Cool Vibrations: Flashback (PC/Genesis/SNES)

Saudações aos leitores.

Avançando uma geração em relação aos últimos posts relacionados, falarei um pouco de um game esquecido dos anos noventa: Flashback.

Lançado em 1992 pela francesa Delphine, Flashback era considerado como a “sequência espiritual” do sucesso do início dos anos noventa, Out of this World (cuja real sequência se chamava Heart of the Alien, e foi lançado depois de Flashback). Além dessa confusão de, digamos, parentesco, ambos os games beberam na mesma fonte e possuem o gameplay de ação e plataformas similar ao jurássico clássico Prince of Persia. Os três games também têm em comum o uso da rotoscopia como técnica de animação para todos os elementos de jogo, conferindo um ar cinematográfico aos games. Outra semelhança entre Flashback e Out of this World foi a utilização de gráficos vetoriais tanto nas cenas não interativas quanto na composição dos personagens, o que resultava em uma estética interessante e diferente do padrão da época – que justamente enfrentava a transição entre o bidimensional e o tridimensional poligonal.

Falando mais do game design em si, Flashback é um bom jogo para mostrar como os universos dos games de console e computador eram diferentes entre si. Enquanto os jogos de console – cuja raíz eram os arcades, não esqueçam – costumam ser mais baseados no esquema “eye-hand coordination”, ou seja, alta exigência de velocidade e precisão e menor exigência intelectual. Jogos de PC como Flashback por sua vez são o exato contrário, com momentos de ação pontuados por quebra-cabeças e ritmo mais lento (o que não siginifica que isso torne o game mais fácil, pois Flashback é difícil pra cacete), e uma prova disso é que não há rolagem entre as telas das fases, o que torna cada uma como se fosse um evento em separado. Além disso, a maioria das telas possui um layout que permite o jogador observar a situação e bolar o melhor jeito de passar pelo desafio em questão.


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Flashback também alterna momentos que o jogador se ve em uma situação de emergência e precisa agir rápido, o que normalmente envolve combates contra um ou vários inimigos simultâneos. Por combates entenda-se tiroteios, pois o avatar do jogador (um agente chamado Conrad) possui uma pistola com tiros ilimitados e um escudo de energia como únicas ferramentas de sobrevivência. Dessa maneira o jogo evolui ao longo de suas 6 extensas fases, com desafio crescente e muita tentativa e erro. Sobre esse aspecto, é interessante notar como o design de Flashback não tem vergonha em fazer o jogador errar diversas vezes até achar a solução para passar de tela ou descobrir a melhor maneira de vencer uma sequência de inimigos. Até por isso o jogador possui continues ilimitados e checkpoints bastante distantes uns dos outros, e muitos dos obstáculos matam o jogador na hora, sem choro nem vela. Atualmente, esse tipo de design é quase considerado um pecado, parece até absurdo o jogador perder uma vida (sem contar a tonelada de tutoriais a cada novidade que o jogo venha a apresentar).


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Flashback apresenta ainda uma interessante estética futurista cheia de contrastes, como por exemplo a presença de carros voadores ao mesmo tempo de sujas estações de metrô nas fases da Terra; uma selva artificial dotada de portas automáticas e computadores, mas que também contém mutantes primitivos, entre outras. Por outro lado, a trilha sonora é pontuada por longos silêncios quebrados por músicas curtas e intensas, tocadas na maior parte das vezes em momentos-chave. Por falar nisso, os filminhos responsáveis pela narrativa são curtos, objetivos e bem dirigidos. Bem diferente da prolixidade adotada por alguns jogos atuais.

Por fim, Flashback é um belo game de ação e plataforma que embora tenha sido portado para diversos consoles, tem mesmo a cara de um típico representante dos games clássicos de computador. É um jogo bem cadenciado, com momentos de tensão, com fugas e exigência de rápida reação, pontuado por momentos de silêncio em que você para e diz “como diabos eu chego naquela porta sem acionar aquele laser?” Curiosamente, embora Flashback seja um jogo de PC, joguei a versão Genesis, porque me dou bem melhor nesse tipo de jogo com um controle do que com teclado. Ainda sobre versões, creio que o grande número de ports (foram 9 versões ao todo) acabou contribuindo para desvalorizar o jogo, dando-lhe um aspecto meio “carne de vaca”(ser lançado para o Atari Jaguar é um vexame, por exemplo), de jogo barato, como um daqueles de laser disc. Mas não se enganem, Flashback é um grande jogo, uma pena que nunca tenha tido uma sequência digna (Fade to Black foi lançado pra Playstation, mas é um lixo).

E por hoje é só, pessoal. Até o próximo post.

AvcF – Loading Time.

4 thoughts on “Cool Vibrations: Flashback (PC/Genesis/SNES)

  1. É Mega Drive..

    Enfim, conectar Out of This World (ou Another World no resto do mundo – acho esse título melhor, aliás) com Flashback é como conectar o filme O Garanhão Italiano (de Sylvester Stallone) com a hexalogia Rocky. Enfim, grande jogo, saudosista até a ponta do caralho.

    Me lembro que a versão Mega Drive foi lançada no Japão pela Sunsoft, e como todo jogo lançado lá por ela vinha em uma caixinha de dimensões minúsculas, do tamanho de uma caixinha de fita cassete. Os japoneses e suas peculiaridades…

  2. Quando eu era criança, meu primo mais velho gostava muito deste jogo (acho que ele jogava a versão do SNES, ou estou enganado?). Eu não entendia o porquê, pois não via graça nele, nem em Zelda LTTP, que ele terminou várias vezes. Acho que eu gostava mesmo de jogos “eye-hand coordination”, como você escreveu, arcade mesmo.
    E o Prince of Persia original para PC é imortal. Que outro jogo tem lutas com espadas tão bons?

  3. Já joguei um pouco da versão do SNES, mas faz muito tempo, lembro de um colega meu que se referia a esse jogo como “o jogo do Super Nintendo que tem CG”, isso na época do PSX já. Não sabia que tinha pro Mega, depois vou dar uma procurada.

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