Entre mortos e desaparecidos 8: Sunsoft

Saudações aos persistentes.

Oitavo capítulo da série mais arqueológica dos blogs de games. Quem viveu a era NES como eu, certamente deve se lembrar da Sunsoft. Clicando no link, a obra e por onde anda essa desaparecida produtora de jogos.

Fundada no Japão em 1971, a Sunsoft era parte de uma empresa de eletrônicos maior chamada Suncorp. No início foi responsável por jogos simples para os Arcades, nada que tenha alcançado muito suscesso ou relevância. Foi somente com o surgimento do NES que a empresa começou aquilo que seria sua melhor fase.

Dois de seus games dessa época são verdadeiros clássicos do NES e sempre lembrados em quase todas as listas dos melhores do aparelho: Batman e Batman: Return of the Jocker. Foram os dois primeiros jogos baseados no herói que realmente prestaram a ponto de se tornarem clássicos. Aliás me arrisco a dizer que são dois dos melhores jogos que o marido do Robin já teve nos videogames (apesar que a versão NES de Batman Returns da Konami também é bacana). Também não exagero quando digo que Batman teve uma das melhores trilhas sonoras entre os jogos do 8-bits da Nintendo.

Um clássico genuíno.

Outros dois games muito bons, mas que ao contrário dos dois citados acima, são frequentemente esquecidos são: Journey to Silius, um jogo de ação e plataforma com tema espacial e muito bem produzido; além de Freedom Force, game de tiro no mesmo estilo que foi consagrado anos depois por títulos como Virtua Cop e Area 51. A Sunsoft também lançou o razoável Blaster Master e publicou alguns jogos de outras companhias, porém não escapou de passar vergonha com porcarias do nível de Fester’s Quest e Platoon.


Freedom Force e sua impressionante abertura para os padrões 8-bits

Os anos noventa

Naturalmente que logo que os 16-bits da Nintendo e Sega se tornaram as plataformas dominantes, a Sunsoft tratou de produzir games para esses consoles. Ela até começou bem, com Batman Revenge of the Joker para o Genesis (era um port melhorado da versão NES) e Bugs Bunny Rabbit Rampage, Road Runner’s Death Valley Rally e Aero the Acro-Bat para SNES, além de publicar Flashback para esse console. Porém, infelizmente o nível começou a cair, e a companhia perdeu a mão nessas plataformas. Lixos constrangedores como Looney Tunes B-Ball, The Death and Return of Superman, além de conversões meia-boca de Aero Wings e World Heroes (que já era uma porcaria no Neo Geo), queimaram o filme da companhia.

Por falar na plataforma da SNK, a Sunsoft lançou um dos games de luta mais engraçados e divertidos que já joguei: Waku Waku 7. Trata-se de um título que satiriza boa parte dos clichês dos jogos de luta e dos animes, em que simplesmente nada se leva a sério dentro daquele jogo. O Sega Saturn também recebeu uma versão desse game. Se não jogaram ainda, procurem um emulador. O Playstation também recebeu alguns games da Sunsoft, como Eternal Eyes, Monster Seed e Shangai True Valor, além de uma coletânea em seis volumes de seus jogos antigos.


Esses dois mongos são os chefes do jogo.

A ida para o vinagre

Infelizmente, a companhia passou por uma fase complicada no final da década de noventa e quase foi a falência. Para não ir para o brejo só com a passagem de ida, teve de encerrar suas atividades fora do Japão e gradualmente foi parando de produzir jogos para as plataformas principais. Até onde pesquisei, seu último jogo produzido foi Clock Tower 3, lançado pela Capcom para o Playstation 2. Fora da terra do sol nascente, a companhia praticamente desapareceu, tirando alguns games do Virtual Console, não há nenhum vestígio seu no ocidente. Já no Japão, teve seu papel reduzido a produtora de joguetes baratos para celulares, incluindo genéricos simuladores de Mahjong e Patchinko.

Hoje a Sunsoft é apenas uma mera sombra do que já foi um dia. Uma pena, pois alguns de seus clássicos do passado dariam ótimos games para a geração atual. Mas encolher foi o preço para sobreviver. Abraços e até o próximo post.

Próximo capítulo: Sierra

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

11 thoughts on “Entre mortos e desaparecidos 8: Sunsoft

  1. CHARGE
    Ainda jogo horrores com o Mauru (o coelho com a garotinha nas costas) ele tem um HaraHara dificil de escapar (carrega em um segundo e anda bem devagar na tela )
    CHARGE
    CHARGE
    CHARGE

  2. Waku Waku 7 recentemente teve uma versão para o PS2, junto com ele vinha mais um outro game de luta o qual me esqueci o nome agora, mas não era nada de novo, apenas uma “coletânea” (coletânea de 2 jogos ?), dessas que estão saindo aos montes ao quase falecido PS2. Uma vez aluguei o Aero the Acro-Bat, divertido, mas apenas para uma locação. Abraços

  3. Batman Revenge oht Joker para NES eu considero uma verdadeira obra prima, aula de programação e engenharia de hardware. O que fizeram ali é quase um milagre, em termos de gráficos, e som. As músicas são fantásticas. O jogo é muito bom, aconselho quem não jogou , joga-lo
    Agora eu não gostei do port para o Mega Drive, acho que saiu pior do que o original (dificilmente ports são bem sucedidos)

  4. Até onde eu sei apenas a versão NES do Batman: Revenge Of The Joker era bem legal, pois a do Mega Drive, apesar de ter gráficos e sons bem melhorados, era uma porcaria (na jogabilidade, inclusive). Já o Batman do Mega Drive inspirado naquele filme de 1989 era um arraso, bem melhor que as versões NES e Game Boy. E Aero The Acro-Bat até era bem legal sim, mas eu preferia outros clones de Sonic feitos por outras empresas ao invés desse, como Captain Lang (High Seas Havoc, para os estadunidenses), Cool Spot (esse não era clone do Sonic, mas…), os dois Taz-Mania para o Mega Drive, Pulseman, etc.

    Comentário do AvcF: o Batman: Revenge Of The Joker do Genesis era um “upport” da versão NES (quando o port é de um aparelho inferior para um superior, é esse o nome, caso contrário é um downport – embora o pessoal chame de port mesmo) muito mal feito. Por curiosidade, o Angry VideoGame Nerd testou esse jogo naquele video que ele fez sobre os games Batman. Aliás, por falar em curiosidade, o Pulseman foi produzido pela Game Freaks, que anos mais tarde ficaria mundialmente conhecida pela franquia Pokémon.

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