Game Contraste – Streets of Rage 2 (Genesis)

Saudações humanos digitais.

Reposto aqui mais um texto da seção Game Contraste, aquela que analisa belos jogos com capas ruins e vice-versa. Hoje mais um game da era 16-bit, mas desta vez do Genesis: Streets of Rage 2. Esse texto foi originalmente publicado pelo meu amigo Jvguedes (por onde andas, João?), se encontra na íntegra após o link. Abraços e até o próximo post.

Filho do saudoso Genesis (ou Mega Drive) e nascido em 1993, Streets of Rage 2 foi e ainda é um dos melhores beat ‘em up já feito, porém também é dono de uma das piores capas até então. Para começar a retalhar essa incrível arte renascentista, vou lhes contar uma história, mas não se preocupe que é menos sonolenta que antialérgico.

Era eu um jovem tolo e sem perspectivas quando entrei na locadora atrás de alguma diversão barata. Ao olhar para o estande lotado de jogos ruins, me deparei com essa capinha estranha e sem emoção. É interessante notar o quanto algo pode ser tão desanimado. Parece uma composição de maus atores congelados em poses sem expressão alguma. Pois bem, mesmo assim confiei no meu instinto, já que na semana anterior tinha jogado James Pond na Eletronic Arts, nada poderia piorar.

Logo ao ligar o jogo a primeira confusão: se o cara grande e forte da capa é careca, porque no jogo ele tem belos cabelos negros? Seria o artista um tarado por homens carecas a ponto de mudar Max Thunder ou apenas é um incompetente que nem sequer checou suas referencias? Bem, independente da resposta, nada justifica o fato dele ter pernas finas e menores do que o corpo. Para acrescentar mais à destruição, porque ele está com cara de “comi ela ontem” enquanto admira seus músculos? Será que isso foi uma tentativa de simular um movimento de ataque? Essa pergunta permanecerá sem resposta.

Abaixo de Max está o que supostamente deveria ser a Blaze Fielding, porém com este cabelo de Mel Gibson em Máquina Mortífera nos confunde. É uma beleza o balé formado pelas poses congeladas dos personagens, porém com ela é especial. Olhando para sua mão fechada, parece que essa ficou segurando um cabo durante horas para que a pintura fosse feita. Acho que jamais presenciei pior voadora na história dos games. Até hoje tento adivinha aonde e como ela acertou o cara.

Liderando o grupo está Magaiver! Com certeza o artista era fã da série e prestou aqui sua homenagem alterando o rosto de Axel Stone para seu ídolo. Porém na capa Magaiver não poderá fazer seus explosivos de banana com paçoca, pois possui braços muito pequenos. Aliás, acredito o inimigo se assustou e jogou-se ao chão ao deparar-se com o Magaiver em pessoa, pois este jamais perderia.
Fora isso, temos Eddie “Skate” Hunter tentando forçar um peido no fundo, roupas bregas, alguns grafites sem graça no muro e uma total composição de inutilidades. Claro que eu ignorei a capa ao iniciar o jogo, pois como todos sabem, este não têm nada de ruim.

Streets of Rage 2 mostra os personagens citados acima tentando salvar o amigo Adam Hunter do misterioso Mr. X. Sinceramente eu já finalizei este jogo centenas de vezes e jamais prestei atenção à história. Não que esta não seja importante, é que ela não é nem um pouco importante. Basta saber que Adam era personagem do primeiro jogo, foi seqüestrado, Skate é irmão mais novo dele e o grandão invocado é amigo do Magaiver. Agora todos querem encher a porrada nos inimigos e salvar o dia.

O que torna o jogo bom além de poder usar das espadas, facas, bombas e canos de ferros? A jogabilidade. Cada personagem possui sua técnica individual e bem trabalhada. Além dos famosos especiais que são devastadoras, porém tiram um pedaço de sua vida, a variedade de seqüência durante um combo que fazem desse jogo interessante. Aperte duas vezes para frente e soco durante um combo para dar outro golpe, ou simplesmente agarre algum infeliz e faça o que quiser. Nunca foi tão divertido bater em vilões genéricos.

Os inimigos são os velhos conhecidos. O gordo está presente, os pentelhos na moto, os caras grandes e fortes, os ninjas, kickboxers, karatekas e até garotas de cabaré. Uma verdadeira fauna para se bater. Destaque especial para os nomes, como Galsia (seria Garcia?) e todos os animais possíveis para os lutadores de artes marciais.

Resumindo, Streets of Rage 2 é um jogo obrigatório para ter-se na LIVE ou no Virtual Console. Porém se puder escolher no Xbox 360 você poderá jogar esta maravilha online com outro perdido. Como de costume perderei essas três linhas avisando os infelizes que não jogaram, a fazer algo melhor do que olhar o microondas ligado e gastar dinheiro em brigas de galo. Só por favor, não olhem a capa.

João Vitor Guedes – Loading Time

Publicado originalmente em 11 de outubro de 2007

4 thoughts on “Game Contraste – Streets of Rage 2 (Genesis)

  1. Já eu o acho meio “carne de vaca”. Devo ser o único a achar o Bare Knuckle III (a versão japonesa do Streets Of Rage 3, que não sofreu cortes como a versão ocidental) o melhor da série.

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