Game Contraste back: Street Fighter II e SF II Turbo

Saudações aos queridos freqüentadores deste distinto espaço em prol dos videogames.

Após algum tempo no limbo existencial, o Game Contraste está de volta e com uma novidade: desta vez foram analisados dois jogos ao mesmo tempo! E que jogos! Voltando a gloriosa era dos consoles de 16 bits quando os jogos bidimensionais estavam no seu auge e dominavam as televisões da molecada para desespero dos pais, avós, tios, professores, pedagogos, diretores das emissoras de TV, orientadores vocacionais, associações das senhoras da sociedade e outros seres que odiavam os videogames e não entendiam como nossas pobres criancinhas podiam perder o melhor de suas juventudes com aqueles joguinhos, e bem na hora da novela.

Os games de hoje são dois títulos que fizeram parte de muitas horas de jogatina que tive no meu saudoso Super Nes: Street Fighter 2 e Street Fighter 2 Turbo. Lá no inicio da década de noventa, a novidade mais quente dos fliperamas (eu sei que o nome certo é arcade, mas eu chamava de “fliper” na época) era Street Fighter 2, o jogo era incrível para a época com seus gráficos bem detalhados, ótimas animações, trilha sonora memorável, personagens que posteriormente foram dezenas de vezes copiados e o gameplay que se tornou praticamente parâmetro para o gênero. Era tudo tão legal que eu nem me perguntava do porquê do número dois do título (ainda bem), pois o primeiro Street Fighter é horrível.

Do lado dos consoles a novidade mais quente era o Super Nintendo, mostrado como o console que iria superar o Genesis em poder técnico. Seus primeiros games tinham efeitos que impressionavam a todos e logo à pergunta chave foi feita: seria o Snes capaz de rodar o incrível Street Fighter 2? A própria Capcom respondeu a questão assinando um contrato de exclusividade (que todos sabemos que não durou muito) com a Nintendo. Os proprietários do Snes teriam a oportunidade de “levar o arcade” para casa, nunca mais precisariam apanhar de malandros em fétidos fliperamas de botecos e rodoviárias além de esperar horas na fila atrás dos viciados que tinham a irritante mania de querer ganhar todas as lutas. E pior que os sacanas sempre ganhavam.

Pois não é que quando o jogo finalmente chega para o console eu me deparo com isso que vocês vêem aí em cima? Ainda gostaria de saber o que se passava na cabeça dos dirigentes da Capcom USA para contratar ilustradores tão ruins e que provavelmente desconheciam aquilo que tinham que retratar. Sério, olhem bem e se perguntem: que po#*$& é essa? Olhando essa monstruosidade faço vários questionamentos: Porque diabos o Ryu quebra a munheca durante a queda? De onde surgiu esse beco genérico? Porque retrataram a filha da Gretchen como se fosse a Chun-Li? Além de tudo isso ainda podemos ver toda a falta de noção de perspectiva do ilustrador ao desenhar o Blanka, aliás, não sei de onde ele tirou aquela expressão de psicopata dele.

A capa era tão ruim que preferíamos na época jogar o cartucho japonês que tinha uma ilustração de verdade e se aventurar nos ideogramas japoneses, se bem que texto era o que menos tinha em Street Fighter 2. Falando do jogo em si, a Capcom fez um excelente trabalho e a conversão beirou a perfeição, extraindo bem as capacidades do Super Nintendo. Toda a estrutura da versão original foi mantida com qualidade próxima, o único porém talvez fosse à jogabilidade que foi um pouco complicada pelos botões de ombro do joystick, mas as respostas eram perfeitas e todos os comandos funcionavam satisfatoriamente. Não colava aquela choradeira do seu amigo ruim que sempre dizia “ah, mas não saiu o Róriugueim!”.

Nem seria preciso dizer que Street Fighter 2 se tornou um enorme blockbuster e foi um dos jogos com maior vendagem do console da Nintendo. Sabida que é, a Capcom logo procurou maneiras de estender a vida útil da franquia sem, contudo precisar fazer um jogo novo, aí que começaram a surgir às famosas versões de SF 2. A primeira delas foi a Special Champion Edition, que a despeito do nome pomposo é o mesmíssimo jogo apenas com os quatro chefes controláveis, saiu para arcade e para o Genesis, para a alegria de seus proprietários (e tinha capa decente também). Pouco tempo depois mais uma versão foi lançada para Snes, desta vez batizada de Street Fighter 2 Turbo. Essa era uma versão mais trabalhada, com pequenas melhorias gráficas e diversas mudanças nas características dos golpes e dos lutadores, visando um maior equilíbrio nas lutas, além de maior velocidade de jogo (para justificar também o Turbo do título).

Aqui mais uma tradição foi mantida, a das capas horríveis. E essa conseguiu ser ainda pior. A má qualidade do traço foi mantida, com os desenhos em nada parecidos com as sprites do jogo, com o E. Honda usando uma toalha de cantina italiana para cobrir seus países baixos. Sagat ficou parecendo um velho deformado por anabolizantes, analisando seu perplexo e profundo olhar, ele parece estar pensando em qualquer coisa, menos no golpe que recebeu do adversário. No que será que o tailandês estaria pensando? Se é no aumento do preço do caju ou na vexatória derrota do Botafogo para o River, jamais saberemos. Pelo menos dessa vez o beco genérico foi substituído por um cenário que de fato está no jogo, embora nem uma criança coubesse naquela banheira diminuta ou o desenhista é doente o suficiente para ter feito uma pia no chão e achar normal.

Por fim acho muito injusto que essas duas “obras” ainda não tenham figurado nos rankings das piores capas de todos os tempos. Sim, existem coisas bem piores, mas uma posiçãozinha mediana até que eles conseguiriam. Ainda bem que a qualidade dos jogos é inversamente proporcional às suas capas, embora a franquia tenha sido meio maltrada nos últimos anos, ela sempre será clássica pela importância que tem. O Super Nintendo ainda teve o ótimo Super Street Fighter 2 (tem também para Genesis) e o excelente Street Fighter Alpha 2 em boa conversão, já no seu final de ciclo. Se você tem acesso ao Virtual Console do Wii, ao Live do Xbox 360 ou mesmo emuladores, jogue alguma das versões que citei aqui e seja feliz. Shoryuken!

14 thoughts on “Game Contraste back: Street Fighter II e SF II Turbo

  1. Nossa AvcF, eu nem lembrava mais dessas “capas” ( leia-se ATROCIDADES ). As vezes me pergunto: Não tinha mais ninguem para fazer as capas? Acredito que até tinha, mas a Capcom sabia que independente da capa, o jogo venderia muito………….. e ela estava certa!!! Acho que terei pesadelos à noite com essas imagens…….. AvcF, não se preocupe, não é só você que chama Arcades de Fliperamas. Bem vindo ao clube!!! Abraços

  2. Se refere a Street Fighter Alpha 2? É um pouco lento sim, mas dá pra levar legal na velocidade máxima. A Capcom espremeu o coitado do Snes ao limite, e acho que fizeram um bom trabalho. Claro que é inferior as versões 32-bits, mas ficou ótimo para o que o Snes era capaz de fazer.

  3. Complicado, veio uma capa na cabeça a do megaman do NES, aquela capinha é horrivel.
    Pra mim, o street fighter do SNES era fiel ao arcade, então o Killer Instinct do SNES é inferior ao arcade?

  4. Bastante inferior. O KI do arcade tinha uma série de efeitos impossíveis para o Snes, além de que os cenários rodavam em um tipo de falso 3D, uma espécie de FMV pré-renderizado.

  5. 😀
    é, mais no fim das contas acabou ficando um jogo legal, qualquer hora voce podia falar sobre o gradius 3. Eita joguinho complicado 🙂

  6. Geração 16-bits foi rica em shooters espaciais, além do Gradius 3, poderia falar do Axelay, R-Type, Thunderforce III, Zero Wing, Aero Wings e por aí vai…Eita época boa. Hoje eu me divirto com o Nanostray 2 no DS, ótimo game.

  7. Tái um jogo que nunca deixei de jogar. Até hoje jogo Street Fighter no PSP p/ passar o tempo. Arrisco até dizer que pode ser considerado o jogo de luta de todos os tempos, na minha humilde opinião. Não faço nem idéia de quantos cruzeiros deixei no fliper na década de 90, e quantas aulas matei por causa de Ryu & Cia…. Tempo bom…

  8. Depois que eu fiz o comentario aqui, que eu fui lembrar dos outros shooters, R-Type, Axelay, ainda lembrei do striker 1945 e do sonic wings. Tempo bom esse 🙂

  9. Eu também jogo até hoje no PSP. Tenho um emulador de CPS1 que é pequeno e nunca, jamais, deleto do cartão.
    Afinal, tem horas que você quer dar só uma jogadinha rápida pra matar um tempinho e começar um game longo com pouca opção de save próximo não dá… ai então eu jogo “uma ficha” no metrô… ou um “roundzinho” na hora do número 2 hahahaha

    abss

  10. Essa capa com o Blanka partindo pra cima da Chun li é muito clássíca.Street fighter 2 foi um dos jogos que mais me marcaram na minha vida de jogador.Sobre alpha 2,não me lembro ter jogado ele no super nintendo,acho que não,mas jogando no emulador achei que ficou uma boa conversão para a capacidade que o snes podia oferecer.Só irrita um pouco as travadinhas que o jogo da de vez em quando.

  11. Po apesar dos erros das capas, tem varias capas piores hein 😛
    Mas enfim, jogo classico, quantas vezes chamar os amigos para jogar em casa,uns reclamando que fulano só apelava dando hadouken, aqueles com a camisa sobre o controle [:D]

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