Game design: meu encontro com Einstein

O chamado de Einstein

Saudações aos estimados.

No post de hoje falarei sobre algo que gosto bastante de fazer, que é design de personagens. Neste semestre fui embuído entre outras coisas a ajudar meu grupo a desenvolver um game para web. O tema era fechado, cuja escolha se dava entre alguns contos literários. Escolhemos então o conto “Encontro com Einstein”, de Dino Buzzati. Mais após o link.

Quando se começa a bolar um jogo, normalmente divide-se em três caminhos iniciais: o roteiro, o visual e a mecânica. No roteiro não tinha muito como ser original, e o caminho foi adaptar a história contada na obra literária. No caso, consistia em uma narrativa de realismo fanástico, em que após estar caminhando pelas alamedas da universidade de Princeton, Einstein exerga o espaço curvo por alguns instantes. Nesse momento, o físico se depara com um tótem de posto de gasolina, que nunca havia visto antes. Lá ele avista a figura de um negro alto e fisicamente avantajado, que aborda Einstein e se apresenta como Íblis, um anjo da morte enviado para levar o físico desse mundo. Einstein então argumenta que está no final de uma importante pesquisa e pede mais algum tempo para ao menos terminá-la. O demônio se mostra interessado pelo trabalho de Einstein, então lhe concede um mês para finalizar o trabalho científico. É justamente nesse período que o jogo se foca, cabendo ao jogador realizar uma série de quebra-cabeças divididos em três fases. A quarta e final fase era um game de plataforma, que o jogador tinha que pular por uma série de obstáculos para chegar em casa a tempo, ou então ser engolido por um terremoto.

Pois bem, antes de mais nada era preciso definir o visual geral e o design dos personagens, em que optei por um estilo cartoon, que por sinal combina bastante com jogos para web (proposta do jogo, afinal). Como disse antes, a maior parte do jogo seria jogado via quebra-cabeças, então só haveria um personagen de fato aparendo na tela, o próprio Einstein. Portanto, me foquei primeiro em como seria seu desenho. Após vários rascunhos, cheguei a quatro modelos iniciais:

Einsteins

Percebam a mudança a que o personagem foi se submetendo. Os dois primeiros (da esquerda para a direita) ainda eram muito atrelados as imagens que peguei do Einstein (aquelas fotos antigas, a maioria conhecidas), um realistas demais para o que precisava. O terceiro já ficou bem mais cartoon, mas saiu um pouco arredondado demais, mas era o “quase”. O quarto também não era o ponto, mas atingi a expressão que queria com ele, embora seu corpo estivesse desproporcial até para os padrões cartunescos.

Bom, vários desenhos depois e uma mistura do terceiro com o quarto, enfim saiu o Einstein definitivo:

Einstein final

Ai sim era o personagem em que trabalharíamos no jogo. Mas faltava o vilão, que precisava ser uma figura imponente e diabólica, que gerasse um contraste imediato com o pequeno e indefeso Einstein. Os primeiros testes com Íblis saíram assim:

Íblis

É visível o desequlíbrio nos três desenhos. O primeiro mais parece um sub chefe de um beat em up. O segundo era ainda muito forte em cima, mas parecia ter pernas de bailarina. O terceiro já estava mais encaminhado, mas ainda longe daquilo que considerava ideal. Vários e vários desenhos depois cheguei a versão final:

Íblis final

Aí creio que ele ficou um vilão de respeito, um vilão que precisava impor medo ao pobre Einstein. Seu design coube meio ao estilo cartoon e seu exagero físico ficou dentro do aceitável. Bom, mas desenhar personagens é apenas parte do trabalho que você tem quando cuida do game design de um jogo. Havia também a necessidade de colocar nosso querido Einstein para movimentar, já que havia pequenas intros animadas em certas partes do jogo.

Como animar o personagem? Horas, botando a mão na massa, quadro por quadro, como nos exemplos abaixo:

Einsitein andando
Tem outros de onde vieram esse…

Infelizmente não tenho como mostrar essas animações em movimento, pois todas foram compiladas na forma de movieclips do Flash, impossível de rodar aqui no blog, além de que não foram exportadas em algum formado de video que pudesse ser postado aqui. Mas ainda sim dei um jeito de mostrar um trecho em forma de slides:

Abertura
Após iniciar o jogo, nosso simpático Einstein está caminhando pelas alemedas da universidade de Princeton. Era um bucólico fim de tarde, quando de repente o físico tem um estalo e se lembra de algo importante.

Já apartir daí o jogador começa de fato o jogo, tendo que superar a primeira fase com puzzles. Após isso o jogo vai para o escritório de Einstein, em que o jogador pode acessar as demais fases.

Não colocarei mais coisas para não tornar o post mais longo do que já está. O Chamado de Einstein foi um trabalho em equipe, em que fiquei responsável pelo design dos personagens e pelo visual geral. No fim das contas meio que as terefas se diluiam um pouco, mas é mais ou menos por aí. Isso porque se trata de um web game simples com quatro fases e mais algumas coisas. Um trabalhão só, sem dúvida. Isso para vocês terem uma idéia relativa de como funciona o design de games na prática. Por outro lado, como o design está na veia, fiz essa brincadeira para simular como seria o jogo se fosse lançado realmente para um console:

Capa Einstein DVD
Será que deu para enganar?

No caso de precisar, até fiz uma animaçãozinha do logo da “empresa” responsável pelo projeto:

Phoenix Team

Bom, amiguinhos, vou ficando por aqui. Se for o caso, e se quiserem, eu posto um pouco mais de material em um post seguinte, mostrando um pouco mais do processo do game design. É isso.

Abraços e até o próximo post.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

22 thoughts on “Game design: meu encontro com Einstein

  1. Muito interessante esse post.
    Então, só para confirmar: game design é isso então??Planejar o design do jogo ( como serão os personagens, cenários, etc) e seu roteiro??
    Eu achava que game design englobava toda a produção do jogo, até mesmo a parte de programação.

    Desculpa se a pergunta é meio besta, mas eu sempre tive dúvida nisso.

  2. Game design é uma terminação um pouco vaga mesmo, pois se desmembra em coisas como character, level, mission (sim dependendo do caso tem até quem projete as missões ou tarefas do jogo), etc. Programação é algo meio separado, assim como o som. Infelizmente sou fraquíssimo na programação, então meu negócio se dá na área artística e de planejamento (afinal design é projeto).

  3. Porque ele é exatamente descrito assim na obra original.Agora não tenho o texto aqui para pegar um trecho, mas se você procurar por “Encontro com Einstein” na web e achar uma versão para lr, verá que Íblis é assim na história.

  4. Muito bacana AVCF, conheci o blog há pouco tempo, indicação de um amigo meu que veio logo dizendo “rapaz, finalmente um blog sério sobre jogos”. Faço faculdade de Design e uma das minhas pretensões é me embrenhar na área de games, por isso dou meus parabéns e até peço que mais matérias assim aparecem por aqui. Hehehe, ainda mais se forem da parte artística, criação ou planejamento!

    Abraços.

  5. Valeu pelo elogio, Berjê. Acho que acabarei fazendo um post complementar sobre esse projeto, pois algumas coisas ficaram de fora. Acho que dá para falar um pouco mais sobre o processo da capa.

  6. a tava revendo o negao ali avcf,e fiquei pensando…
    se esse jgo for lançado na web,vc nao acha q o simbolo do NEW YORK YANKEES nas costas dele podem resultar em algum problema?

  7. Claro que sim, mas como não se trata de um jogo comercial eu me dei essa liberdade. Se fosse um projeto “sério” haveria a questão dos direitos autorais. Eu usei o logo dos Yankees só para dar um caráter esportivo as roupas do Íblis.

  8. Única coisa que achei estranho foi a cor do Íblis.
    Po, aquilo não parece ser um negro, parece uma tora de carvão mesmo.Podia ser um tom um pouco mais pro marrom, assim como é de verdade.
    Pelo menos eu nunca vi casos de negros tão “negros” assim uahuaha.

  9. cara, sério.. eu te invejo!
    qdo era mais novo queria trabalhar com isso….. não com a parte de design em si, pq não sei desenhar, mas com parte de projetos de jogos….
    o jogo ficou LEGAL PRA CARAMBA!!!!
    salva uns .gif pra gente ver o/

    ah sim, quando ficar pronto, coloca no blog o/

    ah, o outra coisa, a primeira imagem e a capa do dvd não aparecem aqui…. só o X vermelho…

  10. @Edwazah

    Um designer não precisa ser um ilustrador talentoso, apenas precisa entender sobre ilustrações (iluminação, sombra, etc). Até porque muitas vezes irá se trabalhar em equipe.

    @avcf

    Bacana o projeto, e a capa engana bem sim.

  11. Meu filho está crescendo. Isso aí garoto, vejo um futuro promissor. Em pensar que os dois que brotaram do Design seguiram caminhos bem diferentes, mas inversamente igual. Interessante…

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