Não precisamos de Duke Nukem Forever

Duke Nukem

Saudações aos pacientes.

Falarei nesse post não tanto sobre a saga que envolveu a produção do jogo, mas sobre as razões que me fazem crer porque não precisamos mais de Duke Nukem Forever. Acompanhem-me.

Nos tempos que ainda achávamos que jogos bidimensionais eram a última bolacha do pacote, houve o boom dos jogos de tiro para os computadores. Primeiro com Wolfestein, depois com Doom e seus clones. Até que em 1996 foi lançado o clássico Duke Nukem 3D (que de 3d só tinha o título), um game acima da média de seus pares, machista, sexista e politicamente incorreto. Um dos diferenciais era o seu protagonista, que ao contrário dos avatares genéricos dos outros jogos, transbordava personalidade dentro de seu exagero propostal, cujo sentido era esculhambar geral os anti-heróis típicos dos filmes de ação oitentistas.

Mas aqueles tempos eram outros, tempos esses que sabemos que não voltam mais. Tal qual os jogos de corrida, a tridimensionalidade introduziu uma série de melhorias e evoluções vitais para o gênero, levando-o a outro patamar de gameplay. Jogos como Quake, Quake 2, 007 Goldeneye, Unreal, Perfect Dark, entre outros; já eram superiores a Duke Nukem em diversos aspectos. Depois do 3d ficou quase impossível jogar os ultrapassados shooters bidimensionais sem perceber o quão arcaicos já haviam se tornado. Voltando ao jogos de corrida que mencionei na abertura do parágrafo: alguém sente saudades dos antigos simuladores depois de Gran Turismo e Project Gotham Racing? Com os jogos de tiro ocorreu o mesmo processo.

A demanda pela tridimensionalidade levou ao lançamento de Duke Nukem Zero Hour, que fracassou epicamente, ao menos do ponto de vista comercial, já que não chegou nem perto do sucesso e da relevância de Duke Nukem 3D. O que os fãs queriam mesmo era uma sequência em 3d da exata estrutura de jogo consagrada, acho até que se fosse um remake apenas com acréscimo de polígonos já seria o suficiente para arrepiar os pêlos de muita gente. E foi aí que a novela começou. Se não me engano na E3 de 1998 com um daqueles típicos teasers pega-fã que tem todo ano nos eventos de games. Aí o pessoal resolver aguardar ancioso. Três anos depois e mais um teaserzinho (sentiram o neologismo?). O tempo passou, o tempo vôou e os mais espertos já começaram a desconfiar que havia algo de podre no reino da Dinamarca. Os razoavelmente espertos arrumaram um banquinho e esperam sentados pelo jogo. Já os espectadores de Malhação e do TV Fama estão aí no aguardo.

Poeira em alto mar

Nesses mais de dez anos de espera por algo que nunca existiu, a produtora 3D Realms foi corretamente acusada de incompetência, má gestão projetual, entre outras formas nada ligeiras de manifestação para com a empresa. Não foi por acaso que faliu. Embora nada de concreto tenha sido mostrado nesses anos todos, sempre houve alguma movimentação por parte de jogadores e sites de games quando qualquer coisa sobre DNF ser levantada. Mas não há expectativa que sobreviva por tanto tempo à base de promessas vazias e videozinhos de internet.

Mas o problema maior do jogo foi outro. O mundo dos games evoluiu, bem como o próprio gênero dos jogos de tiro. Nos anos noventa, Duke Nukem não teve concorrentes, e a tecnologia empregada nesse tipo de jogo estava em processo de transição, que posteriormente deu origem aos games citados anteriormente no texto. Inclusive, todos superiores a Duke Nukem. De uns tempos para cá os jogos de tiro ganharam destaque crescente, até a chegar ao ponto de suscitar reclamações de gente que acha que há saturação desse tipo de jogo. Novas propostas de gameplay, estruturas de jogo e novos recursos possibilitados pelas inovações tecnológicas, tornaram Duke Nukem Forever anacrônico mesmo sem nunca ter existido de fato.

Semana passada saiu um suposto video vazado com material que seria do jogo:

Tirando alguém que seja muito fã talvez do personagem ou do game clássico, não consigo imaginar alguém se comovendo com isso. Em meio a games como Bioshock, Crysis, Halo 3, Killzone 2, Half Life 2, Call of Duty (série), e até de um modo alternativo Metroid Prime 3 (há quem diga que seja um “FPS” ao seu próprio modo), digo seguramente que não precisamos de Duke Nukem Forever.

A volta dos que não foram

Duke Nukem Forever é um projeto que não deu certo, e não importa quantas trocas de engine aconteçam, quantos artistas entrem e saiam, por quantas mudanças de direção passe, jamais será o que o game original foi um dia. Tal qual o célebre disco Chinese Democracy, DNF tornou-se uma pastiche de gráficos, sons, e gameplay tão díspares, cuja ausência de harmonia projectual jamais o tornaria um game acima da média. Chinese Democracy no fim das contas conseguiu no máximo ser um disco de rock medíocre, fruto da insistência e do ego de um roqueiro decadente. Duke Nukem Forever conseguiria no máximo ser apenas mais um jogo de tiro no mar dos tantos genéricos, aproveitando-se apenas da lembrança de seu auge dos anos noventa do século passado.

Não precisamos de Duke Nukem Forever. Não há mais lugar para seu Hard Rock sem personalidade, seus bordões mais do que batidos, alienígenas cartunescos, sua testosterona com aroma de naftalina. Duke Nukem pertence ao passado, ao lado de outros personagens que não sobreviveram à passagem do tempo, cristalizados em seus clássicos de ontem. Que fique por lá.

Abraços e até o próximo texto.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time

8 thoughts on “Não precisamos de Duke Nukem Forever

  1. O único DN que gostei é aquele antigão, em 2D que rodava em DOS. Desse Forever eu só dou risada.

    Com relação a Metroid Prime (série), a própria Nintendo me parece que define ele como um genêro diferente, FPA (First Person Adventure) se não me falha a memória.

  2. Concordo contigo cara, ficou patética a situação. E um adendo: Metroid é simplesmente genial. Melhor first person um console! Desbancou Goldeneye que até então possuía tal título.

  3. Como você fala do gameplay e do som do jogo sem nem ter jogado ele? Além dele nunca ter sido lançado, nada foi revelado sobre tais aspectos. Pelo menos não que eu saiba.
    Na minha opinião, foi uma grande “perda”. Pelas imagens do video, o jogo com certeza seria muito bom.
    A demora foi gigantesca mesmo. Tão grande que a primeira versão do jogo estava tão ultrapassada que a descartaram e começaram outra. Porém, isso não muda o fato que o jogo tinha potencial para ser divertidíssimo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *