Briga na feira – Osu! Tatakae! Ouendan (Nintendo DS)

Saudações aos paleontólogos.

Resgato um texto do meu amigo João aqui para o blog. Acho que vocês irão gostar.

Após perceber que existem muitos casos de censura ou alterações, percebi que seria interessante unir tais exemplos a essa distinta parte do Blog. Mas veja bem, não vamos somente nos concentrar em modificações por puritanismo, mas também por conflito cultural ou simples vontade dos produtores. Qualquer jogo que tenha duas versões iguais, porém diferentes, serão aqui comparados.

Para os velhos jogadores de videogame não é novidade que uma versão atravesse os oceanos e sofra incríveis modificações no processo. Seriam os ares ocidentais ou alguma misteriosa força maligna os culpados pelas alterações nos jogos? Diversos fatores podem contribuir para isso, desde censura pentelha norte-americana, problema religioso, lapso temporário de loucura, insanidade, conflito cultural ou porque os produtores estavam com vontade.

Normalmente os exemplos mais citados são todos ligados à censura, como exemplo a Poison de Final Fight que sofreu uma operação de sexo nos Estados Unidos, pois uma mulher jamais poderia lutar e apanhar nas violentas ruas do jogo. Outro clássico é Street of Rage 3 que, além de sofrer modificações na dificuldade do jogo por vontade espontânea dos desenvolvedores, mulheres com saias curtas receberam roupas mais comportadas e um subchefe travesti desapareceu do jogo.

Um grande exemplo que me lembro e não sofreu as alterações por censura nem incompetência intelectual: aqui o argumento é a temática restrita aos moradores da terra do som nascente. O nome do dito cujo é Elite Beat Agents ou, na versão japonesa, Osu! Tatakae! Ouendan. Entre as versões, apenas a jogabilidade e o conceito do jogo permaneeram iguais, pois os personagens, histórias e músicas foram totalmente modificadas. Para quem não conhece, o jogo foi lançado para Nintendo DS e eleito o melhor puzzle para o console em 2006.

Quando pessoas comuns estão em situações bizarras, como ataques de zumbis na versão japonesa ou um gato cuidando de um bebê na contraparte americana, nossos heróis aparecem para ajudá-los com músicas. Sim, não é para fazer sentido. Aliás, o jogo é extremamente hilário justamente por nada fazer algum sentido. Para jogar, Basicamente deve-se usar a stylus (leia-se caneta) para clicar nos indicadores numerados ao ritmo da música. Aqui acabam as semelhanças.

Na versão japonesa os heróis são homens de torcida usando roupas inspiradas no uniforme colegial japonês. As situações que os “torcedores” devem resolver são, apesar de hilárias, típicas da cultura japonesa e as músicas são todas de famosos artistas J-POP (uma maneira bem fresca de indicar que é música pop japonesa). O grande problema fica por conta das pessoas que não são íntimas da cultura japonesa, pois muitas passagens não terão a mínima graça ou simplesmente não serão entendidas.

Obviamente a produtora iNiS percebeu que mudanças deveriam se feitas para agradar o público ocidental. Os primeiros a serem ocidentalizados foram os personagens que agora se viram trabalhando como agentes secretos do governo, ao bom estilo MiB. As situações e piadas também foram adaptadas, aliás, totalmente modificadas para melhor agradar o público. E, não menos importante, as músicas J-POP sumiram, dando espaço a David Bowie, Deep Purple, Queen, The Rolling Stones, Jackson Five entre outros. Infelizmente esqueceu-se de passar as músicas por um teste de qualidade, deixando entrar atrocidades como Destiny’s Child, Cher e Avril Lavigne no jogo.

Apesar do meu preconceito musical, não senti em momento algum o peso dos artistas que odeio, pois com o ritmo divertido e empolgante do jogo, você se pega dançando qualquer coisa usando a caneta do console. A jogabilidade é precisa, os gráficos cumprem muito bem a tarefa e, com um bom fone de ouvido, as músicas ficam muito bem. Elite, ou Ouendan, possui um divertido modo multiplayer com novas situações e diversos níveis de dificuldade.

Bem, seja Elite Beat Agents ou Osu! Tatakae! Ouendan, ambos os jogos são excepcionais. Claro que tudo vai depender do quanto o jogador é familiarizado com a cultura japonesa para chegar até a versão nipônica ou não. Particularmente, apesar da minha intimidade com a cultura, acabei escolhendo a versão ocidental por conter músicas que mais me agradam. Afinal, ver um pirata buscando um tesouro perdido ao som de Village People é impagável.

Assim encerro esse artigo para o Loading Time. Vale ressaltar que, apesar de existirem muitos exemplos de jogos modificados mais famosos que este, senti a necessidade de comentar sobre um jogo novo e com uma alteração um pouco diferente. Provavelmente voltaremos a explorar mais algum game que sofrera de censura ou puritanismo. Sem mais, Agents Are Go!

João Vitor Guedes – Loading Time

6 thoughts on “Briga na feira – Osu! Tatakae! Ouendan (Nintendo DS)

  1. uia, eu PRECISO jogar a versão japonesa…. *procurando pelas bandas que tem*…. e colocar meu hiragana e katakana em prática! huaehuaeuheauha
    acho que o último jogo em japones que eu joguei foi pokemon dourado em 99 hehehehehe 😀

  2. conheço só 3 bandas do jogo inteiro:

    Asian Kong Fu Generation (canta a única coisa que presta em naruto)
    The Yellow Monkey (encerramento de ruroni kenshin \o)
    L’Arc-en-Ciel (não precisa explicar \o/)

    hehehehehe 😀

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