Entre mortos e desaparecidos 7: Ocean Software

Saudações aos afortunados.

Como prometido, o departamento de arqueologia do Loading Time desenterra mais uma ilustre figura de nosso arquivo morto. Levarei a luz um pouco da história de mais uma empresa influente nos tempos dos jogos bidimensionais, mas que não sobreviveu a modernidade, sendo soterrado nas areias do tempo. Conheçam um pouco sobre a Ocean Software clicando na continuação do link. Até mais.

Fundada em 1982 na Inglaterra, a companhia surgiu com o nome de Spectrum Games. O nome Ocean foi adotado dois anos mais tarde, permanecendo até o final. No inicio o foco era a produção de games para os computadores da época, mas logo ela encontrou o modelo de negócios ideal: jogos baseados em licenças de filmes além de publicar jogos dos arcades para outras plataformas. Rambo e Stallone Cobra foram dois filmes cujos jogos foram produzidos pela Ocean. Depois Highlander também ganhou um game e além disso, Batman também teve dois jogos, um estilo adventure e um de ação, ambos lançados para computadores. A Ocean foi responsável também por ports de jogos dos consoles para computadores, desde lixos como Total Recall (lançado para NES pela Acclaim), até mesmo Gryzor, versão européia de Contra, da Konami.

Batman the Caped Crusader



De cima para baixo: Batman the Caped Crusader, Rambo e Cobra.

Os anos noventa

Mesmo com a ascensão do Genesis e do Super Nintendo, a Ocean preferiu manter seu foco no NES, já que era mais barato e rápido para produzir um jogo e a grande base instalada era garantia de lucro. Se na época em que produzia para os computadores a companhia lançou vários jogos originais, no 8-bits da Nintendo a ordem era ganhar dinheiro sobre filmes conhecidos. Desta forma a Ocean passou a ser uma espécie de Acclaim melhorada (mas não muito), cujos jogos variavam bastante no quesito qualidade (ou falta dela). Por falar em ambas, uma coisa que pouca gente sabe é que o jogo Bart vs the Space Mutants, foi produzido originalmente pela Ocean para computadores como ZX Spectrum e Commodore 64, sendo posteriormente portado para NES, Genesis e Master System pela Acclaim.

E dá-lhe jogos de filmes. De The Addams Family a The Untouchables, de Darkman até Cool World (leia mais no último Game Contraste publicado). Todos jogos ruins ou medíocres, daquele tipo que hoje só servem para figurar em estantes de colecionadores ou em listas dos piores do NES. Talvez o que houve de melhor nessa safra foi o game do Robocop, que era bem jogável e tinha alguma qualidade para o padrão da época. Pena que a segunda e a terceira versões eram constrangedoras de tão ruins. A coisa era tão feia que em Robocop 2, o andróide patinava na tela (sim, se segurasse algum tempo para frente ele escorregava!) além da proeza de apanhar para bandidos de mãos nuas. Se é difícil de acreditar em algo tão grotesco, dêem uma olhada:

Agora tentem relembrar o filme e imaginem uma cena com o Robocop em toda a sua glória tomando umas belas porradas de um gordinho calvo, ou melhor, imaginem o policial cibernético escorregar e cair em um rio durante a perseguição a um meliante. Pois é, patético por demais.

A ida para o vinagre

A Ocean foi mais uma dessas empresas que não conseguiram ou souberam se adaptar às mudanças impostas pela chamada geração 32-bits, com seus gráficos tridimensionais e toda uma nova tecnologia para se fazer jogos. Com o tempo, ela foi perdendo as licenças de filmes e acabou obrigada a voltar a produzir jogos originais. Acostumada com a moleza das grandes marcas, a situação ficou bastante complicada. No fim das contas, a companhia se voltou para o Nintendo 64, plataforma em que foram publicados seus últimos games. Seu melhor título da época foi Mission: Impossible, game de ação e espionagem baseado indiretamente no filme estrelado por Tom Cruise. Era um bom jogo, mas infelizmente sofreu com comparações com o clássico 007 Goldeneye (jogo indiscutivelmente superior), o que acredito que tenha minado seu sucesso. Os outros dois jogos publicados pela Ocean foram Fighter’s Destiny (joguete de luta razoável), e GT 64: Championship Edition, um medíocre simulador de rally.


Talvez o melhor game da Ocean.

Para não falir, a companhia terminou vendida para a Infogrames, que decidiu tempos depois a encerrar a marca Ocean. Foi o fim de uma empresa que tinha potencial e fez alguns bons games, mas que se rendeu ao dinheiro fácil dos jogos licenciados.

Próximo capítulo: Sunsoft

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

15 thoughts on “Entre mortos e desaparecidos 7: Ocean Software

  1. AvcF, não entendi essa parte “responsável também po ports de jogos dos consoles para computadores”. Está faltando alguma letra ou palavra? Impossible: Mission era até legal, jogava bastante, tá certo que o sucesso se deve em grande parte ao filme, mas era legalzinho. Cara, esse Robocop ficou ridiculo. O Robocop pesava uma meia tonelada e nesse game ele pula mais que o Mario, inclusive o som do pulo é quase o mesmo. Vai fazer porcaria assim lá no inferno………….
    Avcf, eu estava aqui com uma dúvida. Talvez eu esteja viajando demais, mas não custa perguntar. É possivel que mais para frente nós teremos avatares ou o blog não oferece “suporte” para isso? Abraços

  2. Faltou letra mesmo, o certo é “responsável poR ports…” Já corrijo. Robocop 2 é nojento mesmo, um dos piores games de NES que joguei em vida.

    Agora, que tipo de avatares seriam esses? Tem esses quadradinhos que aparecem na parte de comentários, seria isso? Se for, isso já está implementado, embora eu não saiba como funciona XD

  3. É tipo aqueles avatares em que você escolhe uma imagem e ai ela fica do lado do seu nome, igual aos comentários lá no Gamehall. Parece mesmo que é esses quadradinhos, mas eu também não sei como funciona aqui. Se algum souber dá uma ajuda ai. Abraços

  4. Engraçado que muitas dessas companias que você citou até agora tem um histórico parecido. E Fighter’s Destiny nem razoável é, achei aquilo ruim demais.

    Obs: esses avatares aparecem quando se usa um e-mail cadastrado no site http://www.gravatar.com. A maioria dos sites e blogs utiliza esse recurso, então se você fizer um cadastro com o e-mail que utiliza normalmente para postar, automaticamente o seu avatar irá aparecer em todos os seus comentários.

  5. Para o padrão da época era jogável, mas o jogo era fraquinho mesmo. Incrível como o Nintendo 64 foi fraquíssimo em jogos de luta, só Super Smash Bros 64 que prestava.

    Nem me importo com essa coisa de avatar, a foto é minúscula, acho mó bobeira.

  6. Putz, a foto fica muito pequena, deixa quieto, porcaria. AvcF, a Ocean também lançou aquele game Waterworld para Virtual Boy, era o jogo baseado no filme de mesmo nome. O Game era uma porcaria, bem só de ser para o Virtual Boy já dá para ter idéia de como era ruim, cara o mar era preto….. Abraços

  7. Você viu no AVGN né? NADA do Virtual Boy presta, pior que eu quase comprei aquele troço. Eu testei o Mario Tennis na loja e foi mais que o suficiente para atestar a ruindade daquilo. Não atoa figura no especial dez idéias idiotas.

  8. Então, um amigo meu falou que jogou aquela porcaria, ai ele me disse que no AVGN tinha um programa especial sobre ele. Assisti e comprovei a ruindade daquela plataforma, pior ainda o game. Como você mesmo disse: Quem disse que a Nintendo nunca fez cagada? Abraços

  9. @avcf

    Ah, Killer Instinct Gold apesar de bem abaixo do nível da Killer Instinct 2 também era bacana. Mas até hoje não me conformo do Nintendo 64 não ter tido nenhum Street Fighter, um jogo que tem pelo menos uma versão pra tudo quanto é aparelho que rode jogos.

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