Bravely Default lembra porquê Final Fantasy era bom

Saudações aos leitores.

Enfim comecei o primeiro grande RPG do 3DS, e antes mesmo de começar propriamente o texto, digo que tem sido uma experiência e tanto até o momento. Embora ainda esteja longe da parte final, já joguei o suficiente para atestar que Bravely Default não é um Final Fantasy com outro nome, como alguns sites afirmaram por aí, mas sim um grande jogo por si só. Dito isso, vamos em frente.

Decadência

Que a Square-Enix vive uma fase de profunda decadência criativa não é segredo para ninguém, nem mesmo para os fanboys da empresa. Não precisa ir longe para constatar isso, basta apenas pegar como exemplo suas principais franquias, como Dragon Quest e Final Fantasy. Dragon Quest IX foi produzido por uma terceirizada – a Level V (Professor Layton, Inazuma Eleven) – ao passo que o Dragon Quest X produzido internamente patina como MMORPG. Final Fantasy clássicos foram portados para Game Boy Advance pela Tose, e refeitos (FF III e IV) para DS pela Matrix, ambas empresas terceirizadas. Enquanto isso, a SE “cometeu” coisas como Final Fantasy X-2, os vexames com XIV e a mediocridade conhecida por XIII e XIII-2 (e sua odiada protagonista Lighting, que alguém na S-E realmente acha que os jogadores um dia irão gostar). E agora o sucesso de Bravely Deafult foi novamente obra de um estúdio terceirizado, o Silicon Studio, e não de algum time da Square Enix.

Talvez até tenha sido essa uma razão para Bravely não ter sido nomeado como Final Fantasy, pois Bravely tem tudo o que há nos FFs clássicos: um mundo regido por cristais, cuja fragilidade leva aos desastres que movem a história do jogo; um grupinho de guerreiros que salvará esse mesmo mundo; um mal maior que está por trás dos diversos vilões ao longo do jogo; o overworld com batalhas aleatórias a cada dois passos, os jobs com as mesmas skills de sempre…e por aí vai. É a mesma receita que conhecemos, porém dessa vez excutada por cozinheiros mais talentosos e atenciosos, o que deixa como resultado um bolo mais caprichado e saboroso. Ainda sim, o fato do sucesso de Bravely ter surpreendido a Square, só demonstra o quão fora da realidade os dirigentes da empresa estão (por sinal, foi a Nintendo quem publicou o jogo na América do Norte e Europa, não a própria S-E). Aliás, Bravely vendeu mais do que Lighting Returns na América do Norte.

Old school with a new touch

Voltando ao jogo, Bravely Default é um RPG à antiga mas que possui muitos toques contemporâneos, principalmente pelo fato de ser um jogo portátil. Por conta desse detalhe e somado ao fato de muita gente atualmente possuir conexão wi-fi, a Silicon Studio se preocupou em adicionar uma série de funcionalidades que utilizam a internet, como por exemplo, a possibilidade de invocar amigos para dar golpes nas batalhas. Além disso, o jogador pode selecionar modo automático para batalhas, mexer no nível de dificuldade e na percentagem da chance de batalhas aleatórias a qualquer momento do jogo, o que pode tornar as partidas bastante práticas. Entre as novidades há ainda o sistema que leva o nome do jogo, justamente o Bravely/Default, que permite ao jogador guardar ou gastar ações para usar nas rodadas das batalhas. Somado aos limit breaks, que em Bravely Default são adquiridas exceutando-se uma sequência de ações(como usar item x vezes seguidas, por exemplo), há uma boa soma de estratégias possíveis, o que torna o Bravely bem dinâmico.

E para completar, há ainda a possibilidade de combinar skills de jobs diferentes, portanto há muito o que jogador pode fazer. De resto Bravely Default é bem old school, pois quem jogou um Final Fantasy da vidade já sabe o que esperar. As side quests são no mesmo estilo de sempre, os protagonistas não estão longe do que já vimos em outros jogos do gênero – há o “prestativo”, o “engraçado”, a “dramática” e a “brava”, naquele esquema qye vocês conhecem. A narrativa e a forma como o jogo progride também lembram bastante um Final Fantasy IV, por exemplo.

Nos aspectos técnicos, Bravely também é old school no melhor sentido, pois utiliza ampla gama de belíssimos gráficos pré-renderizados, somados a personagens bem modelados e animados. Há muito tempo não via tamanho capricho em um RPG portátil, realmente é de admirar o capricho e a atenção aos detalhes dados aos desenhos que compõem os cenários, sobretudo os das cidades. A trilha sonora por sua vez não é nada menos que excepcional,e ainda no quesito som, convém notar que há muitos diálogos (bem)dublados, algo também incomum em jogos do 3DS.

Por fim…

Não me restou dúvida de que Bravely Default é não apenas um RPG de alto nível, mas um jogo impecável, melhor do que boa parte do que a S-E vem apresentando em seus próprios jogos. A aventura funciona bem, há desafios e sidequests à contento, bons calabouços, batalhas épicas contra os chefes e opções de customização à granel. Até pelo fato do 3DS não ter grandes opções no gênero, creio que Bravely deve ser uma opção obrigatória para quem tem o 3DS. Que venha Bravely Second.

Até o próximo post.

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2 thoughts on “Bravely Default lembra porquê Final Fantasy era bom

  1. Bom review, como a tempos não se via por aqui. Meus parabéns! Estou interessado no jogo, entretanto, a lista de jogos no 3DS é muito grande.

  2. Quando o próprio presidente da Square-Enix vem a publico dizer : ” Não imaginava que existiam tantos fãs de jrpg fora do Japão” . Percebe-se o porque a Square é forte candidata a ” Nova Sega” .
    O Japão tá sucatiado.

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