Bad Trip: Space Ace – Snes

Saudações aos queridos frequentadores deste humilde blog. Após tanto espinafrar os jogos ruins, resolvi evoluir (ou não) um pouco e detonar com alguma coisa dos 16 bits. Hoje o lixo da vez será um joguete bem cara de pau que um dia ousou aparecer em meu caminho: Space Ace do Snes. Preparem os tomates, ovos podres e a farinha, pois esta criatura merece toda a humilhação. Esse é ruim demais.

Originalmente lançado em 1984 para Arcade e posteriormente convertido para um putilhão de plataformas, Space Ace era uma espécie de sequência indireta de Dragon’s Lair, lançado um ano antes. Ambos impressionaram (em uma época onde os jogadores estavam acostumados a jogos com sprites simples e poucas cores), com a qualidade da animação produzida pelo genial Don Bluth, diretor de clássicos como The Land Before Time, All Dogs go to Heaven, An American Tail (Fievel),
Banjo the Woodpile Cat, entre outros que não me lembro agora. Posso dizer sem pestanejar que se vocês nunca assistiram um desenho dele, provavelmente não tiveram infância.

Para conseguir tal qualidade, as animações foram gravadas em Laser Discs (aqueles enormes e desajeitados discos que pareciam cds gigantes), cujos tocadores eram convenientemente escondidos pelos gabinetes dos Arcades. Tanto Space Ace como Dragon’s Lair não são exatamente jogos, mas filmes interativos onde o jogador controlava indiretamente as ações do personagem, era preciso apertar os direcionais e mais um botão de ação mais rápido e preciso que jogador do Botafogo dopado por femproporex. Enquanto a animação rolava em um ritmo alucinante, caso o jogador errasse o tempo e apertasse um botão errado, acontecia uma animação do personagem sendo impiedosamente massacrado pelas hordas do vilão Borf.


Space Ace rodando no Arcade

Alguns anos depois, algum produtor idiota motivado talvez por uma dívida de jogo ou pelo casamento infeliz, resolveu criar uma versão de Space Ace para o Snes. Vocês devem se perguntar como enfiar aquele desenho animado em um mísero cartucho onde mal cambiam dois ou três megabytes. Pois é, também me perguntei isso no dia que vi esse jogo na prateleira da locadora. A resposta é simples: não dá. A curiosidade matou o gato, mas ainda sim fui bizarramente motivado a ver como essa tranqueira funcionava no Snes.

Para criar algo que console pudesse fazer, os designers mudaram a proposta original e transformaram Space Ace em um jogo de plataforma. Ou melhor, um jogo de plataforma muito ruim. Melhor ainda, um dos piores jogos de plataforma que já joguei na minha vida. A desgraça começa logo após ligar o cartucho, contrariando a tradição dos jogos lixos, esse aqui nem se preocupou em fazer uma apresentação decente. Para começar, a (pouca) história do jogo era contada em um texto verde escuro que passava girando pela tela preta com o espaço sideral ao fundo, totalmente ílegivel e desnecessário, por sinal.

Para piorar, na sequência aparecia uma ilustração que parecia ter sido feita por um aluno do pré-primário no paint do Windows, com o herói, o vilão e a mocinha, todos sobre um fundo com um horrível degradê. Quando o jogo em si começa, ele nos proporcionava a morte mais rápida da história dos videogames. Aqui, simplesmente qualquer elemento é capaz de matar instantaneamente, o que não seria um problema sério (visto que vários jogos possuem essa característica), mas a jogabilidade lenta e desajeitada trabalhava contra o jogador. A ação simples de dar um salto era algo que requeria uma paciência titânica e de uma destreza sobre-humana, pois o contato na descida era imprevisível, sendo comum você achar que caía no local certo e descobrir que tinha perdido mais uma vida.


A Desgraça em ação

A trilha sonora genérica e sem inspiração embalava a ação ruim e mal programada, que se tornava extremamente repetitiva por causa das dezenas de mortes desnecessárias. Os estágios eram curtos em geral, porém suas extensões eram artificialmente aumentadas pela dificuldade frustrante e a péssima jogabilidade. O sistema de colisão do jogo foi horrívelmente programado, afinal, além de lutar contra os obstáculos e inimigos, os jogadores tinham de lutar contra as falhas de programação, tornando tudo muito injusto. A impressão que dava era que os sádicos designers criaram algo que não fosse feito para ser vencido, um universo de impecilhos só para sacanear quem resolvesse encarar o desafio.

Como o evento mais comum do jogo era morrer, em cada vez que isso acontecia surgia uma janela com uma animação em uma resolução rídicula e estourada, só para mostrar o quão bocó era o jogador. Evidentemente esse recurso se esgotava rapidamente, se tornando mais um elemento repetitivo dentro do pacote. Na versão original, em algumas ocasiões o herói conseguia se transformar em adulto, ficando muito mais forte, ágil e podendo atirar nos vilões com uma pistola laser. No Snes, o jogador era obrigado a pegar discos vermelhos para acumular energia, porém aqui ficar adulto era mais uma dos problemas do jogo. O herói continuava com movimentação ruim e para atirar era preciso ficar parado e movimentar uma mira lenta e imprecisa, o que como era de se esperar, ocasionava várias mortes à toa.

Após algumas partidas recheadas de frustração e ódio, devolvi revoltado o jogo na locadora, para esse lixo nunca mais sair da prateleira de lá. Se quiserem jogar o Space Ace de verdade, procurem um emulador de arcade na internet ou peguem o Dragon’s Lair Deluxe Pack ( o SA faz parte do pacote), que acabou de sair nas lojas. Essa versão tem os gráficos remasterizados para ficarem com qualidade HD, deve valer ao menos um download. Muitos consideram o Super Nes o melhor videogame da história, mas nem isso impediu de lixos serem lançados para ele. Space Ace é um dos piores.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

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