Impressões da exposição Gameplay

Gameplay

Saudações aos descolados.

Aproveitei esse último sábado para bater um pouco de perna na Avenida Paulista e conferir a exposição Gameplay que está rolando no prédio do Itaú Cultural. Esse post é uma mistura de um pouquinho de serviço com as minhas experiências lá. Trata-se de uma exposição bacana, com entrada franca e recomendo vocês a irem lá. Conto mais após o link.

*Escrito durante a madrugada e sem revisão. Quaisquer erros ortográficos, favor me avisar.

A exposição Gameplay vai direto ao assunto e é exatamente o que o nome diz, ou seja, trata-se de jogar videogame e experimentar instalações interativas. É assim mesmo, direto ao ponto, bastando pegar um cartãozinho e passar o número dele para entrar em uma fila de espera para poder ter algum tempo com os jogos. A exceção do ano de lançamento e do nome da distribuidora, não havia no local muita informação sobre os jogos (só havia um livrinho disponível na entrada, mas dúvido que alguém além de mim tenha lido). Considero isso apenas um detalhe insignificante, pois o real interesse das pessoas lá eram os games em si, e sobretudo experimntá-los, jogá-los. E nesse ponto tinha bastante coisa, pois se não me engano eram 11 jogos a dispostos, uma seleção bem eclética, inclusive. Entre os consoles eram dois jogos para Wii (Mario Kart Wii e Fatal Frame IV: Mask of the Lunar Eclipse) um do Xbox 360 (Halo 3), um do DS (Electroplankton), um do Playstation 2 (Katamari Damacy) e dois do Playstation 3 (Little Big Planet e PixelJunk Eden). Os demais eram títulos de PC, os mais conhecidos eram World of Goo (tem também para Wiiware), Portal e Fifa Street.

Entre uma filinha e outra para dar uma experimentada nos joguetes, eu ficava meio de antena ligada e prestando atenção nas ações e reações das pessoas a minha volta. Ficava curioso em saber quais os jogos que mais atraiam atenção e quais davam mais retorno, isso é, aqueles que faziam as pessoas grudarem na tela. Claro que não cheguei ao ponto de “pescoçar” ninguém, mas fiquei o tempo todo de olho, mas mesmo quando eu estava jogando. Começo pelos consoles. Mario Kart não foi nenhuma surpresa, deixando desde marmanjos até as criancinhas doidas para jogarem novamente assim que o tempo do cartão expirava. Mesmo com aquele volante desajeutado, o pessoal se divertia a beça com o game. Não foi por menos que o Uol Jogos classificou o jogo como “uma fonte quase inesgotável de diversão”. A fila nunca diminuía e o pessoal morria de rir com as roubalheiras que aconteciam ns corridas. Ainda no Wii, para mim foi supresa mesmo o Fatal Frame, até porque eu mesmo nunca havia jogando qualquer game da franquia antes.

Não achei que o game fosse capaz de fisgar aqueles que a imprensa de games rardecor chama de “casuais”. Afinal não era uma gente retardada incapaz de reconhecer um game de qualidade (rardecor, obviamente) mesmo diante de um e somente apreciavam coltâneas de mini games igualmente retardados? Realmente não entendi como um game japonês em todos os sentidos foi capaz de fazer todos jogarem até o último momento dentro do tempo permitido. A atmosfera sombria e enevoada encantou as pessoas, em especial uma tia doida que não parava de jogar e dar palpites até mesmo nas partidas do filho (ou sobrinho, sei lá). Putz, valeu minha tarde ver a tia DESESPERADA para poder jogar novamente e ter uma revanche contra um fantasma que aparecia em um dos quartos do andar superior do hotel. Ela até puxou conversa com a minha namorada; muito engraçado, muito sem noção. A tia ficou tão doida pelo jogo que mesmo quando eu estava indo embora ELA AINDA ESTAVA NA FILA DO FATAL FRAME. Acho que mais um pouco ela ficava chegada dos monitores e até comprava um Wii, não é possível. Mas deu para notar também que todo mundo saia com aquilo que está descrito na introdução da exposição, retirado do livro Hamlet no Holodeck, de Janet Murray: “Quanto mais bem-resolvido o ambiente de imersão, mais ativos desejamos ser dentro dele. Quando as coisas que fazemos trazem resultados tangíveis, experimentamos o segundo prazer característico dos ambientes eletrônicos – a sensação de agência”.Vi isso ao vivo com o pessoal saindo do Fatal Frame e a tia doida.

Com o Playstation 3 foram altos e baixos. Em movimento Little Big Planet é realmente um game encantador e charmoso. A fila era tamanha que nem cheguei perto de conseguir jogar, mas do que pude ver e perceber pelas pessoas, o joguete merece os premios que ganhou. Não sei porque foi mal comercialmente (pelo menos em razão da exagerada espectativa criada), mas certamente se eu tivesse um PS3 compraria LBP sem hesitar. Já o PixelJunk Eden é um joguete safado e chatolino, na melhor linha “bonitinho porém ordinário”. Certamente é um daquele títulos que usa muito bem a desculpa da experimentação para justificar a chatice. Não vi a menor graça em ficar pegando um bichinho que nem dava distinguir o que era e ficar pulando de planta loki de dorgas em planta loki de dorgas e quebrando umas pétalas, despedaçando-as em bits brancos. Mé.

Com Halo 3 eu vi a rardecoridade em seu estado bruto, com a esmagadora maioria de jogadores na fase de puberdade e mal batando nos meus ombros (isso porque eu tenho apenas 1,70m). No tempo em que eu fiquei na exposição, posso dizer sem medo de errar que 100% dos que jogaram eram meninos, ao contrário de todos os outros jogos expostos lá. O jogo tinha uma boa capacidade de imersão, prendia a molecada para valer, mas nada além do que eu já não tenha visto em outros jogos de tiro. Aliás, já vi meninos muito mais grudados até com Counter Strike, que aliás foi tema de uma instalação lá. Acho que Halo 3 teria feito bem mais sucesso em uma feira dedicada, fiquei com a impressão que o jogo foi posto lá só para a Microsoft não ficar de fora. Não sei como foi nos outros dias, mas pelo menos comigo, não senti muita comoção em relação em relação a Master Chief.

Mas fracasso mesmo foi o Electroplankton, pois foi o único jogo que não teve fila em momento algum durante minha permanência no prédio do Itaú Cultural. Testei o jogo e foi o mesmo caso do PixelJunk, bonitnho, estiloso, mas bem bobinho. Deu até dó ver aqueles “DSsses” ligados e o pessoal circulando e os ignorando.

Já nos PCs…

Minha primeira suspresa foi ter visto o jogo Portal também muito pouco vistado, isso porque é um jogo de tiro para lá de criativo. Até poderia dizer que muita gente já deve ter jogado em casa ou no computador de um conhecido, tamanha a facilidade de arrumar esse jogo nos melhores camelôs, mas a mesma lógica valeria para o Mario Kart, por exemplo. Mas o que vi fazendo sucesso com o pessoal foi o Fifa Street 3 e suas filas enormes. Novamente era um público majoritariamente masculino, mas tinha mais variedade do que o pessoal que jogava Halo 3. Por um lado isso mostra que a crítica do Malstrom quanto ao modo basquete do Wii Sports Resort se mostrou meio infudada, já que ele dizia que essa modalidadenão faria sucesso nos Estados Unidos, pois para os americanos em qualquer lugar há quadras de basquete. Aqui no Brasil a mesma lógica poderia ser aplicada no futebo, de salão, já que em qualquer quebrada de periferia há nem que seja uma quadrinha esburacada, quanto mais nos clubes de classe média (eu mesmo já ralei meus joelhos de monte jogando de goleiro em quadras de cimento). Mas mesmo assim a turma se acotovelava para tirar umas partidas de futebo, virtual. E ainda por cima saiam felizes da vidas com seus golzinhos.

Dois jogos que notei que agradaram bastante foram o World of Goo e o Crayon Physics Deluxe, fizeram bastante sucesso até onde pude notar. No caso do primeiro eu joguei e achei bem legal o esquema dos puzzles e das artimanhas envolvidas pra passar dos estágios. Gostei bastante também da direção de arte e do design geral, incluindo a interface super simples e intuitiva. Já o Crayon pareceu ser um conjunto daqueles flash games com física, em que se desenha coisas para resolver quebra-cabeças e pegar uma estrelinha. Agradou em cheio a criançada e foi muito legal ver o entusiamo de alguns pais ao verem os pequenos resolvendo as coisas no jogo. Pior que fiquei pensando “se um dia eu tiver um filho eu vou ficar babaca assim nesses momentos e ainda achar legal?” Vocês sabem a resposta, mas é inevitável.

Por outro lado…

Não deu para eu ver todas as instalações, mas do que eu vi não gostei muito. Havia uma sobre Counter Strike (Velvet Strike), que achei bem idiota. Já a KinoArcade Machine foi uma idéia muito legal e muito bem executada. Trata-se de um gabinete tradicional de arcade (manche, botões e tudo) passando o filme O Encouraçado Potemkin(Eisenstein, amiguinhos – assistam), cabendo aos jogadores mexer com o filme enquanto ele toca. É o tipo da experiência que não dá para descrever bem aqui, só mexendo. O quadro sonoro achem bem bocó, me soou como coisa de primário. Não gostei mesmo. Uma instalação que era interessante a princípio era a mesa Diorama, uma mesa retangular branca com um file projetado sobre ela. A graça da coisa é que uma infinidade de animações aconteciam, mas toda vez que um dos objetos sobre ela era mexido, essas animações eram afetadas de alguma forma. Mas achei bem limitada e não via ninguém ficar diante dela por mais do que uns dois minutos, acho.

Foi mais ou menos a mesma sensação que tive com a World Skin, que consistia em um tela com uma animação tridimensional rolando. Nela o interator podia navegar em um ambiente com uma infinidade de fotos de situações de guerra, com soldados, tanques, etc. A interação consista em segurar uma câmera de fotografia adaptada com um nunchuck preto (o do Wii mesmo) e tirar fotos das figuras, tornando-as brancas. O problema a meu ver é que as pessoas ficavam meio confusas com o controle e quando notavam que a maioria das figuras já estavam brancas, a experiência perdia a graça rapidamente. Mesmo com a explicação da monitora, notava as expressões de “ah, que legal…” meio constrangidas.

Concluindo…

Reforço minha recomendação a vocês fazerem uma visita a exposição Gameplay. O dinheiro que economizei com uma eventual entrada deu para eu comer um hot dog no Black Dog da Paulista com direito a uma barata na mesa ao lado da minha. Por outro lado, é muito legal ver uma exposição voltada aos videogames atrair tanta gente e tantos tipos de pessoas, indo muito além daquele estereótipo que muitos ainda pintam de quem joga. Foi legal de ver também muitas familias, o que mostra que o preconceito contra os jogos pode estar diminuindo. Fora que também a organização bem sucedida em mostrar que os jogos têm capacidade para servirem de base para experimentações e inspirações artísticas. Aliás, nesse ponto, vi que ainda do dia 19 até o dia 23 de agosto ocorrerão exibições dos chamados “Machinimas”, ou pequenos curtas animados apartir das engines dos jogos.

Me desculpem pela ausência de fotos durante o texto, mas lá não eram permitidas quaisquer captura de imagens que fosse. Mas há um hotsite com tudo o que sobre a exibição aqui:

http://www.itaucultural.org.br/gameplay/

Vou ficando por aqui. Abraços e até a próxima postagem.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

9 thoughts on “Impressões da exposição Gameplay

  1. Cara, gostei bastante da instalação e tive o prazer de jogar Little Big Planet (MUITO BOM mesmo) contudo, sobre a mesa Diorama, obviamente aquilo é completamente experimental, mas imagina algumas possibilidades daquilo. Se a resposta dos objetos forem melhoradas… aquilo poderia virar um jogo de estratégia de tabuleiro (gênero MUITO popuplar na Europa) – para quem não conhece… é algo como um Age of Empires no tabuleiro com temáticas: senhor do anéis, futuro, medieval e etc.
    Enfim, acho que aquilo pode render algo bom ainda.

  2. Nossa, bem interessante.
    Talvez eu apareça por lá, nem sabia da existência dessa exposição.

    Só uma coisa que eu fiquei curioso: o povo todo jogou Fatal Frame em japonês??
    Pois onde eu lembre esse jogo nunca saiu do Japão (o que é uma pena, pois sou fã da série e tenho o Wii).

  3. Um DVD ripado com World of Goo*, Crayon Physics Deluxe, Geometry Wars e Audiosurf tem muito mais qualidade que 90% dos jogos do PC à venda ultimamente.

    * Também é o carro-chefe do WiiWare. Embora não consiga imaginar como jogar aquilo com o Wiimote…

  4. Contra,

    O povo jogou o Fatal Frame em japonês mesmo e pelo que pude notar, ninguém nem ligou. O pessoal se divertiu assim mesmo.

    E Thales, no Wii o wiimote assume o papel do mouse, provavelmente.

  5. Bom, hoje eu finalmente fui nessa exposição.Se não importar, vou comentar um pouco como foi e comparar com a sua experiência avcf.

    Cheguei lá umas 11h e fui embora umas 19h.
    E me surpreendi bastante, principalmente por ter sido bem diferente em certos aspectos do que aconteceu contigo.Talvez seja porque foi dia de semana e tu foi sábado.

    A começar pelo Mario Kart: o que era aquilo??Tinha fila de espera de ate 1:30h.Todo mundo queria jogar uahuaha.Muita gente ate acabou desistindo de tanta espera, só que nisso ja entravam outros euforicos para se increverem e jogarem também.E o público era variadissimo.Era mulequinho de uns 10 anos para la, eram garotas de uns 16 anos pra ca.Tinha até uma hora la uma tiazinha, devia ter seus 40, que foi na onda do filho e também jogou.

    Fifa Street também, teve filas gigantescas, mas depois ficou estranhamente deserto ja perto da noite.Acho que a mulecada tinha que ir dormir uhauauahhu.

    Já Fatal Frame foi modesto, não teve fila nenhuma o tempo todo que estive por lá.O que é bom, pois eu como fã da série fiquei um tempão jogando uahuah.Só matava ser em japônes =x como você disse.Outra coisa curiosa é que a maioria esmagadora do público do jogo foram mulheres, em especial adolescentes.Tinha até uma menina lá viciada para cacete, pqp.Quando eu cheguei ela estava la jogando, e quando fui embora, também.Acho até que zerou o jogo ali, não é possível.Parece que esse jogo atrai gente doida uhauaua.

    Little Big Planet foi fraquissimo comparado ao que você presenciou.Não teve fila hora nenhuma, e tinha vezes que era vazio.Aliás, aquele andar era vazio.O World of Goo também era deserto, e eu mesmo só vi uma pessoa jogando desde de que eu cheguei por la.Inclusive, era um senhor ja de idade.O único dali que ainda teve certo apelo foi aquele Crayon “não lembro o nome”.Que as vezes tinham umas 3 pessoas.
    Impressionante, ja que até Katamari (que não é ruim) teve uma pequena fila.

    Quanto ao Electroplankton e o PixelJunk, concordo com você, já que inclusive esse Pixel eu joguei no meu PS3 e achei em certas partes enjoativo.O Electro eu nunca tinha visto, já que não tenho DS ainda.Mas pelo vi, não é la essas coisas também, até porque não é bem um jogo.Embora ambos tiveram certa popularidade, principalmente com crianças.

    Halo foi mais modesto do que pensei que seria.
    Houveram filas médias, inclusive eu joguei uma hora la.
    Mas enche o saco, porque tinha hora que parecia lan house, com aqueles caras gritando.E realmente, boa parte era tudo muleque.Tinha um ou outro que eram mais velho, com uns 20 anos, mas a maioria era la pros 14.

    E por último: Portal, que inclusive eu nunca tinha ouvido falar, foi uma ótima experiência para mim.Achei bem criativo.Mas não aproveitei muito, porque esse teve filas periodicas, então quebrava o clima do jogo, e as vezes eu tinha que recomeçar do zero.

    Quanto a outras coisas, eu não vi tudo.Só o vi o sem graça quadro sonoro, o Velvet Strike que também era zuado e o World Skin.
    Eu queria ter visto o KinoArcade e o BioBodyGame ( que mesmo lendo a cartilha de entrada e vendo, não entendi como funciona), mas ambos tinham filas o tempo todo.E eu acabava indo fazer algo ate alguem sair, quando voltava aparecia mais gente….então acabei nem indo.

    Bom, é isso.
    Gostei bastante dessa exposição .
    Recomendo também a todos que passem por lá.

    Agora, já me alonguei demais xD.

  6. Isso foi quase um post, hehe.

    Sua experiência foi de fato distinta da minha, embora tenha notado algumas semelhanças em partes do que você contou. Ademais, é uma boa exposição, com coisas interessantes e foi legal que você tenha se interessado em ir.

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