Jornal Hoje: uma outra visão

Saudações aos travessos.

Posto aqui o que o João publicou sobre esse último assunto abordado aqui no Loading Time. Se quiserem ler direto da fonte, entrem no blog dele, o Estúpida Condição Humana Aproveitem a leitura.

P.S: hoje a noite terá post novo.

O mal cibernético e a preguiça mental

Veja o vídeo abaixo e depois leia o artigo.

Vivemos um grande paradoxo, onde nós adultos nos esquecemos que os comportamentos de rebeldia dos adolescentes são normais, aliás, fundamentais no desenvolvimento e crescimento do indivíduo, ou seja, na composição saudável de sua psique. Caso esses comportamentos se tornem um padrão prejudicial, não é uma punição ou “combate” que vai resolver e sim compreender os problemas que desencadearam tais atos agressivos. Punir ou se utilizar de sistema severo para enfrentar comportamentos dos adolescentes, como banimento de entretenimento, apenas reforça ainda mais o comportamento agressivos deles.

Comumente esses atos estão associados a fatores familiares, ambiente de desenvolvimento caótico, educação negligente, pais com histórico de abuso de substâncias psicoativas e mais uma porrada de variáveis. Não se pode avaliar ou explicar em evento como o bullying apenas se utilizando de um fator isolado, pois é necessário avaliar os diversos aspectos que contribuem para o problema. Uma série de fatores bio-psico-sociais que vão muito além de um “joguinho”, como disseram os acéfalos repórteres da Globo.

Não sei se estou divagando demais, mas imagino que esses repórteres, em algum momento do desenvolvimento, também tiveram seus comportamentos reativos. Porém se existe algo que está evidente atualmente – e por isso não os culparei por tal reportagem – é que o jornalismo atual tem tanta personalidade crítica quanto um hipopótamo em coma.

Porém aqui que entra o grande dilema atual, pois a resolução em longo prazo, que visa uma atuação eficaz do governo da promoção de saúde mental e bem-estar envolve diversas competências que, usando o português claro, “dá muito trabalho e cansa só de pensar”. Culpar-se-ão os outros. Acharão algo simples, simbólico e de menos expressividade para representar um problema muito mais amplo e complexo. Rock, Punk, cinema e agora o vilão é o videogame. Não a sociedade geradora desse caos, sim um objeto.

Nesse momento eu me lembro de uma situação recente que me causou certa decepção: babuínos atacaram, humilharam e quase violentaram de maneira absurda uma garota em uma Universidade devido ao incômodo causado pelas roupas dela. O “outro” aqui sugere algo muito mais complexo, pois o que percebemos do mundo diz muito mais a respeito de nós mesmos do que o que enxergamos. A percepção é composta por nossa cognição e essa contém informações valiosas de quem – ou nesse caso, o que – nós somos. Logo, o ódio, o preconceito, a inveja, os comentários maldosos ou incapacidade de aceitar aquilo que nos é diferente diz muito mais a respeito de nossos recalques, vontades e problemas do que do “outro”. O incômodo que o diferente nos causa representa muito mais nossa incapacidade de elaboração – em muitos casos, nossa vontade de ser igual – do que um fato concreto. Aliás, existe o “outro”?

Estou divagando muito, apenas queria dizer que: os mesmos membros da imprensa que fizeram festa ao denunciar esse evento acima, os mesmos indivíduos cuja semana fora focada em compreender porque uma garota fora violentada dessa forma, agora tomam o papel de babuínos e violentam uma peça de entretenimento pela total incapacidade de entendê-la ou elaborar algo mais amplo para ser falado. Talvez a população não os entenda se eles falarem dos problemas mais complexos, talvez eles que estejam menosprezando a população.

Sobre o jogo em si, ele é proibido aos menores de 13 anos, justamente por conter – isso está escrito em letras bem claras na caixa – humor negro, cenas de violência e palavrões. Assim como um filme – que é bem aceito na sociedade, em contraste com o videogame – os pais devem sim ficar espertos e procurar abandonar a preguiça ou pura negligência para prestar atenção nesses detalhes. Não é a proibição de algo que irá resolver seus problemas. Não vamos punir o filme Duro de Matar só porque alguns pais estúpidos se revoltaram ao pegar o filho assistindo… O filme é claramente para adultos… E ninguém falou que videogame era coisa de crianças, falou?

Então ascenda sua tocha, pegue sua enxada e vá atrás do malvado vilão. Depois que o matar e perceber que o problema não se resolvera… Ora, encontre outro culpado e vá atrás.

Como diria Douglas Adams: “Quando se culpa os outros, renuncia-se à capacidade de mudar.”

Texto: J Guedes

9 thoughts on “Jornal Hoje: uma outra visão

  1. É o que sempre digo, ninguem deixa uma criança ver jogos Mortais no cinema, ou alugar o novo filme da Bruna Surfistinha na locadora. Mas essas mesmas pessoas, por ignorancia e preguiça, deixam os filhos jogarem o game Saw, ou alugar GTA4 na locadora de games. O problema é mais amplo que todos pensam sim. E quanto a jovem do vestido, apesar do caso saturado, a pior reação foi a da faculdade de expulsar a garota, ao invés dos idiotas que fizeram o escandalo.

  2. Flávio disse:
    “É o que sempre digo, ninguem deixa uma criança ver jogos Mortais no cinema, ou alugar o novo filme da Bruna Surfistinha na locadora. Mas essas mesmas pessoas, por ignorancia e preguiça, deixam os filhos jogarem o game Saw, ou alugar GTA4 na locadora de games. O problema é mais amplo que todos pensam sim. E quanto a jovem do vestido, apesar do caso saturado, a pior reação foi a da faculdade de expulsar a garota, ao invés dos idiotas que fizeram o escandalo.”

    CLAP CLAP CLAP disse tudo!

  3. “Sobre o jogo em si, ele é proibido aos menores de 13 anos”

    Na verdade ele é apenas “não-recomendado”, proibido por faixa etaria não…

  4. E hj passou mais uma matéria sobre a menina e sua vestimenta, E o mais engraçado foi uma das entrevistadas que condenava a roupa da garota, mas trajava uma blusa pelada nas costas e uma calça tão apertada que dava p contar as veias da perna dela!!! Não estou julgando ninguem, mas se ela quer julgar o vestido devia se olhar no espelho tmbm neh!!! O mesmo para os games, onde as pessoas antes de julgar, deviam fazer uma avaliação de si mesmo não?!?! E NitroxxBR, vlw mesmo!!! Mas sempre que se abre uma discussão como essa, eu tenho essa mesma opinião.

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