Cool Vibrations: Pandora’s Tower (Nintendo Wii)

Cool Vibrations: Pandora’s Tower (Nintendo Wii)

Saudações aos leitores.

Falo hoje sobre aquele que, desconsiderando lixos licenciados e demais shovelwares que ainda saem aos montes, é o último game de expressão para o já finado Nintendo Wii: Pandora’s Tower. Terceiro game dentro da lista do bem sucedido movimento de fãs que ficou conhecido por Operation Rainfall, Pandora’s Tower e uma grata surpresa não apenas por ter saído, mas também por ser um game um tanto diferente muito bem produzido por uma desconhecida Ganbarion (pelo menos para mim). Vamos em frente, então.

Have you ever see the rain?

Antes de falar de Pandora’s Tower em si, acho que convém gastar algumas linhas sobre os responsáveis por seu lançamento na América do Norte. Criado por fãs americanos que frequentavam o fórum Nintendo do site IGN em 2011, e então resolveram recrutar a maior quantidade de gente para “floodar” a Nintendo of America com cartas pedindo pelo lançamento de Xenoblade Chronicles, The Last Story e Pandora’s Tower. Vocês podem ver mais aqui. Ainda sobre esse tópico, no Wikipedia há uma menção a um episódio que caso seja verdadeira (não considero o Wiki lá muito confiável) é uma bela mostra do que é a Nintendo de hoje:

On June 23, 2011, Mathieu Minel, the marketing manager of Nintendo France, stated that Nintendo of Europe wanted to show Xenoblade Chronicles at the 2011 Electronic Entertainment Expo, but that “Nintendo of America wouldn’t let them because they didn’t want to show products they aren’t planning to sell.”[6] Minel’s departure from Nintendo was announced 11 days later.[7] In response, fans of role-playing video games on the IGN message boards, specifically the Nintendo Wii Lobby, started a campaign the next day, dubbed “Operation Rainfall”, in the hopes of persuading Nintendo of America to localize Xenoblade Chronicles, along with The Last Story and Pandora’s Tower (…)”

Preciso mesmo comentar isso? A Nintendo deve ser a única companhia do mundo que acha que ter menos games é melhor do que ter mais, além de ser a única que gosta de mostrar a seus consumidores “quem é que manda”. Todavia, o fato é que o Operation Rainfall funcionou, e os três games citados foram de uma forma ou outra lançados, independentemente das palhaçadas administrativas de Reggie e seus micos amestrados.

Um esboço para Zelda

E ainda bem que o Operation Rainfall atingiu seu objetivo, pois Pandora’s Tower é um jogo muito bom. Não é um “AAA plus alpha”, mesmo assim é uma aventura divertida, desafiante e ousada a certo modo. Tecnicamente Pandora’s é claramente um jogo de médio/baixo orçamento, com gráficos que excetuando um ou outro efeito, poderiam ser portados para o GameCube. Além disso, o jogo possui apenas três personagens e um único lugar a permanecer enquanto o jogador não parte para uma das treze torres presentes no jogo. Por falar nelas, todas são muito bonitas e foram muito bem projetadas, embora algumas situações de jogo tenham se repetido.

O design de Pandora’s é simples e até um tanto repetitivo, pois o jogo consiste em duas partes apenas. Para salvar uma sacerdotiza chamada Elena (não é uma novela das 21h que se passa no Leblon)de uma terrível maldição que poderá lhe transformar em um monstro, o genérico herói Aios tem que passar por 13 torres e matar cada um dos seus mestres. O objetivo de tal matança é colher os corações dos mestres e dá-los a Elena, para que dessa forma sua maldição seja revertida. Em outras palavras, a estrutura de jogo se resume a subir em uma das torres, vencer seus desafios e voltar para dar o coração do mestre a Elena. Parece ruim, certo? Errado, pois o jogo faz as duas coisas muito bem. E aqui digo porquê Pandora’s poderia muito bem ser um esboço de Zelda.

E isso pelo fato de que as torres de Pandora’s funcionam de forma bastante similar aos templos dos Zeldas pré-Aonuma, sobretudo os de A Link to the Past, tanto pelo layout baseado em vários andares, como também pelo funcionamento dos desafios impostos para se chegar à sala do mestre. Em Pandora’s cabe ao jogador quebrar de três a quatro correntes que selam a sala do mestre (o número varia conforme o jogador progride para as torres posteriores), e para tal o jogador precisa descobrir como achar as salas onde essas correntes ficam (o video acima mostra um pouco desse processo). A similaridade fica mais evidente quando se vê o gameplay de Aeron com sua corrente, que funciona praticamente como um hookshot mais versátil e permanente, que não apenas pode servir para se dependurar e alcançar pontos longínquos, como também é uma eficiente ferramenta de luta. Os mestres das torres de Pandora também me lembraram bastante algumas antigas batalhas que tive em Zeldas de ontem, pois para poder derrotá-los, o jogador precisa descobrir o método correto para expor o ponto fraco e causar dano até arrancar o coração do mestre.


Link poderia enfrentar um monstro assim, não?

E por falar em Zelda, não pude deixar de lembrar de Majora’s Mask e sua pressão causada pelo tempo sempre contado, pois em Pandora’s Tower, o jogador precisa sempre se apressar para não deixar Elena se tranformar em um monstro, e dessa forma fazer a maldição cumprir seu curso.

Falando em Elena, a outra parte do jogo é praticamente um date sim, em que o jogador precisa “conversar” com a probre moça (em outras palavras, ouví-la deitar falação), dar-lhe presentes e encontrá-la em diversas horas do dia, de modo a gerar uma porção de cenas românticas. Essa parte, embora um tanto opcional, é o que definirá que final o jogador conseguirá – sendo quatro ao total. Mas não deixa de ser um tanto tedioso repetir inúmeras vezes o processo de dar atenção e ver todas as cenas com Elena, sem contar que foi uma desculpa um tanto preguiçosa para extender a duração do jogo e fazer o jogador retornar às torres previamente completadas. Por outro lado, achei um tanto ousado o jogo não ter feito a menor cerimônia em mostrar a gradual e grotesca transformação de Elena em um monstro, além do dilema e do sofrimento dela ao literalmente comer o coração de cada um dos mestres derrotados pelo jogador. São cenas vicerais e dramáticas, algo raro de se ver em video games.

O canto do cisne

Jogar Pandora’s Tower tem sido uma experiência um tanto triste para mim, devo confessar para vocês. Devido a bizarra decisão da Nintendo de abandonar o Wii para abraçar o Gamecube HD conhecido por Wii U, acabou sobrando a Pandora’s Tower o papel de fechar o ciclo do console e ser seu último game de expressão. É como se a cada torre terminada e a cada mestre derrotado eu também visse meu console morrer um pouco. Ok, ficou meio melodramático, mas creio que vocês devem ter entendido o que quis dizer.

Pandora’s Tower não tem o peso de um Twlight Princess (o jogo que encerrou o ciclo do GameCube), mas tal qual o game protagonizado por Link, tem qualidades que trinunfam sobre suas falhas e limitações. No fim das contas, é quase uma metáfora do que foi o Wii em seus melhores momentos: um jogo que supera limitações técnicas com apurado senso estético e direção artística, faz bom uso do Wiimote e usa o que o console pode oferecer para proporcionar uma aventura épica e divertida.

E por hoje é só. Espero que tenham gostado, e recomendo a todos experimentarem esse belo game. Meus agradecimentos também ao pessoal do Operation Rainfall, por fazer um trabalho que caberia à Nintendo of America, caso essa tivesse um mínimo de competência.

Até o próximo post.

AvcF – Loading Time.

4 thoughts on “Cool Vibrations: Pandora’s Tower (Nintendo Wii)

  1. Zerei esse jogo tem pouco tempo, e foi um jogo que eu gostei muito. De fato ele não é a coisa mais foda que já joguei na vida, mas eu notei em diversos momentos um “capricho carinhoso” por parte dos desenvolvedores. Eu não conhecia a Gambarion e pelo que pesquisei foi o primeiro jogo nesse estilo que ela fez, e apesar de achar que eles poderiam ter arriscado um pouco mais, vou ficar atento aos próximos lançamentos dela.

    Os controles são ótimos, funcionam muito bem e apesar de simples são criativos, algo que muitas produtoras não deram conta de fazer no Wii. Agora, eu experimentei usar o Classic Controller e é horrível, não rola mesmo.

    Os gráficos até caprichados apesar da câmera fixa e as vezes muito distante, a história é ótima e Elena faz com que você realmente se importe por ela… aliás, achei a parte das expressões corporais dela muito bem trabalhadas. Só senti falta de você ter falado da trilha sonora, que apesar de ter poucas músicas é excelente, a batalha final então é absurda por conta disso.

    AvcF: não falei sobre a música porque não senti nada de especial nela. Não é ruim nem nada, pelo contrário, tem seus momentos e é dramática, porém suas melodias não ficaram tocando na minha mente após as partidas. Sobre os controles, nem testei o classic, pois o wiimote é ótimo, porém tive diversos problemas com o controle do balançar de Aeron, quando esse está pendurado e precisa “pular” de um ponto a outro.

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