Bad Trip especial: games esportivos com nomes de atletas

Saudações aos bajuladores.

Esse post será um compêndio com todos os fracassos esportivos em forma de game que se aproveitaram de um nome famoso para enganar pobre incautos. Aliás, alguns dos atletas nem eram tão famosos ou relevantes assim, mas dependendo do cacife da produtora era o que dava para arranjar. Arrumem um lugar na arquibancada e preparem-se para vaiar e achincalhar esses pernas de pau dos games.

Weyne Gretzsky:

O maior entre os craques do hóquei no gelo, quatro vezes campeão da Stanley Cup, campeão olímpico e recordista de gols, Gretzsky foi um campeoníssimo do hóquei. Um craque incontestável. Isso nos rinques, pois nos games foi uma lambança só. Basicamente nenhum game com o nome ex-jogador canadense presta, e pior que isso, nem medíocres conseguem ser. Quando eu conheci os emuladores, isso lá em 1997 ou 98, uma das coisas que fiz foi conhecer alguns games de hóquei antigos do NES. Joguei o bacana Blades of Steel da Konami e então fui experimentar o Wayne Gretzky Hockey, acreditando ser um esportivo bacana. Pois bem, até começar a partida tudo indicava uma simulação que no limite do aparelho, se levaria a sério. E o que tive foi essa coisa:

O que seria isso, um hóquei de formigas? Patinação de pulgas amestradas? Gráficos ruins, jogabilidade péssima, ruídos aleatórios no lugar da trilha sonora e uma experiência geral abminável; tornaram o game o esportivo mais rapidamente intragável que joguei no NES. Até mesmo o simplório (porém simpático) Ice Hockey, lançado anos antes, é mais divertido de jogar. Avançando no tempo, Gretzsky voltou aos games nos tempos do Nintendo 64 com as porcarias Weyne Gretzsky´s 3D Hockey e Weyne Gretzsky´s 3D Hockey 98, além do constrangedor Olympic Hockey Nagano, certamente uma das grandes picaretagens do mundo dos games.

Na geração seguinte a triste carreira gamística continuou com a franquia Gretzsky NHL, primeiro no Playstation 2 e depois no PSP (que detonei aqui no blog). Seja o game que for, não há nada que valha a pena, não há nada que preste. Como jogador, Gretzsky foi conhecido como “the great one”. Porém, nos games ele nem passaria pelos drafts, sendo vergonhosamente reprovado.

Pelé

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<p style=Edson Arantes do Nascimento nasceu em…epa, epa! Tenho mesmo que aqui no Brasil preciso explicar quem foi Pelé? Até um eremita cego, surdo, mudo e retardado isolado nos últimos trinta anos no mais profundo buraco da Gruta da Jabuticabeira sabe quem foi o rei do futebol. Pelé também foi uma espécie de precursor dos games esportivos com nome de atletas, pois Pele´s Soccer foi lançado para o jurássico Atari 2600. Como outros esportivos daquela geração, era um game muito limitado e era necessária uma dose de boa vontade para considerar aquilo como algo que lembrava futebol. Não que fosse exatamente ruim, pois o Atari era muito limitado para esse tipo de jogo, mas o game não teve destaque e nunca é lembrado nas listas dos melhores do console.

A vergonha veio somente anos depois, com o ridículo Pele II: World Tournament Soccer. Era um futebolzinho sem vergonha e com a mesma categoria dos reservas do Taubaté. Engraçado é que eu até tenho uma velha revista Ação Games que não teve dó nem piedade para destroçar esse joguete perna de pau. Vejam por vocês mesmos:

Para o azar dos manés da Accolade, no mesmo ano foi lançado o clássico FIFA Soccer 94, franquia que até hoje é referência em termos de futebol videogamístico. Então Pelé ficou anos sumido dos video games, somente retornando ano passado como personagem do game Academy of Champions, lançado para o Wii. Não joguei esse título, mas os reviews não foram lá muito favoráveis, e nem deve ter feito muito sucesso. Certa vez eu ouvi uma frase que dizia “Pelé é incontestável, já Edson Arantes do Nascimento, não”. Essa máxima poderia ser facilmente aplicada aos games.

Tony Meola

Ainda no campo do futebol, outro joguete que ficou relativamente conhecido (pelo menos nos lugares onde eu jogava) foi Tony Meola’s Sidekick Soccer, lançado para SNES em 1993. Tal qual o game do Pelé, tratava-se de um futebolzinho bem sem vergonha, mas com o diferencial de usar do Mode 7 que o SNES dispunha. Assim, o game tentava de modo muito porco simular um ambiente tridimensional, o que por óbvio não funcionava e revelava-se como um truque que cansava rápido. Tirando esse detalhe, o que se tinha era um futebol truncado, sem inspiração e monótono:

Mas nesse momento alguém pergunta: quem foi esse tal de Tony Meola? Tão ilustremente desconhecido quanto seu jogo, Tony foi goleiro da seleção de futebol dos Estados Unidos durante muitos anos. Talvez o maior feito de sua carreira foi ter perdido para o Brasil nas oitavas de final da copa de 1994. Ganhou alguma coisa na Major League Soccer (liga de futebol dos Estados Unidos), mas esse campeonato é tão inexpressivo que ninguém se importa. Exatamente como Sidekick Soccer. Um detalhe curioso é que o game era tão genérico que um ano depois foi lançado no Japão como Ramos Rui no World Wide Soccer, baseado no ex-jogador brasileiro Ruy Ramos (os japonetas tiveram a capacidade de errar o nome do cara). Tanto faz se é World Wide Soccer ou Sidekick Soccer, ambos são a imagem videogamística daquele eterno reservão esquentador de banco que passa por vários clubes e ninguém nem fica sabendo. Genérico e sem personalidade, não encanta ninguém quando tem a chance de mostrar seu futebol.

Nigel Mansell

Quando foi lançado em 1992 para os consoles Sega, Ayrton Senna’s Super Monaco GP II foi um grande sucesso. Além de permanecer por anos como o melhor simulador de Formula 1 dos consoles, o jogo acabou fazendo escola, pois outros pilotos resolveram licenciar seus nomes para jogos de videogame. O primeiro a entrar nessa foi o na época experiente piloto inglês Gilberto Barros, digo, Nigel Mansell (aliás, ele foi o campeão em 1992), com Nigel Mansell’s World Championship Racing. Lançado em 1993 para SNES, o game foi feito claramente como uma tentativa de igualar a experiência proporcionada por Super Monaco GP II, falhando miseravelmente. Isso aconteceu primeiro porque quem foi produziu Monaco foi a Sega, muito melhor produtora do que a Gremlin Graphics, segundo porque Ayrton Senna colaborou diretamente no projeto de Monaco GP II. Por outro lado, o “Leão” Mansell apenas emprestou sua imagem para World Championship Racing. Comparem os games vocês mesmos:

O game de Nigel Mansell ainda foi reaproveitado em alguns joguetes medíocres de Formula Indy para SNES, mas nada que valha a pena perder tempo. Houve também uma versão NES, mas o único game de corrida prestável que joguei no 8-bits até hoje foi RC Pro Am II. A verdade mesmo é que os simuladores de Formula 1 só se tornaram realmente sólidos nos consoles (os PCs sempre foram melhores para isso) com F-1 World Grand Prix, lançado em 1998 para Nintendo 64. Mas o fato é que tanto nas pistas quanto nos games, Nigel Mansell foi inferior a Ayrton Senna.

Mike Tyson

Um dos maiores lutadores de boxe de todos os tempos e símbolo de uma era em que a “nobre arte” tinha status mundial e o glamour dos holofotes de Las Vegas, Mike Tyson foi um verdadeiro bad ass. Campeão e controverso em sua vida real, foi estrela do clássico Mike Tyson´s Punch Out para NES, para após sucesivos escândalos e problemas, sumir dos games. A Nintendo até mesmo teve que relançar o jogo com um novo chefe no lugar de Tyson, além de rebatizar para “Punch Out Featuring Mr. Dream”. O boxeador somente retornou aos games no obscuro Mike Tyson Boxing, lançado para Playstation:

Fora o fato do jogo ser ruinzinho, era meio triste, deprimente até, ver Tyson lutando contra aqueles patetas que apareciam no seu jogo. Um boxeador da qualidade de Tyson merecia um game bem melhor, aquela porcaria não valia nem a midia virgem. Serviu apenas como um reflexo da decâdencia que Tyson chegou em certa fase de sua vida.


Tyson em recente aparição na WWE

De alguns anos para cá, Tyson se resume e viver de seu passado e faturar sobre suas glórias de ontem, como formas de ganhar uma grana para pagar suas dívidas. Aparições em programas diversos, entrevistas e até um documentário de sua vida e carreira; vale tudo para não ser esquecido. Tyson se tornou uma sombra de si mesmo.

Certamente há mais esportistas de sucesso que naufragaram nos games, mas também não consegui jogar tantas porcarias assim. E aí, o que mais vocês jogaram dessa, digamos, categoria especial? Bom, vou ficando por aqui. Bom fim de semana a vocês.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

13 thoughts on “Bad Trip especial: games esportivos com nomes de atletas

  1. Me lembro que tentava jogar o Monaco GP mas não conseguia, sei lá sempre fui prego em jogos de formula 1, mas me lembro que tinha gostado do jogo do Nigel Mansell, tinha conseguido até terminar ele na época, nem fazia idéia que ele tinha sido reaproveitando de um jogo de formula Indy.

    hehe esse vídeo do Manaco GP me fez lembrar dos pneus que ficam ao lado que parece cotonete.

  2. Eu lembro que eu tinha justamente esses jogos horríveis do Gretzky no N64, que meu pai acabou comprando pra mim.
    Na época eu até jogava um pouco, mas a qualidade dos mesmos era realmente sofrível.

    E eu cheguei a jogar esse jogo do Wii que tem o Pelé.
    Não é lá grande coisa, bem sem graça até.Parece uma copia meia-boca do Mario Strikes Charged.
    Mas perto desses outros jogos que pegaram carona com o rei, esse é uma obra prima.

  3. O jogo do Nigel mansel era mesmo ruim se jogado no modo simulação, mas jogado em modo arcade, na minha opinião, era bem melhor que o monaco GP de mega drive.
    Porque ?
    Porque eu jamais me conformei com as curvas que apareciam do nada no monaco GP, algo como “agora temos uma enorme reta até o horizonte e… Epa, eu bati em uma curva ? mas eu nao via uma curva se aproximar à minha frente!”.
    Alguns dos poucos jogos de corrida que pude jogar no mega tinham esse mesmo “defeito” de não mostrarem os obstáculos se aproximando na tela, apenas os montavam em cima da hora, e atrapalhavam um pouco a jogabilidade.

    Comentário do AvcF: nenhum game dessa época chegava perto daquilo que seria entendido por “simulação das regras da realidade”(sim, porque todo game é em si uma simulação – mas isso dá assunto para um post inteiro). isso claro, nos consoles, pois os PCs davam um banho nesse quesito. Mas o mais trash era fazer uma curva a 300KM/H com um carro de Formula 1 e SAIR ACELERANDO SEM PERDER VELOCIDADE OU ADERÊNCIA. Fora que nesses jogos jogar com marcha automática era melhor do que manual.

  4. ahuahuhuahuahuahuua… Bingo! Nessa você está certíssimo AvcF.
    Citei o modo simulação do game do nigel mansel porque realmente, era extremamente ruim jogar daquele jeito. Jogar no “modo arcade” era bem legal.
    Também me lembro de jogar o monaco GP de master system, e era legal (sim, melhor que o game de nigel mansell no snes).
    Estranhamente, me dei melhor com a versão master system do que com a de genesis do game de ayrton senna. acho que não sou normal…

    “fazer uma curva a 300KM/H com um carro e SAIR ACELERANDO SEM PERDER VELOCIDADE OU ADERÊNCIA” era o melhor dos games de corrida do snes e mega!

    Top gear até hoje é o melhor!!!

  5. O jogo do Nigel Mansell do SNES foi um dos melhores que ja joguei de corrida até hoje. Digo isso em termos de diversao, nao de graficos, etc. Juntamente com os Top Gear, e mario kart, era diversao pura…. mUito bom!!!

  6. Sem contar com aquelas placas na beira da pista, troço mais non sense. Avcf, tem mais, aquele joguinho do Meola ainda saiu aqui no Brasil pela finada Playtronic como Super Copa, é mole?

    Comentário do AvcF: lembro desse cartucho Super Copa, Fabio. Deve ter tido gente que caiu nesse conto na época.

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