O que a Nintendo pretende com o novo Zelda?

Saudações aos leitores.

Nessa última semana houve mais um daqueles “Nintendo Direct” que a Nintendo eventualmente exibe para falar de lançamentos para Wii U e 3DS, porém entre os anúncios bobinhos de sempre, apareceu uma verdadeira bomba: a confirmação e exibição do que será o primeiro Zelda original para Nintendo 3DS (o console já conta com o remake de Ocarina of Time), e o melhor de tudo é que finalmente voltará ao seu eixo clássico. Mas como não poderia deixar de ser – e devido a sua atual fase bizarra – a Nintendo resolveu complicar o que poderia ser simples, e ao invés de agradar todo mundo, resolveu apostar em elementos duvidosos. Sem perder tempo, discutiremos sobre eles aqui. Vamos lá.

Antes de mais nada, eis aqui o video do novo Zelda, que por sinal não tem subtítulo ainda:

Antes de falar do jogo em si, convém registrar minha perplexidade quanto a incapacidade recente da Nintendo em fazer anúncios claros. Creio que eles não aprenderam nada com o anúncio confuso do Wii U, e repetiram a dose agora. Como diabos me anúnciam o jogo apenas como “Zelda”, como se fosse um nome de projeto, sem um subtítulo, um contexto, uma informação adicional? Vocês conseguem, por exemplo, imaginar a Nintendo anunciando um novo game Mario para Wii U apenas como “Mario”? O anúncio se tornou ainda mais confuso pelas óbvias semelhanças que o novo Zelda tem com o clássico A Link to the Past, lançado originalmente para Super Nintendo em 1992. Afinal, estávamos diante de um remake ou um spin-off? Ficou ainda mais estranho após ter saído em diversos sites de que o jogo foi referido como “A Link to the Past 2” na Nintendo Direct japonesa. Fico a pensar se há diferentes Nintendos, se a América do Norte, Europa e Japão realmente se entendem. Por que afinal esse nome não foi assumido de uma vez então? Agora vamos ao jogo propriamente.

Não se conserta o que não está quebrado

Considerando que esse Zelda seja mesmo a continuação de A Link to the Past, minha primeira pergunta é pra quê? Sim, faço essa pergunta primeiramente porque se tem um Zelda com começo, meio e fim absolutamente definidos, esse é ALTTP. Diferentemente de Ocarina of Time, Majora’s Mask ou Twlight Princess, ALTTP deixa claro que seu “The End” é mesmo end:

http://mmxz.zophar.net/rpg/zelda/mastersword.gif
(Não postei a imagem para não haver reclamações de spoilers)

Além disso, não se conserta o que não está quebrado, e se tem um jogo que não precisa de qualquer reparo esse é justamente ALTTP – e até por isso o jogo é considerado um clássico (e não acepção correta do termo, não dos “clássicos” com notas carnavalescas das últimas duas gerações). Então, considerando que a Nintendo já havia dado pista de que faria algo com um Zelda à moda clássica, considero duas coisas:

Após os fracassos recentes com Skyward Sword, Wind Waker e etc (os Zeldas de DS são bem fracos também) enfim a Nintendo obrigou o fraco Eiji Aonuma a parar de inserir sua “criatividade” à série e voltar a olhar para os clássicos (por sinal Aonuma admitiu em uma entrevista que não conseguiu jogar o Zelda original), dessa forma a Nintendo finalmente admitiu que a série estava rolando ladeira abaixo e forçou uma mudança drástica, usando o 3DS como a base para o que será o próximo jogo que um dia será lançado para o Wii U. Ou;

Uma luz divina baixou, e finalmente a Nintendo permitiu que a série Zelda possa estar nas mãos de designers realmente interessados em fazer um jogo como os clássicos que todo mundo ainda gosta e joga, enquanto Aonuma e sua equipe estão trabalhando no Zelda “real” que sairá daqui há quase uma década, custará milhões e terá mais textos e personagens que toda a coleção de romances da Jane Austen.

Apesar do alívio enorme em saber que o próximo Zelda ao menos se parece com um game Zelda, e em um curto de video de apenas um minuto e meio já mostrar mais ação do que em 2/3 de Skyward Sword (aliás já teve mais variedade de cenários também), Me incomodou muito toda essa semelhança com ALTTP, a ponto de partes inteiras serem praticamente iguais:

Ok que o trailer não vai sair revelando todas as novidades de uma vez, porém com exceção da gimmick idiota do Link “Menina Superpoderosa” andando pelas paredes, tudo o que apareceu veio diretamente do game de SNES. Pergunto então mais uma vez, para quê mexer em um jogo que envelheceu muito bem e continua perfeitamente jogável ainda hoje? Então eu volto à pergunta do título.

O que a Nintendo pretende com o novo Zelda?

Se a idéia era fazer Zelda voltar aos trilhos ou retornar aos elementos que fizeram a série ser o que foi em seus melhores dias, por que não fazer como em New Super Mario Bros, que apesar das óbvias referências, conseguiu ter o suficiente para ser um game com cara própria. Aliás nesse sentido, vocês imaginam qual seria a reação geral se NSMB tivesses fases inteiras iguais as de Super Mario Bros ou Super Mario Bros 3? Nesse sentido, uma hipotese seria a de que a Nintendo achou mais seguro se apoiar na força de um grande sucesso, para dessa forma chamar tanto os antigos jogadores que foram largando os jogos graças as “Aonumices” que foram contaminando a série, quanto trazer os jogadores mais novos e mal acostumados com jogos fáceis e tão intensos quanto tirar pulgas de um cachorro.

Evidentemente ainda é cedo para maiores apontamentos quanto ao jogo, pois tudo o que temos até o momento é um video de um minuto e meio exclusivamente preenchido com cenas de gameplay (não estou reclamando, entendam). Mas jé está claro que a Ninteno pretende jogar seguro e usar ALTTP como rato de laboratório de uma provável experiência que ela deve estar realizando (aliás, a Nintendo deve estar bastante atenta com todas as reações registradas na internet). Por um lado acho uma pena, pois além de preferir um game 100% novo (ainda que baseado nos clássicos), também acho que certos clássicos não precisam ser “melhorados”, modernizados ou modificados de alguma outra forma, por outro me bateu certo alívio em ver um video de Zelda que se parece com Zelda, com cenas de ação, calabouços e exploração no lugar de bem…isso:

Outra evidência de que a Nintendo está jogando seguro, é como tudo parece muito simples e humilde no trailer de “ALTTP 2”, evidenciando um nível de produção ainda menor que o do remake de Ocarina of Time. Talvez em um esforço para disfarçar a direção de arte simplória e aparentemente equivocada (repararam como quase tudo tinha uma aparência plástica e sem vida?), foram inseridos uma série de bobos e desnecessários efeitos 3D, que além de tudo são repetitivos, pois todos se baseavam no truque de ter elementos saindo na tela. É o tipo de coisa cuja graça não apenas dura pouco mais de cinco minutos, como ainda nada adiciona ao gameplay do jogo. Achei que a Nintendo tinha amadurecido, e após várias tentativas frustradas, finalmente se tocado que ninguém liga para o 3D estereoscópico. Pelo visto não apenas me enganei, como ainda Zelda será usado como mais um instrumento de divulgação desse ultrapassado e pouco interessante efeito (de minha parte, mal mexo o slider do meu 3DS XL).

Por fim…

Enfim, não tenho muito mais o que dizer, então prefiro esperar por mais infos e novos videos – certamente haverá mais na E3 – para ter uma idéia melhor do que esse suposto A Link to the Past 2 será. Estou muito reticente ainda, mas também tive uma boa sensação ao notar que finalmente temos um Zelda. E considerando a situação da série, isso por si só já algo significativo. Espero sinceramente que Eiji Aonuma finalmente tenha se tocado do fracasso de seus Zeldas recentes e tenha (forçado pela circunstância ou por conta própria) resolvido enfim ter a humildade de olhar para os clássicos. Caso contrário, tenho medo dele olhar para A Link to the Past e pensar “hum…como posso tornar esse jogo ainda mais bacana”. Só o tempo dirá.

Espero pelos comentários de vocês, e aí, o que acharam disso tudo?

Até o próximo post.

AvcF – Loading Time.

11 thoughts on “O que a Nintendo pretende com o novo Zelda?

  1. Rapaz, sua raiva tá lhe cegando.

    O motivo de a Nintendo ter feito uma volta ao estilo ALTTP não tem nada a ver com tudo isso que vc falou. O motivo é: um jogo com visão de camera “de cima” permite fazer as coisas 3D saltando da tela. Só isso. Mais nada. Assim como Mario Land é só uma variação de um jogo para explorar mais o 3D.

    Vc considerou isso um elemento bobo (e é), mas ele é o elemento central nesse jogo novo.

    Dava pra continuar falando de mais coisas, mas… menos raiva, menos cegueira aí.

    AvcF: The Legend of Zelda original foi desenhado do mesmo modo que A Link to the Past (câmera é um termo usado para jogos com perspectiva tridimensional, não que esteja errado, mas é impreciso usá-lo para se referir a jogos 2D), mas ainda sim a Nintendo preferiu o jogo de SNES.

    1. Concordo cm vc jv, a Nintendo esta voltando ao modo de visão antigo pra usar o efeito 3D como parte da jogabilidade, o que é digno de nota. O fato de o escolhido ser ALTTP com certeza é sua popularidade, maior que a do primeiro episódio, o que ajuda a resgatar quem jogou a série no Snes e nunca mais pegou outro da série

  2. Não entendi qual o problema do jogo retornar a Hyrule do ALTTP. Quer dizer que só pq o jogo anterior mostra um fim definitivo para a aventura não pode acontecer mais nada naquele mundo? Fica tudo congelado por anos até o jogo seguinte (ou não, já que cronologia de Zelda é uma zona)? Se for basear no texto do final do jogo de SNES e quiser dar sequência pode-se muito bem criar algo que não envolva a Master Sword, ou este com um realidade alternativa para aquele mundo (também usada nas explicações da cronologia de Zelda).
    Quanto aos efeitos 3D é uma característica do portátil, se a própria Nintendo abandonar só vai admitir que foi um erro colocar no console. Pode não adicionar nada ao gameplay, mas como muitos efeitos visuais de jogos é apenas para agradar a vista. Quanto a direção de arte, acho que combina com Zelda. Para mim parece uma evolução comum comparado com o gráficos do SNES, GBA e DS.

  3. O que é destacado no texto, e parece que o pessoal não notou ainda, é que “a link to the past” é exatamente tudo aquilo que Eiji Aonuma destruiu ao longo dos anos em que dirigiu a série.
    E justamente, os dois jogos mais queridos pelos fãs seguem a mesma fórmula (ocarina of time me pareceu “A link to the past” em 3D da primeira vez que vi, e era exatamente isso que o fazia incrível).
    A série era sobre desbravar um mundo imenso e perigoso para deter o mal, e salvar a princesa e o reino.
    A partir do ponto que Aonuma assumiu a direção, tivemos jogos com barcos, trens, torres fantasmas, avestruzes voadores, e combates travados e monótonos envolvendo puzzles com controles de movimentos e intermináveis diálogos com NPCs chatos que contribuiriam mais com a história calados. Sem contar que os calabouços aumentaram, o mundo externo quase desapareceu de tanto que encolheu, os combates praticamente se restringem aos chefes de fase e o desafio caiu tanto que dormi tentando jogar skyward sword!
    Nada disso é “Legend of Zelda”!
    E agora, naquele que para mim é o melhor jogo da série, temos quebra-cabeças envolvendo planos 3D e um “link-super-poderoso” andando pelas paredes, como se fosse um “paper-mario-aranha” !
    Se for um remake, pisotearam um dos melhores jogos da série! E se for uma continuação (ou um prólogo), então sim, é necessário que siga a mesma história do jogo de snes, exatamente a partir do ponto onde ela parou, e sabemos que a história parou no fim, um fim bem definido, sem “rebarbas” ou “pontas soltas” que permitam a história continuar.

    Sério, esse jogo me preocupa…

    1. Não consigo enxergar tanto em LINK TO THE PAST quanto em OCARINA como um jogo de exploração de mundo, até por não possuírem um tão vasto assim (mesmo para os padrões da época). Grande barato era a apresentação de um mundo com identidade própria, e uma história mais puxada para o épico.
      Quanto aos jogos do Wii para frente não posso dar muita opinião pq ñ joguei, mas a inclusão de barcos, trens e afins ñ me parecem problemáticos, apenas foram mal aproveitados. Vcs dizem que o Aonuma afundou a serie a partir do momento que assumiu a direção, queria entender mais a influência dele sobre todas a falhas que ocorreram.
      Não acredito que seja remake por constar o 2 no título e as mudanças aparentes da demonstração. Se história fechada significasse fim de série, o jogo deve ter morrido ou no 1º ou LINK TO THE PAST. Uma possível expansão do mundo seria uma péssima idéia, assim como aconteceu em Pokemon quando lançaram GOLD e SILVER?

  4. Teu blog é um dos melhores que tem disponiveis pra quem curte Nintendo cara, sério. Mas tu ta ficando com uma raiva cega mesmo.

    Calma! Tu reclamou muito do New super mario 2 pro 3DS, e acabou gostando depois. Confio nesse zelda.

    AvcF: obrigado pelo elogio, mas onde vocês enxergam essa suposta raiva? Não entendo o problema de vocês com certas críticas.

  5. Não é o problema das criticas em si, entendo o teu ponto de vista, sério. Mas é o negativismo, parece até uma ma vontade antecipada, entende?

    Mas claro, podemos estar todos errados! hehehe

  6. Então, assisti a Direct e acho que ficou bem claro que o game é uma continuação de ALTTP. E onde que Skyward, Wind Waker, Twilight e os de DS são fracos e foram fracassos? O que define um fracasso? Pois esses games venderam milhões e são elogiados por jogadores e criticos do mundo todo. Eu por exemplo, gostei muito de Phantom Hourglass e começarei Spirit Tracks em breve no 3DS. Voltar a ALTTP cai numa coisa que disse quando a Nintendo anunciou Donkey Kong Returns, é uma forma que a empresa encontrou de resgatar os jogadores antigos, que jogavam na época do Snes e Nes e abandonaram esses games, e ao mesmo tempo agradar os fãs fiéis da empresa retornando a um game considerado clássico por seus seguidores. Resumindo, é um terreno seguro que ela esta percorrendo, sabe que terá retorno garantido ali. Enfim, com certeza comprarei esse game em seu lançamento, estou até jogando ALTTP no emulador pra relembrar hehe!!!

  7. Tua noção de fracasso é bem curiosa, considerando a base de proprietários que 64/Cube/Wii conquistaram e o respectivo publico que teve interesse em adquirir “esses” Zeldas…o amontoado de críticas-muito-positivas também não deve contar pelo visto.

    Bem, salvo os jogos do DS e Nintendinho(este espero resolver no VC!), joguei e gostei de todos os demais. Nenhum deles, nem mesmo ALttP, está isento de elementos incômodos. Ainda assim, ótimos jogos!

    …e eu não curti o anuncio. Talvez mude de ideia.

    AvcF: Quando se analisa o que Zelda foi e o que é hoje, o único substantivo que consigo lembrarpara designar os games recentes é “fracasso”. Por quê? Simples, os títulos antigos foram por uma série de motivos system sellers, ou seja, eram tão bons e populares que as pessoas compravam um console apenas para jogá-los. Não dependiam de base instalada para vender, não teve essa desculpa com A Link to the Past, por exemplo. Foi assim até com Ocarina of Time, que inclusive conheci vários casos de gente que nunca jogou outra coisa do Nintendo 64 além desse jogo (até escrevi um post sobre um caso assim).De Wind Waker para frente porém, a série foi ladeira abaixo não apenas comercialmente, como também tecnicamente. Aliás, falando nisso, você sabia que Twlight Princess teve aquele estilo todo soturno e sombrio justamente como uma forma de se diferenciar de Wind Waker, que foi um fracasso?

  8. Com a noticia que saiu hoje, de que a Nintendo ta abrindo mao da apresentação na E3 eu venho aqui dar meu braço a torcer.

    Que fase bizarra…

  9. Uma pergunta pessoal AvcF: Entre o A Link to the past e o Ocarina of time, qual é o seu preferido. E em qual fase da sua vida você jogou os dois jogos? Vejo que você sempre exalta o design do Zelda do SNES. Eu já prefiro o design do Ocarina, apesar de desejar que ele fosse um pouco mais difícil.

    Acredito que o momento no qual nos jogamos determinados jogos influencia muito na forma como enxergamos o mesmo. Ocarina foi o meu primeiro Zelda, joguei muito tempo depois Alttp. Talvez por isso o design do Ocarina me agrade muito mais. Já refletiu sobre isso?

    AvcF: já pensei muito sobre isso também, Gilmar. Embora Ocarina também tenha sido meu primeiro Zelda, ainda sim considero ALTTP superior. E isso porque ainda não fiz justiça com esse jogo, pois o joguei em um Game Boy Advance, não na tevê grande e com SNES (o cartucho custa caro e é difícil de achar).Mas não se engane, Ocarina foi mágico quando joguei na primeira vez, em janeiro de 1999.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.