Cool Vibrations: Resident Evil Revelations

Cool Vibrations: Resident Evil Revelations

Saudações aos leitores.

E aqui está a primeira análise de um game do Nintendo 3DS, e se querem saber, um grande game. Realmente a Capcom acertou em cheio com esse jogo. Tudo após o link, as always.

Resident Evil Revelations foi para mim, antes de tudo, uma surpresa. Digo isso por dois motivos,sendo que o primeiro acabou levando ao segundo por consequência. O primeiro motivo foi o pé esquerdo com que a Capcom começou com seus jogos Resident Evil no 3DS, começando pelo lançamento da picaretagem conhecida por 3D Mercenaires:


Link

Mercenaries 3D era apenas uma reciclagem do que originalmente foi um modo de jogo em Resident Evil 4, porém lançado como se fosse um jogo inteiro (e com preço inteiro também, claro); uma clara jogada para pegar trouxas que haviam acabado de comprar um 3DS e estavam anciosos por um game Resident Evil. Para piorar o que já era ruim, Mercenaries 3D ainda por cima impedia o jogador de apagar seus saves, uma medida autoritária que claramente visava àqueles que pudessem querer revender seu jogo. Diante disso, eu fiquei bastante decepcionado com a postura da Capcom diante do 3DS, que somado ao lançamento de um port caça-níquel de Street Fighter IV parecia ver o portáril somente como um depósito de games rápidos e sem capricho.

Resident Evil Revelaitons

Meu estado de espírito começou a mudar quando eu vi as primeiras informações sobre Resident Evil Revelations, cujos materiais de divulgação indicavam um jogo com valor de produção incomum para um console portátil. O que a princípio poderia sugerir ser um spin-off qualquer, rapidamente mostrou-se um game robusto e assustador como há tempos não se via na série – spbretudo após a decepção que foi Resident Evil 5. O trailer abaixo mostra isso à perfeição (curiosamente há um enorme spoiler, portanto estejam avisados):

Quem mandou colocar uma coelhinha da Playboy em um navio cheio de monstros?

Como demorei para comprar o 3DS, acabei consequentemente demorando para experimentar Revelations, cuja compra por sinal foi feita com bastante reticência de minha parte. Felizmente meu temor estava errado e assim que liguei o 3DS XL me dei conta de que havia iniciado um grande game.

Feito gente grande

De cara dá para dizer que Revelations foi feito como se fosse um game de console de mesa, tamanho o capricho da produção. Tecnicamente é o jogo mais impressionante que já vi para um game portátil – superando inclusive tudo que já vi no PSP – com belos gráficos, efeitos e animações, e tudo rodando a uma quantidade constante de quadros por segundo, com pequenas quedas ocorrendo apenas em momentos em que há carregamento de tela (por exemplo, ao entrar em um elevador e obrigar o jogo a carregar um setor novo no mapa). Há também boa variedade de ambientes presentes durante a campanha, tanto dentro do enorme transatlântico Queen Zenobia, quanto em outras localidades presentes dos diversos capítulos do jogo. Por outro lado, o design presente no jogo é impecável, tanto nos diversos monstros com suas deformidades e aspectos terríveis, quanto nos cenários que variavam desde locais grandiosos e luxuosos até trechos claustrofóbicos, sujos e escuros. Sei que é algo subjetivo, mas sobre o design de personagens, só ao consigo engolir aquele design “boladão” e “alexandrefrostanesco” que assumiram para o Chris desde Resident Evil 5.

O som por sua vez foi outro setor com nota 10 no jogo, com grande quantidade de diálogos dublados, efeitos muito bem feitos e presentes nos momentos certos, e as trilhas cumprindo muito bem o papel em criar situações de tensão e emoção. Ainda nesse sentido, fica a recomendação de jogar com fones de ouvido, pois com eles a sonoridade ganha uma profundidade muito legal graças aos excelentes efeitos estéreos, que inclusive ajudam a localizar a posição dos monstros a depender do volume de seus grunhidos e urros.

O gameplay foi muito bem adaptado ao 3DS, os comandos funcionam com boa precisão e os personagens se movimentam adequadamente. Mas a melhor novidade nesse sentido é que finalmente os personagens podem carregar a arma e andar ao mesmo tempo, diferentemente do que ocorria nos REs 4 e 5, em que o jogador fica plantado feito um poste somente para trocar o pente de munição, o que ocasionava mortes idiotas e frustrantes. A tela de toque também mostra sua utilidade nesse jogo, servindo de atalho para troca de armas, exibidor de mapa e até mesmo auxiliar para movimentar a câmera. Aúnica coisa que me incomodou foi o defeituoso sistema de esquiva e a ausência do sistema de pontos fracos iniciado em RE 4, ou seja, em Revelations é impossível, por exemplo você paralisar momentaneamente um monstro atirando em sua perna, para em seguida aplicar um daqueles golpes especiais matadores. Em Revelations os monstros ficam paralisados apenas quando recebem tiros com armas customizadas para tal intento, sendo portanto algo raro e pouco útil. Falando em ausência, há uma positivíssima por outro lado, que foi a extinção dos infames e pretensamente cinematrográficos QTEs, recurso que só serviu até hoje para encher o saco e tentar justificar as toneladas de filminhos que foram exertados nos jogos mais recentes. Ainda no quesito gameplay, foi muito legal perceber a volta do esquema de exploração e tensão dos primeiros games – incluindo até um trecho que o jogador fica sem arma – ao mesmo tempo que novidades foram inclusas na forma de uma situação de tiro em trilhos e três momentos de mergulho.

Por se tratar de um portátil, a Capcom inteligentemente criou um sistema de capítulos com um sub-capítulo na metade, fazendo com que o jogo tenha sessões de jogo mais curtas que as dos games da série principal. Dessa forma, cada capítulo tem três saves automáticos, possibilitando ao jogo ser aproveitado em partidas curtas, algo conveniente e prático. E por falar em partidas rápidas, há além da campanha principal o modo Raid, que consiste em uma série de fases com o foco em ação, mas diferentemente do que havia em Mercenaries, as missões ocorrem em fases ao invés de arenas. Além disso, o modo Raid também conta com customização de armas e modo multiplayer online.

Por fim…

Realmente a Capcom tratou Revelations como um grande game, tão grande que o 3DS ficou pequeno para o jogo, pois tal qual água e óleo não se misturam, as palavras Capcom e exlusividade não costumam encaixar na mesma frase, Revelations será relançado em HD para X360 e PS3. Tenho minhas dúvidas se esse tipo de porte presta, mas de qualquer forma, dada a qualidade do jogo, creio que o público desses consoles devia tentar. Eu arrisquei e não me arrependi, pelo contrário, fazia tempo que não me divertia tanto jogando um Resident Evil. Por falar nisso, eu honestamente espero que a Capcom tome esse jogo como base para o próximo título, e que esqueça das firulas pseudo-cinematográficas e das vontadinha de ser shooter rardicore que tanto atrapalhou os games recentes da série.

Aproveitando o “Revelations” do título, será que uma das revelações desse jogo seria justamente o modo como a Capcom deve voltar a tratar esse querida série? Quem sabe…só espero que Revelations não tenha sido apenas um spin-off e afunde no esquecimento.

Abraços e até o próximo post.

AvcF – Loading Time.

One thought on “Cool Vibrations: Resident Evil Revelations

  1. Sem dúvidas é um dos melhores REs que joguei, vou terminá-lo pela segunda vez e provavelmente uma terceira.
    A trama e as personagens cativam.
    Indico a todos que puderem comprar.

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