Considerações sobre Mega Man 10

Saudações aos desordeiros.

Vocês devem ter ficado sabendo que a alguns dias foi anunciado Mega Man 10 (ao menos por enquanto) para Wiiware. Pois bem; após dar uma olhada nas informações preliminares e nas primeiras imagens do jogo, resolvi dar meu parecer. E não fiquei tão animado quanto achei que ficaria. Cliquem no link e saberão porquê.

A algum tempo saiu uma imagem escaneada da próxima edição da Nintendo Power, e entre os diversos anúncios certamente o que mais chamou atenção foi o de Mega Man 10, que será produzido sob os mesmos moldes da versão anterior. Isso significa o retorno dos gráficos, música e gameplay 8-bits, para ojeriza dos rardecores da geração playstation. Por falar nisso, quem é leitor do blog sabe o quanto os combati na época do lançamento do Mega Man 9, e o quanto os reviews positivos e as boas vendas do jogo os calaram. Considero Mega Man 9 uma experiência positiva, é um jogo muito bom apesar de ter algumas falhas como a dificuldade desonesta em vários trechos (o que resulta em um excesso de mortes instantâneas) e na realidade ser mais baseado no Mega Man 1 do que no 2, no que diz respeito ao level design. Mas no geral o jogo funcionou, e teve reação positiva principalmente para quem é fã da série. Um exemplo disso é que um amigo meu que é fanático por Mega Man (ele já detonou todos os MMs possíveis) adorou o 9.

Mas eis que vejo o anúncio de Mega Man 10 e…não tive a mesma reação que da outra vez. Alguma coisa dentro de mim estava estranha e fiquei pensando, tentando descobrir o porquê. Fazendo uma análise sobre o que realmente representa esse anúncio é que me fez começar a ver algumas coisas que ninguém ainda falou sobre isso. A principal delas diz respeito a uma palavra pouco abordada: valor. Quando falo em valor, não quero dizer sobre custo de produção ou preço de venda, e sim o valor da marca, da experiência, do que aquele jogo representa de diante de seus consumidores (no caso os jogadores). As plataformas digitais de vendas de jogos têm por definição ou venderem games antigos ou venderem games novos experimentais, cujo valor é baixo perante ao público. Nenhum desses games virará um clássico, além de possuirem um conteúdo que permita uma experiência de jogo simples e divertida – daí a razão do baixo valor desses jogos. Excite Bike World Rally é um jogo que faz todo o sentido estar inserido nesse contexto, pois sua versão original foi apenas um game secundário ou terciário dentro da biblioteca do NES, portanto um game de baixo valor.

Em seus aureos tempos, Mega Man era uma série de jogos “tops” pertencente ao videogame top de sua geração. E assim foi até duas gerações depois. Após Mega Man 8 ser lançado em 1996, a Capcom simplesmente abandonou a dita série principal, passando a explorar Mega Man de diversas outras formas (séries X, EXE, ZX, Legends) saturando o personagem e fazendo a marca perder importância pouco a pouco. Aí o intrépido leitor me pergunta: “”mas e Mega Man 9? Por que ele não foi lançado como um game de plataforma tradicional, ao invés de Wiiware, PSN e Live?” A resposta é justamente devido ao valor que mencionei nesse post. Provavelmente para a Capcom, Mega Man tradicional não tem mais o valor que tinha antigamente, que justifique um investimento semelhante ao dos games que lhe dão o faturamento atual. Sendo assim, essa é a razão a qual Mega Man 9 foi feito do jeito que foi, resgatando os valores dos games clássicos em 8-bits, recriando uma experiência à altura daquela época. Porém, com Mega Man 10 a Capcom sinaliza de que para ela a série tradicional de Mega Man passará a ser uma série de baixo valor, em que pagaremos um valor compatível a esse esquema (como os demais joguetes de Wiiware). Se for para seguir dessa forma, não gostarei nada disso.

Alguns outros detalhes me deixam com a pulga atrás da orelha, também. Pelas informações preliminares, haverá um tal easy mode, algo que não me lembro de ter visto em outros MMs. Isso soa como uma forma de manter o esquema de dificuldade de Mega Man 9, o que pode não ser algo positivo. Também voltarão os infames e absurdos DLCs (downloadable contents – um dos absurdos criados nessa geração), que força o jogador a pagar por algo que deveria já estar inserido dentro do jogo. A única coisa realmente positiva que vi até agora é a possível implementação de um modo cooperativo para dois jogadores simultâneos, o que seria uma adição e tanto ao esquema de jogo de Mega Man. Proto Man e Mega Man juntos em ação seria legal demais. Tomara que tenha mesmo. Vamos ver.

Por tudo isso que não consegui me animar até o momento com esse anúncio de Mega Man 10. Não acho que esse caminho de ser um game de Wiiware é o melhor para a franquia, eu desejo mesmo é que Mega volte a ser um protagonista do mundo dos games, da mesma forma que Mario é. Mas seja como for, creio que Mega Man 10 será mais um game desafiante e divertido, e espero, superior ao que foi Mega Man 9. Estamos de olho, Capcom.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

11 thoughts on “Considerações sobre Mega Man 10

  1. “As plataformas digitais de vendas de jogos têm por definição ou venderem games antigos ou venderem games novos experimentais, cujo valor é baixo perante ao público.”

    Não é por “definição”, mas pelo uso *mais comum* para esse tipo de jogo mesmo… EM CONSOLES…

    Nos PCs é outra historia… pois vc sabe q o Steam q popularizou essa forma de distribuição e seus jogo nao tem nenhum valor baixo perante o publico.

    Fora que hoje em dia ja existem jogos q considero “classicos” exclusivos para live arcade como por exemplo Shadow Complex e Castle Crashers.

  2. Para mim a série teve seu ápice no X4, depois disso foi piorando com a inclusão de elementos que nada tem haver com a série que é + ação, acho que a Capcom está atirando para todos os lados para ver se ajusta sua série em algum nicho de jogadores. Transferir séries consagradas para o mundo 3-D não é tarefa fácil, a Konami com seu Castlevania que o diga.

  3. MegaMan Powered Up e Maverick Hunter X me fizeram comprar um PSP, foi uma pena que a Capcom decidiu parar logo nos primeiros jogos, deu muita raiva isso.

    Adoro Mega Man é um dos meus jogos e personagens favoritos, infelizmente não pude jogar o 9, mas achei palhaçada ter que pagar para ter conteudo extra no jogo.

    Infelizmente depois do X7 X8 parece que a série se perdeu de fato, nunca gostei da série EXE, mas por outro lado até que achei legal a série ZX no DS.

  4. Eu joguei a versão do PSP e achei muito boa, só não gostei de alguns remixes que ficaram tecno d+, prefiro Megaman com Rock mesmo!!! A abertura é d+ também. A localização de algumas cápsulas ficaram diferentes também, a única ressalva foi o megaman quando ganha sua nova arma, o novo modelo em 3-D ficou horrendo, lembra até o lengends.

  5. Também concordo que esse não é o melhor caminho pra série, eles podiam lançar pra outras plataformas também.. Mas talvez tenha um pouco de medo da Capcom em questão, lançar um game para wiiware e dessa forma deve ser de baixo custo pra eles e um teste pra constatar se a franquia clássica deve ou não extender os horizontes! Mas eu acho super válido (como nostálgico apaixonado que sou) a franquia vir da forma que está (ao estilo clássico)

    Grande abraço

  6. Ontem tive o prazer de assistir a festa de 22 anos do todo-poderoso Mega Man – que mais foi uma entrevista do que festa – e vi o jogo rodando no Wii. Realmente há um Easy Mode nele. E PQP! Esse modo é pra quem realmente não sabe jogar. Tira todo o tesão que é jogar Mega Man.

    Antes de escolher a dificuldade, você escolhe jogar entre Mega Man/Rockman e Proto Man/Blues. Mas gostei muito do que vi.

    Ah, a entrevista foi com Keiji “INAFKING” Inafune (criador da série) e Hiroshi Ariga (criado do excelente mangá “Rockman Megamix” – baixe e leia)

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