Bad Trip: Beethoven (SNES)

Saudações aos leitores.

Como todos sabem, pior do que jogos baseados em filmes, são os jogos baseados em filmes ruins. E Beethoven conseguiu a medalha de lata nos dois quesitos, o que é um fato de certo modo notável. Preparem os tomates e ovos, amigos. Vamos lá.

Antes de continuar o texto, imagino que alguns leitores devem estar se perguntar porque cargas d’água eu perdi meu tempo jogando uma trolha dessas. Pois é, confesso a vocês que não sei como explicar 😆 Dito isso, relembro mais uma vez que nos jurássicos anos 1990 havia um bizarro hábito que consistia em sair de casa, dirigir-se a um local chamado “Locadora”(ainda será tema para os futuros arqueólogos, anotem) e pagar uma quantia em dinheiro pela posse temporária de um filme ou video game. Ah, os anos 90, tempos difíceis.

Por algum motivo que não consigo(ou inconscientemente não queira) recordar, entre jogos decentes e bons eu acabava levando verdadeiros lixos para casa, jogos tão ruins que acho até hoje que eu devia ter sido pago pela locadora somente por economizar o espaço deles por alguns dias. Ainda sim, o lado menos ruim disso é que se não fosse esse bizarro hábito de minha parte, vocês não teriam muitos dos Bad Trips que foram gloriosamente publicados aqui.O que não quer dizer muita coisa também, mas vida que segue.

Diferentemente dos games porém, eu seguia – e ainda sigo – minhas escolhas inteiramente baseadas em meus preconceitos. Basicamente, ODEIO filmes que são baseados em crianças-prodígio, “comédias” com chipanzés engraçadinhos/esportistas ou Adam Sandler (não sei bem a diferença entre os dois), comérdias românticas, musicais com gente monga que dança sem motivo, aventuras “épicas” com bichos falantes, filmes com a xuxa e semelhantes e aqueles com pessoas felizes que lutam por um mundo melhor (ou alguma coisa politicamente correta do gênero). Portanto, obviamente um filme como Beethoven (e olha que gosto de cachorro) além de ser uma total porcaria, jamais poderia gerar um jogo que preste (se alguém conhecer um jogo decente protagonizado por um cão São Bernardo, me avisem).


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Depois de uma horrenda continuação, alguma alma iluminada achou boa idéia levar Beethoven para o SNES, dando a tarefa para a obscura Hi Tech Expressions, responsável por medonhos jogos do Tom & Jerry e Sesame Street. O resultado, como vocês puderam acompanhar acima, foi nada menos que o sensacional. Sério, o responsável pela trilha sonora merecia uma estátua em praça pública, tal qual sensacional é sua obra. Sim, porque somente um gênio poderia ter a idéia (e a audácia) de pegar a Quinta Sinfonia de Beethoven (o maestro) transformá-la com uma sequência de arranjos bizzaros e desconexos a ponto de parecerem fora de ritmo. Se essa composição fosse apresentada em um museu de arte contemporânea, não tenho dúvidas que críticos de arte e hipsters em geral dariam nota máxima.

O restante do jogo é um primor, claro. Você controla um cachorro que mais parece um tanque, de tão duro, por fases com mapas completamente mocorongos. Como se trata de um jogo infantil, a única forma de mata, digo, sumir com os inimigos é usando o som do latido de Beethoven (o cachorro), não sendo permitido sequer tocar neles sob a pena de sofrer dano. Mas nem se preocupem, pois o jogo sempre há uma distância enorme entre o inimigo e o jogador, e a total inação dos inimigos os torna apenas uma perda de tempo constante. Por falar nisso, os estágios são tão longos e entediantes quanto assistir o horário eleitoral gratuíto após uma feijoada.

Claro que depois de uns quinze ou vinte minutos de jogo (ou tentativa de), eu olhei para a televisão, para meu SNES, e ao colocar a “mão na consciência” e perguntei “MAS QUE BARALHOS EU ESTOU FAZENDO?” Claro que não demorou para eu devolver correndo o jogo.

Por fim…

Se querem saber o que é realmente um jogo ruim, peguem o Beethoven para SNES e mandem ver no emulador. Mas se a ruindade suprema travar o sistema operacional, não me responsabilizem. Depois não digam que não avisei.

Até o próximo post, pessoal.

AvcF – Loading Time.

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