Game Contraste: Saint Seiya Chapter Sanctuary (Playstation 2)

Saint Seiya

Saudações aos convalescentes.

No post de hoje falarei sobre não apenas uma experiência ruim que tive no mundo dos games, mas de uma grande decepção. Melhor ainda: uma enorme enganação. Me refiro ao contato que tive com o game do título do texto, Saint Seiya Chapter Sanctuary, lançado em 2005 para o Playstation 2. Sigam-me.

Quem foi criança nos anos noventa do século passado se lembra: quando se tratava de fenômenos de audiência com a molecada, a extinta TV Manchete não tinha para ninguém. Mestra em pegar os seriados japas que faziam a sensação com a gurizada, me lembro bem no auge dos meus dez ou onze anos quando eu liguei a tevê e assisti pela primeira vez um desenho chamado “Cavaleiros do Zodíaco”. Mesmo quem não viveu aquela fase em loco tem noção do tamanho da febre que aquele troço virou. Aí foi aquele processo que sempre ocorre no Brasil quando um produto alcança grande sucesso: é explorado até o limite, chegando ao ponto da saturação, até depois ninguém alguentar mais. Pois é, além das tradicionais camisetas e bugigangas, chegou-se a cara de pau de lançarem um constrangedor CD de temas em português. Quem não se lembra de clássicos do cancioneiro trash como “Marin/me ensinou a lutar/e assim…”, “Tem sempre alguém no cosmo ajudando o cavaleiro a vencer/Só o vencedor pode vestir sua armadura de ouro”, descambando para o campeão da vergonha alheia “Rap do Zodíaco”.

Outro ícone daquela fase foram os malfadados bonecos, que vinham naquela desajeitadas caixas com isopor dentro, verdadeiras coqueluches da criançada (putz, termo de tio, isso). Era um verdadeiro teste de paciência e precisão conseguir brincar sem que caísse uma das diversas peças que faziam parte das armaduras , isso sem contar que era uma beleza para perder as menores, que costumavam ser de plástico e tinham a incível capacidade de sumir. Isso piorava consideravelmente no caso dos bonecos vindos do Paraguai, que por sinal eram bastante comuns, haja vista o preço caro que cobravam pelos originais japoneses. O problema era tamanho que ouvi histórias de gente que até criava esquemas com durex e cola para brincar com os bonecos e poder simular as lutinhas do seriado sem que as armaduras despencassem.

Mas mesmo com um universo vasto de tranqueiras licenciadas, havia um produto que eu sentia falta: um videogame. Como não dispunha de internet, somente anos depois eu descobri que haviam dois games de NES e um de Gameboy (por sinal, todos muito ruins), por isso passei muito tempo de indagando como seria um game com Seiya e cia. Ficava imaginando também como ficaria legal um game de luta ao estilo Street Fighter, ainda mais com aqueles golpes especiais espetaculosos do anime. Até por isso, cheguei a criar expectativa com aqueles projetos de Mugem que só vão do nada para o lugar algum. Até que finalmente anunciaram um game para o Playstation 2.

No material inicial parecia promissor, haviam fotos com personagens em um 3d convincente, tinha potencial. Embora soubesse que as chances do jogo sair fora do Japão eram pequenas, eu sabia que acabaria caindo na mão pessoal via pirataria mesmo, já que ninguém se importaria em jogar em japonês. E foi o que aconteceu mesmo. Logo que o jogo foi lançado, eu vi dezenas de caixas com a versão japonesa a venda no bairro da Liberdade (algumas originais, outras nem tanto), e o jogo “bombando” nos melhores camelôs. Isso atiçou a minha curiosidade, pois eu não havia visto nenhum review nem nada e estava curioso para saber como ficou o jogo.

A capa, embora não seja nenhuma revolução do design gráfico, cumpria bem o papel óbvio de exibir todos os personagens em suas reluzentes armaduras, todos com suas posições de conteúdo. No centro, Seiya em maior destaque, com sua pose de “olha mamãe, eu dou soco rindo”. A estrutura gráfica funciona, com suas três colunas quase simétricas com cavaleiros de ouro a esquerda, Seiya ao centro, e demais cavaleiros de bronze na direita.Também ao centro, mais mais acima está a deusa Atena (certamente a deusa mais frágil e inútil de todos os tempos, pelo menos no anime). Logo bem posicionado, tudo graficamente resolvido a contento.

Já o jogo mesmo…que desastre. Até começa bem, com uma bem produzida versão em computação gráfica pré-renderizada da abertura clássica do desenho, cujo mérito era enganar o tempo suficiente para fazer alguém comprar um troço desses. Quando o jogo de fato começa, percebemos que se tratava de uma exploração da batalha das doze casas, então o jogo se baseia apenas em enfrentar os cavaleiros de ouro e só. Se o gameplay fosse competente, eu não ligaria, mas como o jogo é simplesmente horrível, era duro de conseguir ter vontade de seguir adiante.

As lutas eram pavorosas, com movimentação dura e desengonçada dos bonecos, lembrando em alguns momentos um balé de bêbados. A jogabilidade respondia muito mal e era um suplício tentar fazer alguns dos toscos combos dos cavaleiros. Era até estranho que baseado em um desenho cujos personagens travavam batalhas épicas, o jogo só tivesse golpes especiais medíocres. Por falar neles, a atração maior das lutas era tentar encher a barra de especial (isso se o oponente não ficasse sentado tomando um café enquanto te esperava) para aplicar os golpes “assinatura” dos cavaleiros, como o Cólera do Dragão do Shiryu ou o Execução Aurora do Hyoga. Aí o jogo ficava sensacionalmente chato, pois caso acertasse, o jogo então parava para tocar uma animação com toda aquela firula que os personagens faziam para realizar a técnica. Se eu quisesse assistir uma animação, eu simplesmente assistiria o anime, até porque eu não precisaria ficar feito um bobo segurando um joystick em frente da televisão.


A única coisa que presta do game

Esse é o tipo de artifício eficaz para enganar a geração playstation, mas para qualquer um que realmente goste de jogar e não assistir videogame, isso se torna um truque manjado em pouquíssimo tempo. O máximo que rola durante esse momentos é algum espancamento de botão para quem sabe seja possível rebater o golpe e assim…assistir de novo uma animação. O pior que é assim em TODAS as lutas do jogo. Esse tipo de implementação torna os golpes assinatura um elemento inútil no jogo, já que faz muito mais sentido adotar o pragmatismo e descer porrada no adversário na base dos golpes comuns mesmo. Lembram daquele esquema da época dos 16-bits que os jogadores ruins colocavam o controle sob a camisa e esfregavam frenetica e desconexamente todos os botões na esperança de ganharem as lutas? Essa manha funciona bem em Saint Seiya.

Nem tecnicamente o game se salva. Os gráficos são ruins mesmo para o padrão do Playstation 2, os bonecos são mal animados, as texturas nem de longe lembram o traço do anime, e as armaduras mais parecem o plástico das peças dos bonequinhos dos anos noventa. A trilha sonora é genérica e nem de longe tenta criar aquele clima e tensão das lutas do desenho animado. O jogo ate habilita alguns personagens extras, mas nada que possa consertar a porcaria geral que representa a experiência de jogo.

Saint Seiya até teve uma continuação, se não me engano, mas como o jogo é tão ruim, nem me dei ao trabalho de tentar experimentar a versão nova. Embora seja um game bem embalado e até com algum valor de produção, a verdade é que Saint Seiya é uma enorme decepção para aqueles que passaram anos esperando por um game de qualidade abordando aquele universo bacana. Quem sabe um dia acertem, mas nessa tentativa os desenvolvedores passaram muito longe do ideal.

Vou ficando por aqui. Abraços e até o próximo post.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

19 thoughts on “Game Contraste: Saint Seiya Chapter Sanctuary (Playstation 2)

  1. hehe, eu era extremamente viciado em cavaleiros tmbm (quem não era huahua) e tmbm ficava imaginando games deles. Quando joguei este game, a minha primeira impressão foi até boa, pois joguei em uma lan, mas depois de meia hora desisti e troquei o game hehe. Em casa joguei duas vezes só, achei o esquema de luta sem sentido, muito entediante, lento e travado. Depois disso nunca mais peguei o dvd.

  2. Eu me lembro que quando o jogo baseado no anime yu yu hakusho chegou por aqui(antes do desenho,eu acho),muitos acharam(inclusive eu :D) que era um jogo dos Cavaleiros do zodíaco.Esse do playstation 2 eu não joguei.Chegou a sair uma versão americana?

  3. “Esse é o tipo de artifício eficaz para enganar a geração playstation, mas para qualquer um que realmente goste de jogar e não assistir”

    Não é uma bobagem essa subestimação que existe com a “geração playstation”?

  4. Esse jogo é muito ruim!
    Você já viu que tem uma versão pirata desse jogo aonde trocaram as vozes de alguns cavaleiros (os de bronze) na hora das animações de golpes para a dublagem em português? “Me dê sua força Pégasuuuuu”
    Muito legal…

  5. eu tenho ele LEGENDADO em inglês (sumiu por sinal)… uma merda, a melhor coisa eram as fases bonus! o/ sair matando os soldados “ridler” haeueauhauheauaeh
    mas o legal é que o metre do santuário virou “the pope”, o death-mask (máscara da morte) virou.. MEPHISTO! sim a legenda segue o original em ingles, o que é uma merda….

    mas a versão hades ficou menos pior….. er, mais ou menos… ainda continua podre e pra soltar golpe especial leva eras… quando o inimigo não defende 🙁

    terminei o jogo e é ruim pra caramba….

    e eu me lembro de EU ter usado durex nos bonequinhos, além do meu shiriu ter quebrado o braço no mesmo lugar que no anime perdeu pro shura… o que até foi legal! 😀
    ainda tenho eles guardados hehehehehe

  6. “Os gráficos são ruins mesmo para o padrão do Playstation 2”
    E o padrão gráfico do PS2 é ruim? Ah, esqueci! Videogame com gráfico bom é o Gamecube e o Wii da Nintendo né?

  7. Juliano disse:
    “Os gráficos são ruins mesmo para o padrão do Playstation 2″
    E o padrão gráfico do PS2 é ruim? Ah, esqueci! Videogame com gráfico bom é o Gamecube e o Wii da Nintendo né?”

    cara o wii assim como qualquer vg tem uma evolução a cada ano nos graficos,e se vc acha q o ps2 tem gráficos melhores q o wii e gamecube,aff ser rárdecore e ista dá nisso!
    e outra se vc acha q o ps2 tem gráficos melhores q o wii e gamecube,vc nao viu o xbox e o dreamcast q eram muito melhores ~~

  8. eu tive o boneco de “bixite de Peixes”(apesar de eu ser libriano). O boneco era foda, se fosse pra ficar numa estante com estátua. Certa vez meu primo pediu-o emprestado e brincou que o meu boneco enfrentava o cavaleiro do fogo. Conclusão: ele queimou os braços do meu boneco!! Deu vontade de enchê-lo de porrada! O boneco custou caríssimos R$50,00 na época!
    Já os jogos….putz! TODOS são um lixo!!
    Os Animes são maneiros, mas você cresce e vê o quão infantil eram.
    Os mangás eram melhores. Tenho a coleção completa. E tenho também oito edições do Episódio G.
    Ninguém pode negar que o universo criado era fantástico, prova disso é que até hoje surge algum material CDZ, Mas convenhamos é muito repetitivo, sempre aquela correria contra o tempo para salvar aquela anta da Saori/Athena.
    Um rico universo, mas muito mal explorado. Pelo menos era muito melhor que Dragom Ball Z com aqueles guerreiros capazes de acabar com o planeta usando a pressão de um peido rasgado.
    Se querem um universo bom, assistam Code Geass, ótimo anime, pena que o final seja baseado naqueles clichês horríveis de animes japoneses.
    Fui! Fiquei fã do site.

  9. Poha, eu gostei do jogo, apesar de ser travadão e medíocre me faz lembra a época que eu assistia CDZ e Yu Yu Hakusho na Manchete. Eu to com a versão pirata e na hora do Especial é só: Me dê sua força Pegassuuuuuuuus!!
    Apesar de ter gostado, essa geração PS é foda, saudade da época do megão e do Dreamcast…Akilo sim era gráfiko^^

  10. eu concordo com o dante vocês podem falar o que quiserem mas pra mim ele é melhor que o the king of fighiter 2002.porque pelo menos no jogo dos cavaleiros do zodiaco para ps2 os bonecos podem se movimentar para qualquer parte da tela.

  11. Pra vcs que não curti o jogo dos cdz, são um bando de sem cultura……..se é fan mesmo, porque vai reparar no grafico ou movimentos.
    Se ta dificil, curti o jogo, porque vcs fecharam em?
    Antes de mete a boca no jgo pense, quantos jogos podres vcs ja jogaram ou estão jogando. se o grafico é podre e os movimentos é horrivel, jogam jogos de polistation pra ver se é melhor.
    Ficando por aki, se alguem reclamar do que eu disse, que se fodam……SOU FAN DOS CDZ E NÃO ME IMPORTO COM ESSAS BESTEIRAS.

  12. Desculpa esfarrapada de quem não sabe joga. Por que não reclama do tekken q não tem magia ou da KOF q joga com 3 personagens e até 4 em outras versões o q torna o jogo cansativo. Isso poderia servir de desculpa pra dizer que os jogos são ruins. Todos os jogos tem a sua características. Se tratando de um jogo q é basiado em uma estória ja existente ( no caso um anime) eles tem q criar uma jogabilidade q se adeque ao anime. concerteza uma plataforma 2D seria horrivel pra esse jogo. O gráfico pode não ser do melhores, agora você queria o que um gráfico de Gods of War, também é exagero. e quanto a jogabilidade, garanto a qualquer um q depois q se pega o jeito vc percebe o quanto o jogo é bom e é possivel exucutar muitas sequencias.e cada personagem tem a sua caractéristica. O jogo é muito bom ao estilo dele. q segue a forma de jogar utilizada em DB Budokai Tenkaichi 3. Agora se alguém tiver duvida q da pra se fazer um combate eu convido o criador do post a um combate, combate não, surra.

  13. o pior caralho de jogo de merda que eu ja joguei. é simplesmente uma porra, grafico de merda jogabilidade de merda e todo o resto tambem. caralho, que tipo de defesa de especial e feita com uma porra de um botão ? e que caralha faz com que o filha da puta faça um jogo tão lixo mas tão lixo de uma ótima série ?? puta que pariu alguém interna o filha da puta que fez essa merda pq ele realmente ta precisando. PORRA

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.