Bad Trip: Robocop 2 (NES)

Saudações aos leitores.

Os eternos jogos baseados em filmes, sempre eles. Descascarei aqui nesse post este que foi uma grande enganação daqueles tempos, Robocop 2, lançado em o NES em 1991 pela Data East.

O NES foi indiscutivelmente o maior console de seu tempo, cuja biblioteca está recheada de clássicos que ainda são jogados e reverenciados. Porém, é fato também que possui uma coleção considerável de porcarias constrangedoras, daquelas que somente a lembrança é capaz de nos fazer sentir vergonha de nós mesmos por um dia ter gastado tempo e dinheiro com elas. Robocop 2, pelo menos no meu caso, certamente faz parte desse lix, digo, nicho todo especial de joguetes. Bom, entre o final dos anos 1980 e incio dos 90, eu era um pequeno e inocente fã de filmes de ação, assistindo desde os melhores do gênero até tosqueiras do nível de um American Ninja ou Garras de Águia (esse ganhou alguma popularidade depois da paródia do Hermes & Renato). Então, por óbvio que assisti aos filmes do Robocop (até mesmo o deprimente terceiro filme), e quando vi que tinha um cartucho do NES baseado no primeiro filme, claro que aluguei.

Ok, o jogo é bem fraco, mas até dava para o gasto para um garoto na faixa dos 10 anos. As falhas de design são claríssimas, a trilha sonora era composta por apenas 2 músicas para o jogo inteiro (uma para as fases e uma para os chefes), o gameplay é repetitivo e limitado, curta duração e etc. Ainda sim, Robocop NES se esforçou em lembrar o filme em algumas situações de jogo, Robocop era bem representado nas ceninhas entre as fases, os gráficos eram razoáveis. O conjunto era até honesto para um jogo baseado em um filme – cujo resultado sabemos bem qual poderia ser (vide exemplos como Total Recall, Predator, Ghost Busters e outros). Em compensação, quando se olha para Robocop 2…

Mas que porcaria que fizeram com o pobre Robocop. Se por um lado o policial de aço foi bem representado (dadas as limitações do NES, não dava para fazer nada muito melhor), por outro, no segundo game Robocop foi transformado em um anão cabeçudo. Pior, um anão cabeçudo patinador, que tem uma dificuldade séria em manter-se no lugar e conseguir ir de um lugar a outro sem parecer que está em um piso encerado. Por algum motivo que felizmente desconheço, algum gênio da Ocean Software (a grande concorrente da Acclaim na categoria “lixos gamísticos”) achou que seria uma boa idéia fazer Robocop pular, e assim mudou a mecânica de pura ação do primeiro game para uma patética mecânica de plataforma. Como tudo o que é ruim sempre piora, a Ocean achou boa idéia implementar uma direção de arte cartoon, com direito a cenários coloridos e com detalhes em cores no melhor estilo “new wave”. Somado a isso você tem bandidos gordinhos e alguns usando o clássico conjunto de boina com máscara como inimigos, isso porque o jogo deveria retratar a Detroit do futuro, cuja bandidagem certamente não terá o visual de meliantes do século XIX.

Diferentemente do primeiro jogo, que possuia progressão de fases intercalada por fases bonus, Robocop 2 é uma grande picaretagem. O jogo possui apenas 3 fases, sendo uma situada em um bairro industrial, a industria e si, e lá pelo final do jogo rola uma fase em um esgoto que mais parece ter sido roubado das Tartarugas Ninjas. As fases têm a mesma estrutura, variando apenas no uso das cores e na posição dos inimigos e obstáculos. No meio temos uma seção de tiros que obriga o jogador a vencer sob a pena de ter que jogar a fase anterior novamente. O duro é que tudo funciona muito mal, pois ao mesmo tempo que o Robocop anão patinador desliza feito um carro sem freio, a rolagem da tela acompanha na mesma velocidade, mas sem retornar ou ponto anterior. Isso somado ao péssimo level design do jogo, o resultado disso muitas vezes é o jogador preso em locais impossíveis de se progredir ao mesmo tempo que não é possível retornar ao ponto anterior.

O jogo também é cheio de situações bizarras como resgatar reféns desenhados como se estivessem rezando para algum deus estranho (e que saem voando pela tela após resgatados, não entendi essa), inimigos que tal como baratas surgem dos buracos mais improváveis, plataformas que saem voando, e tudo embalado em layouts absolutamente estranhos – e mais estranhos ainda quando você lembra que esse jogo era baseado em um filme (que claramente não tinha cenas rodadas em fábricas cor de rosa). Por sinal, a única referência remota que o jogo faz ao filme além da presença droga nuke é o chefe final. Fora isso, o jogo ficou muito longe do filme (que por si só já era bem fraco), e muito longe de um jogo prestável também.

Por fim…

Mais um joguete que volta direto para a lata do lixo da história dos jogos. Robocop 2 foi uma baita enganação e ainda conseguiu um feito e tanto: uma continuação de outro jogo baseado em filme que conseguiu ser pior que seu predecessor. Uma cortesia da Ocean Software, grande produtora de lixo daqueles tempos imemoriais. Se é para fazer um joguete barato e rápido baseado em um filme (ou seja, seu jogo será uma mero merchandising de pouco valor) que ao menos seja honesto, como foi o primeiro Robocop.

Abraços e até o próximo post.

AvcF

3 thoughts on “Bad Trip: Robocop 2 (NES)

  1. Que conste aqui que o filme “ROBOCOP – O POLICIAL DO FUTURO” é uma obra prima, que deve ser considerada como tal, e que Paul Verhooven está de parabéns pelo que fez, pena que a indústria cinematográfica atual não dê mais espaços para gênios como ele como ele manifestem sua arte.

  2. O primeiro RoboCop do Verhoeven é genial!!!! Mas os joguinhos eram vergonhosos hehe. Lembro que joguei muito esse primeiro, o segundo passei batido hehe!!

  3. Minha infancia acabou no dia em que vi a execução de Alex Murphy.
    O primeiro eh um classico, pena que as continuacoes sao uma lastima.
    Frank Miller, genial, escreveu o roteiro daquelas bombas. O problema eh que Miller eh um fantastico escritor na linguagem dos quadrinhos mas nao soube importar esse talento para a linguagem cinematografica. Assim RoboCop 3 ficou uma mistura de Ronin com Cavaleiro das Trevas.
    Voltando aos games, nunca joguei RoboCop nem RoboCop2 no Nes mas tive a oportunidade de jogar RoboCop Vs Terminator no Mega Drive. Apesar do receio de ver nao um mas dois personagens cinematograficos em um game devo dizer que foi uma otima surpresa.
    O game eh exelente e recomendo a quem quiser um jogo de acao. O game eh bastente violento, lembrando o primeiro filme do RoboCop. Tem uma versao para Snes mas eh bem diferente da versao para o Mega, acho inclusive que foi feito por outra produtora.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.