Rivotril com Black Label? Vodca Balalaika com Guaraná Dolly sem gelo? Sério, como se explica isso, alguém aí se habilita? Pode isso, Arnaldo? Da mesma forma que há uns bons anos o jogo E.T recebeu da revista Video Games  a provável melhor avaliação do planeta, a Ação Games publicou a provável melhor nota que o lixo atômico Superman 64 deve ter recebido. Impressionante como nossos gloriosos jornalistas de games parecem gostar dessas tranqueiras. E o mais bizarro de tudo é que as notas de Superman 64 em nada condizem com tudo o que foi escrito tanto na reportagem como na capa – ou vocês conhecem um jogo que “da pau e não termina” com nota 7,5? Creio que essa avaliação deve ter sido o momento mais lisérgico da história da Ação Games, o que talvez até explique o erro de digitação no quesito “Diversão” (observem que há uma letra “o” no lugar de um zero), pois não é possível que alguém lá realmente achasse que Superman fosse um jogo acima da média.

Muitos dizem que o Brasil é um país sui generis, afinal, uma há uma série de coisas que só existem ou acontecem aqui, como a pororoca e a jabuticaba. E pelo visto, também é único lugar do mundo onde E.T e Superman 64, dois dos piores games da história, foram muito bem avaliados. Um brinde de Absinto à todos os envolvidos.

 

Abraços e até o próximo post.

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