Histórias de gamer: brigas istas de minha vida

Saudações, jovens do Brasil.

Desta vez, esta postagem será um pouco diferente das que vocês costumam ler aqui no Loading Time. Ao invés de ter alguma análise de jogo, história, críticas, etc, eu contarei algumas experiências que creio que vocês já devem ter vivenciado de modo semelhante. A razão do sub-título “brigas istas de minha vida” é referir-se aquelas discussões extremente nerds e inúteis que todo mundo já viu ou participou. “Ahá! Então quer dizer que você admite ser um ista?” Bom, eu admito sem vergonha nenhuma que até parte de minha adolescência fui um nintendista (aos seguistas que se doem com os textos do blog: isso tem cura, meus queridos),isso motivou as situações engraçadas que descreverei adiante. Na sequência do link eu contarei de forma resumida algumas dessas histórias que de alguma forma ficaram na minha memória e me marcaram.

Ninja Gaiden vs Shinobi

Como disse no primeiro parágrafo, fui nintendista durante parte de minha vida (repetindo: isso tem cura, caros fanáticos), porém, isso nunca impediu que eu aproveitasse os consoles da Sega. Várias e várias vezes eu fui na casa de um eterno amigo meu gastar umas boas horas de Genesis, terminando games como Pit Fighter, Captain America and the Avengers, Sonic, Xmen 2: The Clone Wars, além de um piratinha com uns esportes como volei e futebol. Ainda tinham outros jogos que não me lembro de cabeça, mas um deles causou diversas discussões: Shinobi.

Naquela época eu era um feliz proprietário de um NES, console que permaneceu comigo até 1995, quando pude adquirir um Super Nes. Enquanto a referência de jogos de ninja para quem estava do lado da Sega era Shinobi, para quem tinha um Nes, o clássico desse “gênero” era a trilogia Ninja Gaiden. Um impressionava principalmente por suas animações incríveis para o padrão 8-bits, além das fases que eram tão difíceis quanto cativantes. O outro tinha gráficos “iguaizinhos aos do fliperama”, capazes de fazer o Nes passar vergonha, além de também ser difícil. Aí começava um dos embates mais imbecis de minha vida, obviamente que vocês sabem de que lado eu estava.

De uma hora para outra, o maniqueismo tomava conta da cabeça e Shinobi passava a ser o representante do “inimigo”. Argumento geniais e bem fundamentados como “Shinobi é babaca” ou “esse jogo é ridículo” davam o tom nas defesas em prol de Ryu Hayabusa. Do outro lado, uma discussão igualmente equilibrada: ‘Ninja Gayden esse aí”, “Só tem bonequinho pequeno”, entre outras coisas nesse tipo de linha. Enfim, vocês sabem como esse tipo de discussão termina, ou seja, do mesmo jeito que começou: no mais absoluto nada. Claro que os dois jogos tem suas qualidades e virtudes, mas eram bastante distintos em suas propostas de gameplay, tornando qualquer comparação direta inválida.

A vida prosseguiu, continuamos amigos e posteriormente arrumamos outras discussões imbecis para perder tempo. Eu fui para o Snes, depois para o Nintendo 64, e ele comprou um PS1 e depois PS2, e por aí vai. Mas essa do Shinobi eu não esqueci mais.

International Superstar Soccer 98 vs Fifa 98: Road to World Cup

Na minha humilde opnião, os jogos de futebol para videogames se separam em antes e depois de ISSS/Winning Eleven. Fifa 94 era muito bom na sua época e foi a primeira franquia de futebol a ter realmente qualidade (os jogos de futebol anteriores a Fifa eram muito ruins, convenhamos), mas não era páreo para ISSS e ISSS Deluxe. Quando a era 3D estava começando, os jogos esportivos foram um dos primeiros gêneros a entrar na dança, em especial a linha sports da EA, com Fifa, NHL, NBA, etc. O problema é que a série Fifa começou muito mal nesse quesito, pois quem não se lembra do patético Fifa 96 com seus bugs mil, jogabilidade travada, gráficos horrorosos e os goleiros mais burros da história do desporto mundial, que batiam tiro de meta contra a próprio gol ou contra a cabeça do primeiro adversário a sua frente (atire a primeira pedra quem nunca usou isso contra a cpu) ?

Em 1997 foi lançado International Superstar Soccer 64, quem vivenciou aquela época sabe o impacto que foi para quem curtia games de futebol. O jogo dava um banho em Fifa 96 e 97, até humilhava em alguns aspectos, a Konami mandou muito bem naquele jogo. No ano seguinte meu irmão ganhou o Fifa 98: Road to World Cup e alguns meses depois ganhei de aniversário o ISSS 98. Começava a briga ali, com um “fifista” de um lado e um “internationatista” do outro. Desde que Fifa se tornou 3D, nunca consegui engolir aquele gameplay esquisito e robótico dele e já achava ISSS/WE superiores, mas isso não foi suficiente para converncer meu irmão, que gostava horrores daquele troço do FF 98.

Foram meses, quiçá anos de uma discussão eterna, sobre qual dos dois esportivos era o melhor. Desta vez os argumentos eram um pouco melhores que da história anterior, mas ainda sim tão imaturos quanto. O mais engraçado era uma estranha necessidade de provar a todo custo que o título preferido era o melhor simplesmente porque…era o melhor (como se ganhássemos algo com isso). No fim, após anos de insistência, meu irmão reconheceu que a série de futebol da Konami evoluiu bem mais que a da EA, e até a versão 2008 WE bateu Fifa todos os anos (me parece que a versão 2009 a história está começando a mudar). Ambos percebemos também a bobagem que é brigar por causa de jogos e até já tirei umas partidas com ele nos WEs do Playstation 2.

Sim, amigos, vocês já devem ter percebido que é esse o comportamento típico de qualquer ista, seja em 1998 ou hoje, dez anos depois. É por isso que eu tiro sarro dos istas que se incomodam com os fatos que exponho aqui, porque sei exatamente como é e porque eles agem dessa forma. Sei também que alguns casos são apenas aquela fase meio abobalhada que mais comumente acomete aos adolescentes, é uma coisa que pode passar. O amadurecimento me fez ver, aos poucos, a diferença entre ter minhas preferências e defender algo de forma fanática, idiotamente apaixonada. Me fez ver também que podemos perder muitas experiências legais por conta de uma visão de mundo miope e estreita, que nos impede de avançar contra o que nós mesmos pré-estabelecemos.

É isso, se eu lembrar de mais histórias como essas que contei nesse texto, eu escrevo outros ” brigas istas de minha vida”. Por outro lado, se alguém quiser mandar as próprias, o espaço dos comentários está aí para isso. Abraços e até a próxima postagem.

André V.C Franco/ AvcF – Loading Time.

10 thoughts on “Histórias de gamer: brigas istas de minha vida

  1. Eu não cheguei a ter esta fase, porque só fui ter meu primeiro video-game (Snes) aos 18 anos, antes eu só jogava na casa de amigos, então aproveitei Mega-Drive, Master System, Snes e PlayStation igualmente. Depois com a emulação e outros consoles que fui adquirindo fui conhecendo melhor os consoles e jogos, mas nunca cheguei a ficar preso a marcas.

    Mas é engraçado, se você gosta de Mario ou Zelda por exemplo e defende o jogo você é taxado imediatamente de Nintendista. Se for Sonic e Phantasy Star, seguista. E assim por diante.

    Mas a verdade é que eu gosto mesmo é de jogos.

  2. Naqueles tempos eu tinha um grupo de amigos, somando todo mundo, tínhamos Nes, Snes,Genesis e 3DO para jogar, então havia pouco espaço para ismo. As vezes tinham algumas discussões sobre fulano ser melhor e mais legal que ciclano, mas no fim todo mundo jogava tudo. Era a mesma coisa na locadora.

  3. Fifa 98 classico ate hoje me lembro do quanto gostava e q achava bizaro ter a liga da Malasia e nao ter times brasileiros XD
    e o FIFA 07 e o 08(pra pc o 08)
    são os melhores fifas na minha opinião

  4. Mto boa ! eu também fui nintendista extremista! Com 13 eu tive um Phanton system gradiente com direito a adaptador pra fita japonesa e game genie (Nem lembro mais como se escreve isso rs). Com 16 eu consegui meu primeiro SNES que custou uns 2 salários de boy mas comprei fresquinho ainda. Discutia frenéticamente com os amigos seguistas e queria morrer se alguem comparasse master system e mega drive com nes e snes. Tive 2 modelos de gameboy classico e comprei um gamegear pra jogar MK1 colorido com sangue hahaha. foi tosco.. mesmo achando superior a tela ( Cor e luz de fundo pra jogar no quarto a noite de luz apagada) ainda batia o pé no gameboy. Até que um dia eu comprei um N64 e meu amigo o PS1… perdi a discução quando vi resident evil 2 e começou o final da minha epoca nintendista. Por falta de tempo por causa do trabalho, comecei a investir nos portáteis… com o gameboy advanced e alta eu tava quase apostando na nintendo outra vez ate que lançaram o DS e o PSP… nem precisa pergutar qual foi o video game que eu comprei… DS é “bonitinho” com telinha de toque.. mas aquela “Telona” ignorante do PSP me conquistou hahaha
    abs

  5. Comecei nos jogos eletrônicos com um atari,mas quem me introduziu(Epa!) no mundo dos games foi a sega,por isso ainda hoje tenho o carinho especial por essa empresa,mesmo ela estando longe de seus momentos gloriosos.
    Mesmo sendo fã da sega,isso nunca me impediu de jogar em console da nintendo ou da sony.
    E cara,desculpa, mas dando um olhada nos post anteriores deu pra perceber que a tua doença “nintendismo” ainda não foi curada e tu pode me acusar de fanboy da sega( sou mesmo,e daí?)mas tu tem uma implicância braba com a sega.

  6. ARPN,

    Implicância braba? E o que eu vou dizer agora para as caixinhas do Sonic Adventure 2, Sonic Advance, Sonic Rush e Sonic Rush Adventure? Puxa vida, terei de magoá-los… 🙁

    Se você se refere aos textos do especial 10 idéiais idiotas, parte é só “alopragem”, eu exagero na acidez mesmo. Afinal, esse é o sentido do Bad Trip. Por outro lado, você tem o direito de me achar parcial, mas fanático, não mesmo.

    Abs.

  7. Então tá beleza cara.Não sabia que a proposta da “bad trip” era essa,apenas senti que muitas vezes você pega pesado com a sega e seus fãs.Um exemplo é quando você chamou o dreamcast de infeliz, apenas acho que o dreamcast foi um console injustiçado.
    Sou fã da sega, mas não sou fanático.Estou ciente dos erros cometidos pela empresa e torcendo para que um dia ela volte ao lugar onde nunca deveria ter saído.

    Abraços.

  8. Ah…aí você se referiu ao especial mitos da sega, ali o contexto é um pouco diferente, é mais sério (embora eu fale a verdade em todos os meus textos). Chamei o Dreamcast de infeliz porque ele foi o console errado na hora errada, por todos aqueles pontos que foram discutidos lá.

  9. Seria interessante ver um “especial mitos da nintendo” ou um “especial mitos da sony”,só que dessas vez mostrando todos os lados da coisa.Posso estar errado mas senti que em alguns momentos você mostrou apenas o lado negativo da sega.

  10. Se não me engano, você é o terceiro que me pedir um “especial mitos da Nintendo”, eu já até levantei algumas coisas, mas não pude me aprofundar ainda. No material bibliográfico que disponho, tenho algumas coisinhas que incomodariam os nintendistas (que alguns insistem em dizer que sou).

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