Artigos traduzidos: Wii Fit e Heavy Rain não são tão diferentes

Saudações aos precavidos.

Artigo traduzido originalmente publicado no site Destructoid. Um texto um pouco provocativo até, que estabelece uma comparação a princípio improvável, mas que faz todo sentido. Digo provocativo, porque tenho certeza que alguns dos argumentos do texto são capazes de irritar os rardecores. Logo abaixo o texto. Boa leitura a vocês.

Wii Fit e Heavy Rain não são tão diferentes

Alegação corajosa, de fato. Wii Fit da Nintendo e Heavy Rain da Quantic Dreams existem dos lados opostos do espectro. O que eles poderiam possivelmente ter em comum?

Muito mais do que vocês pensam.

Esses dois títulos são duas vanguardas de alto nível em experimentação no videogame. Eles têm o potencial de influenciar futuros jogos, mas podem sumir facilmente se não explorados. Eles têm em comum não apenas o conteúdo que eles providenciam, mas também sobre os papéis que eles exercem. Eu gostaria de examinar esses papéis de modo a demonstrar quão similar esses games são.

O que é Wii Fit? Um jogo de exercício? Tiveram muitos games de exercício no passado, então o que faz desse tão especial? Chamá-lo de “jogo de exercício” é um tanto enganoso, entretanto. Uma rápida busca no Google reúne conclusões polarizando para a eficiência do Wii Fit como uma ferramenta de exercícios. Para aqueles que vêem os resultados, é apenas quando o Wii Fit é incluído como parte de um programa de saúde maior.

Seria mais apropriado chamar de “ferramenta de estilo de vida”. O jogo não oferece objetivos óbvios; ao invés, os usuários criam seus próprios objetivos e trabalham para alcançá-los mesmo quando o Wii está desligado. Wii Fit encoraja você a ser um pouco mais ativo e fazer pequenas mudanças em sua rotina diária, como caminhar até uma loja ao invés de ir de carro, beber água ao invés de soda no trabalho. Marca seu progresso e sugere atividades que você pode se envolver em seguida. No geral, é uma experiência bem mais pessoal do que dez minutos de DVD de Pilates.

Miyamoto pode considerar Wii Fit como um game, mas é um game no sentido mais vago da palavra. A palavra que vem para encapsular programas como Wii Fit é “não-jogo”. Não-jogos não possuem os elementos comuns e como tal são desagradáveis para o jogador mais tradicional. É surpresa para alguém por que tantos gritaram contra a inclusão nos relatórios de vendas oficiais?

Agora vamos dar uma olhada em Heavy Rain. De acordo com a Game Informer:

“Idéias como atirar nos caras maus, aumentando o nível do seu personagem, e adquirindo novos itens, são tão presentes que eles estão inexoravelmente impregnados na definição da maioria dos jogadores do que significa ser um vídeo game. Heavy Rain força você a reconsiderar essa definição. É meramente um game no senso popular da palavra, mas a obra-prima da Quantic Dreams produz passos importantes no desenvolvimento de personagens e narrativa, demonstrando que o entretenimento interativo ainda tem um potencial profundo e não explorado.”

GamePro diz:
“Alguns podem não se animarem em aceitar a quebra dos conceitos tradicionais do vídeo game”

IGN conclui:
“Heavy Rain é um filme interativo, e é uma experiência cativante.”
O consenso é que Heavy Rain é único e ambicioso, mas definitivamente não é o que você está acostumado. Reparem a linguagem sendo usada – é uma “experiência emocional”, “mantém você adivinhando o que vai acontecer”, “o roteiro o leva adiante”, “as personagens são atores críveis.” Se não fosse pela menção freqüente de aparições de eventos na tela com botões, você pensaria que estava lendo análises do último filme de suspense de Hollywood.

Assim como Wii Fit, Heavy Rain não é o primeiro de seu tipo. O game anterior da Quantic Dream, Fahrenheit, também conhecido como Indigo Prophecy, é o exemplo mais próximo em termos de apresentação e progressão. Heavy Rain vai ainda mais longe por aumentar o número de pontos de junção a tal grau, de forma a criar a ilusão que toda escolha por parte do jogador terá repercussões indo do óbvio até o sutil.
David Cage apontou que nem mesmo ele considera Heavy Rain como videogame. O que ele considera que Heavy Rain seja é uma experiência pessoal e bastante maleável. Duas pessoas não farão as mesmas escolhas, Nenhuma deles é “certa” ou “errada”, e eventos se desenrolarão em múltiplas direções. Não importa o que acontece em um cenário, a história irá proceder para sua conclusão. Como tal, não há uma forma real para “perder”

Você está começando a ver a similaridade?

Tão diferente como Wii Fit e Heavy Rain são, nos seus centros, eles são sobre investimentos pessoais. Um encoraja a preocupação com seu corpo físico enquanto o outro avalia suas decisões e altera a experiência de acordo. Nenhum dos programas lhe condenará por seus erros. Apenas você pode decidir tanto se seu desempenho é satisfatório ou precisa melhorar. De fato, a única forma de fracassar é simplesmente não jogar.
Ainda mais interessante é como ambos os títulos trabalham para remover os jogadores do game e os desconecta da ação na tela. A maioria dos jogos o coloca no papel de um personagem, lhe dando o controle direto sobre seu avatar. Wii Fit faz isso. Claro, seu Mii está lá na sua televisão, simulando cada movimento seu, mas é apenas isso! VOCÊ é quem está melhorando. VOCÊ é quem está sendo desafiado. Sua idade Wii Fit é algum acúmulo de experiência de construção de status, mas uma representação de seu crescimento pessoal fora da tela.

Em Heavy Rain, você segue os acontecimentos de um conjunto de personagens. Esses “atores” interpretam papéis destinados a eles, enquanto você os guia de uma distância segura. Você exerce alguma medida de controle, mas é indireto no máximo. Jogar Heavy Rain é similar a dirigir um filme enquanto está desenrolando, alterando a cena em tempo real no contexto das motivações dos personagens e seus estados emocionais. As vezes seus comandos são aproximações vagas ou ações físicas, mas outras vezes eles são meramente botões a serem pressionados.

Se o personagem que você está dirigindo more, o foco muda para outro. A história não termina ou retrocede em si. Por que iria? Não foi você quem morreu. Os eventos seguem como o fluxo de um rio – você pode redirecionar ou encaná-la, mas nunca pode controlar a água em si. Existem momentos que destacam as diferenças entre esses atores, momentos que desenrolarão de um modo específico independente de sua direção.

Então aqui temos dois não-jogos que encorajam os jogadores não via imersão, mas via emersão. A experiência confia não como ligar os jogadores são na realidade digital, mas em quanto desconectados eles são. Wii Fit é eficiente quando jogadores se comprometem a um plano em que o programa é apenas parte do processo, enquanto Heavy Rain é eficiente quando jogadores percebem que eles não presos pela necessidade.

Tão diferentes como eles sejam, por que eles deveriam ser classificados como games? A forma como vejo, eles estão cativando audiências através dos significados alternativos e expandindo a definição do que um game pode ser. A não ser que seja nosso desejo seja aceitar testemunhar a estagnação criativa, nós temos que ser abertos a pequenas experimentações radicais aqui e ali.

Eu tenho que comentar sobre a recepção para ambos os games, vindo do público entusiasta e da imprensa de games. Embora existam detratores para ambos, é claro que Wii Fit acumula bem mais desprezo. Heavy Rain, por outro lado, parece estar acumulando elogios por seu foco arriscado em como apresenta a narrativa. Heavy Rain está “evoluindo o meio” enquanto Wii Fit está “atrasando o meio”.

Por isso eu pergunto, “qual é a diferença?”

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Comentário

Agora que vocês leram o artigo do Destructoid, fica claro porque disse que era um tanto provocativo. Se quiserem fazer um teste, peguem esse artigo traduzido e joguem em algum fórum de games. Não demorará dez minutos para ver a fúria ista dos rardecores, raivosos como formigas sobre um pote de açúcar. O teste é garantido ou seu dinheiro de volta.

Por outro lado, a maior parte da indústria dos jogos se rardecorizou com o passar dos anos, e o jornalismo “especializado” (claro, tem as exceções) que mais age como um exército de assessores informais de imprensa, também. Desde o início da atual geração HD, valor de produção se tornou uma obsessão no universo dos games, se tornando mais importante que o conteúdo ou o gameplay. Hoje gráficos e texturas de alta resoulção são mais importantes até do que a direção de arte, sem contar que é o primeiro quesito avaliado nas análises. Por isso, por exemplo, que Super Mario Galaxy foi elogiado por todos, enquanto que New Super Mario Bros Wii foi tratado com desdém.

Outra obsessão que vejo atualmente é a indústria dos games querer ser a do cinema. Notem como muitos games estão cada vez mais tentam ter um caráter cinematográfico, cheio de cutscenes, histórias “complexas” e traminhas que fariam um roteirista sério de cinema corar de vergonha. Jogos que muitas vezes têm dez horas de duração ou menos, tem boa parte dessa já curta duração embromada com cenas animadas e computações gráficas. Pombas, até Sonic foi envolvido nessas bobagens.

Agora respondendo a pergunta do autor do artigo original, a diferença é o preconceito. Como o próprio autor apontou no texto, Wii Fit foi motivo de muito choro por parte dos rardecores quando foi lançado. Alguns loucos chegaram a dizer que era o “fim dos videogames”, “invasão dos casuais” ou coisa do tipo. Essa geração era para ter sido uma “corrida entre dois cavalos e um pônei” (teve um analista que disse isso uma vez), mas sabemos que isso não aconteceu. O problema é que até hoje tem quem não aceite isso. Sobre Heavy Rain, não posso avaliar porque não joguei, mas como também foi apontado no texto, será saudado por todos como se fosse a última bolacha do pacote (a única exceção até o momento foi a EDGE), jogo do ano e etc. Mas muito disso será muito mais pelos valores de produção do que por outros méritos.

Seja como for, a diferença de tratamento entre ambos é um reflexo da diferença de tratamento entre o Wii e os consoles HD.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

16 thoughts on “Artigos traduzidos: Wii Fit e Heavy Rain não são tão diferentes

  1. Avcf e seus textos polêmicos rsrs.

    No mais, concordo com o texto, também porque joguei um pouco desse Heavy Rain.

    E você comentou algo que realmente concordo e que esta me incomodando ultimamente:

    “Outra obsessão que vejo atualmente é a indústria dos games querer ser a do cinema. Notem como muitos games estão cada vez mais tentam ter um caráter cinematográfico, cheio de cutscenes, histórias “complexas” e traminhas que fariam um roteirista sério de cinema corar de vergonha.”

    Isso é o cúmulo.
    Se eu quisesse assistir a cenas, vídeos, eu não teria pagado 1000 reais num console e mais uma outra nota em um jogo.Eu teria pagado uns 200 pau num DVD, e alugava um filme pro 5 conto.
    Ou então entrava no Youtube de graça, e tava feliz.

    Além do que, fora essa quantidade absurda de cutcenes, está também o fator de que os games tentam, mas não conseguem ser um cinema.
    Sério, não importa o quão complexo seja uma determinada história, até hoje eu nunca vi um jogo sequer que tivesse uma trama tão elaborada e refinada como a de muitos filmes.

    Eu quero videogame pra jogar, pra me divertir com aquele universo e com as possbilidades dele.História??Pra isso eu assisto um filme de verdade ou leio um livro que é muito mais interessante.

    Pior que isso já começou na geração passada.No PS2 já tinha muito jogo cheio de frescura e muito filminho, e conteúdo que é bom nada.

  2. Primeira vez, que posto no site, primeiro quero parabeniza-lo pelos ótimos textos, mostrando sempre um lado que os “gamers ” não gostam de ver.
    Realmente, a um tratamento diferenciado entre o Wii e os consoles HDs, sendo que isso é uma tremenda babaquice, sendo que os 3 consoles têm ótimos games, o que muda em cada um é a priodade em certos aspectos.
    e só para reforçar esse trecho “Sobre Heavy Rain, não posso avaliar porque não joguei, mas como também foi apontado no texto, será saudado por todos como se fosse a última bolacha do pacote (a única exceção até o momento foi a EDGE), jogo do ano e etc. Mas muito disso será muito mais pelos valores de produção do que por outros méritos.” mas há rumores que a Sony retaliou a GameKult por ela dado uma nota baixa ao Heavy Rain.

  3. Eu estava pensando nessa coisa de game virar filme há um tempo atras quando vi que os japoneses estão reclamando de Final fantasy XIII por ser linear e seguir a regra, batalha, cutscene foda, batalha, cutscene foda e por ai vai. Isso em partes é legal, ver gráficos em alta definição é muito massa, mas não é tudo. Vemos God of War, ou Devil May Cry exigirem o máximo de seus jogadores nos niveis mais dificeis, e ser puro Vg, e com um roteiro e cenas em CG bem feitas, já Metal Gear Solid 4 poderia ter sido feito como uma animação ao estilo Advent Children que daria na mesma. O mesmo parece se dizer desse novo FF13. Um dos problemas é que ás vezes o próprio jogador, que quando tem um game bem feito de verdade, capaz de criar tensão, medo, e ser muito eficiente em seu esquema de jogo, mas com gráficos não tão ultra fodas como as grandes franquias, o ignoram. Um grande exemplo disso é Dead Space, super elogiado, mas com vendas abaixo do esperado. Uma pena

  4. Essa história de ”’Corrida entre doi cavalos e um pônei” é só para demonstrar o quanto essa ”Imprensa especializada” não entende bulhufas do que fala, salvo algumas exceções. Agora eles têm que engolir o fato de que o ”pônei” deu uma surra nos dois cavalos que apostaram erradamente. Por isso que eu digo: nunca cante vitória antes do fim do jogo. A Nintendo não dá ponto sem nó, vide o que ela fez com a Rare, vendeu as ações porque não dava mais lucro (sábia escolha até porque os ”caras” que eram a Rare se mandaram e fundaram a Free Radical design) ou seja sobrou só nada da Rare original, daí a bobona da Microsoft foi lá e pagou a bagatela de 300 e tantos milhões para nada, porque só acabaram de afundar um barco que já estava afundando. A Sony e a Microsoft estão entrando num abismo sem fundo pois a maioria das pessoas não ligam para detalhes como HDMI, resolução, gráficos cinematográficos e esse blá blá blá técnico. Só quem gosta realmente do assunto se importa com isso, quando se foca nesses quesitos o caminho é apenas um: mais custos, ou seja o oposto do objetivo maior de uma empresa: o lucro.

  5. Tá bom, não joguei Heavy Rain. Mas acho que é encher demais a bola dele compará-lo com Wii Fit. É meio “Wii Fit não é um jogo, mas uma experiência interativa, então todos vocês que compraram Wii Fit devem esperimentar essa nova experiência”.

    Não vejo grandes diferenças entre Heavy Rain e Plumbers don’t wear ties ou Você Decide. Eu queria mesmo que tivesse um jogo por trás, e o Wii Fit tem vários.

    Heavy Rain é só mais uma homenagem a si mesmos que o pessoal da Sony fez. “Olha nossa capacidade artística!!!” É grande sua capacidade artística? Hollywood tá precisando urgentemente. Pode fazer a história de um jogo render uns dois filmes, e ganhar muito mais dinheiro com isso.

  6. Dead Space é realmente um jogão, mas as vendas…
    Tenho os três consoles, os dois portáteis e mais os jogos no PC. Acabo jogando mais Pc, os portáteis e o Wii. O Pc pela praticidade do Steam, o Wii pelos jogos da Nintendo e os portáteis porque morando em São Paulo e não usando carro vc tem a necessidade de distrair-se durante os habituais trânsitos. Os gêmeos HD jogo pouco; peguei o demo desse Heavy Rain, achei bem fraco, mas muito fraco. Não sou um grande fã de Wii Fit mas é mais divertido correr atrás de um cachorrinho bocó do que escovar os dentes do personagem

  7. “Ismo” só gera “ismo”, não AvcF? Daqui a pouco aparece uma comparação de Crash Bandicoot com SMW.

    Heavy Rain e Wii Fit tem propostas e direções MUITO, mas MUITO diferentes. A ÚNICA semelhança, é a quebra no ‘conceito’ do que é um ‘game’. Dá uma lida nas entrevistas de David Cage (Diretor de Heavy Rain) e de Myamoto (nem preciso dizer quem é) recentemente a EDGE.

    O mais engraçado é como aspectos que hoje ‘deturpam’ os HDs serão totalmente suprasumados com o lançamento de um Zelda…

    Comentário do AvcF: Daniel, verdade, ismo gera ismo, ok. Só que isso nada tem a ver com o texto publicado. No caso do meu comentário posterior ao artigo traduzido, falei de como o preconceito distorce a forma de ver dois produtos cujo conceito e filosofia de design são parecidos. E é disso também que tratou o texto do Destructoid. É ÓBVIO que Wii Fit e Heavy Rain são completamente diferentes em suas mecânicas e estéticas, bem como o público-alvo que ambos visam atingir. O artigo traduzido é claro nesse sentido também. O debate ali (e isso achei bastante válido), foi como indo além da superfície percebe-se que ambos os games não assim tão diferentes, embora sejamos por diversos motivos levados a achar o contrário. O autor do artigo argumenta bem nesse sentido. Despropositado é partir de uma analogia incorreta para criar um argumento.

    Sobre Zelda, sim, acredito que o pessoal da imprensa de games (revistas e sites) elevarão à décima potencia o hype do jogo partindo dos valores de produção. É assim com todos os jogos. Até por isso que há uma grande pressão para que Nintendo libere logo qualquer material do jogo. Já no meu caso, meu maior interesse será em que e como o Motion Plus será um diferencial na mecânica de jogo, além do que de novo a Nintendo irá propor com esse novo projeto. O resto é secundário, pois Zelda sempre teve grandes valores de produção, e não será uma trilha orquestrada ou uma dublagem que farão o próximo Zelda ser um clássico. Isso dependerá da competência da equipe de produção em proporcionar uma experiência à altura dos melhores da série.

  8. Nada tem haver com o texto? Você, antes mesmo de jogar Heavy Rain já está subjulgando o jogo, ( será saudado por todos como se fosse a última bolacha do pacote… Mas muito disso será muito mais pelos valores de produção do que por outros méritos.)

    Será que o jogo não tem méritos pra isso? Como você pode julgar isso… sem nem ter jogado?

    Você parte de um pressuposto de ‘tratamento diferente’ do PS3/XB360 para o Wii. Não deveriam ter tratamentos diferentes não? São produtos diferentes. Diria até, para nichos diferentes e com públicos bem mais específicos do que apenas “jogadores de videogame”. Até mesmo PS3 e XB360 podem ser segmentados em nichos mais específicos. A quebra de paradígma em Wii Fit e a de Heavy Rain são ambas importantes; E em momento algum eu disse que esse debate não seria válido.

    Sobre Zelda, apenas citei UM exemplo de comos ‘características dos consoles HDs’ também permeiam e MUITO produções da Nintendo e para a as plataformas da mesma.

    O que novamente eu afirmo é que em alguns casos, o seu ‘nintendismo’ sobe demais a cabeça, e tudo o que não for Nintendo/ou para plataforma Nintendo não é bom. Será que é assim mesmo?!

    Comentário do AvcF: Não subjulguei Heavy Rain, Daniel, pois não fiz qualquer juízo de valor quanto ao jogo. Talvez a expressão “última bolacha do pacote” não tenha ficado clara para ti, mas o que quis dizer é com isso é que o jogo poderá sim é ser superestimado. Aliás sobre isso, você fala em nintendismo de minha parte, mas não é capaz de apontá-lo.

    Por outro lado, você tocou em dois pontos interessantes. Primeiro você disse que Heavy Rain e Wii fit tem de ser encarados de maneiras diferentes. Por quê? Qual o motivo para que um seja saudado e outro seja considerado o “fim dos games“? Não é exagero meu, aqui se discute a mesma coisa. Eu me lembro que em 2008 até tinha gente na internet defendendo que Wii Fit deveria ser excluído das listas de games mais vendidos. Sem contar o desespero que bateu em alguns ao saber que Wii Fit vendeu mais do que GTA 4. Mas não há nada que embase tal preconceito por parte dos rardecores. No meu entendimento, Wii Fit e Heavy não tem de ser “tratados” de maneira diferente coisa nenhuma, eles têm é que ser interpretados de maneira diferente, pois por óbvio são produtos distintos.

    Segundo, você escreveu “Até mesmo PS3 e XB360 podem ser segmentados em nichos mais específicos”. Pois é, isso de fato está acontecendo, mas eu nunca tinha visto antes dois consoles em uma mesma geração sendo encarados dessa forma. Aqueles que se consideram como “hardcores” fazem parte de um grupo cada vez menor (e mais chatos). Esse conceito de rardecores é coisa da geração PS2, e o mercado está encolhendo desde então. Não acha que há algo de errado aí? Enquanto isso, o restante dos jogadores que não perde tempo com essa babaquice de rardecor está com o Wii. Ao mesmo tempo, X360 e PS3 se predam por um nicho decrescente e só retraem, mesmo com todos os cortes de preço, bundles e marketing. E tirante parte de 2009, o Wii só faz crescer. Mas mesmo assim, boa parte da indústria (produtores, distribuidores, etc) despreza o console com todas as forças. Mas falarei mais sobre isso no post que publicarei ainda hoje.

  9. eu quando vi o heavy rain num demo na casa de um amigo pensei: “ueh? esse jogo eh muito “wii like”, eles taum apelando pesado mesmo…rs” eu confesso que fikei até interesasdo na história… gosto de thrillers… mas vai ser como sempre é, meu amigo fica jogando e eu fico só assistindo (como foi com mgs4, re5, uncharted, etc etc etc) games são games e jogos são jogos… wii é wii e hd é hd… no meio disso tudo eu fico com os meus emuladores e com o meu ds…

  10. Seu ‘nintendismo’ vem do fato de que tudo com “Nintendo” é ‘bom’. Que o Wii é uma maravilha. E que tudo que é PS3 e XB360 é ‘apenas gráficos em HD’ e coisa de ‘rardecore’.

    Quer dizer então que ter um Wii é coisa de jogadores inteligentes e ter um PS3/XB360 é coisa de ‘rardecore’? Não existem jogadores ‘rardecores nintendistas’??

    Claro que Wii Fit e Heavy Rain tem que ser TRATADOS de forma distinta, pois como você mesmo afirmou, são produtos DISTINTOS. Coca Cola não tem o mesmo público de RedBull, que não tem o mesmo público de Água com gás. Assim como suas ‘revoluções’ são diferentes. São propostas diferentes, para públicos diferentes.

    Claro que você nunca viu uma segmentação assim. Claro. Essa é a nova era. Videogames deixaram de ser uma brincadeira de crianças e pré-adolescentes para se tornar um mercado imenso, com jogadores de 5 a 50 anos e movimentando bilhões no mundo todo. Um mercado que por ser cada vez maior, acaba se segmentando mais. Na próxima geração, isso será ainda mais claro.

    Porque o Wii não tem tanta atenção das produtoras? Porque talvez os jogos mais ‘adultos’ não dêem o retorno esperado. Porque talvez apenas os próprios jogos da Nintendo consigam espaço no console. Aquela lista dos mais vendidos que você mesmo publicou (acho que do NPD). Quantos jogos do Wii são de outras produtoras? Será que a própria Nintendo não pode as produtoras?

    Comentário do AvcF: é impressão minha ou senti uma certa indignação no seu texto? Calma lá rapaz. Argumentarei ponto por ponto. Vamos lá, primeiro: “Nintendo” é ‘bom’. Que o Wii é uma maravilha. E que tudo que é PS3 e XB360 é ‘apenas gráficos em HD'” Ok…Agora quero ver você achar tais frases nos posts já publicados. Até porque nunca critiquei os consoles diretamente, me atenho mais aos jogos e tal. Por sinal, eu homenagiei o Playstation e o Genesis, quando estes fizeram aniversário. Entretanto, você já leu qualquer post além da primeira página? (não é uma pergunta retórica)

    Agora temos uma pérola: “Essa é a nova era. Videogames deixaram de ser uma brincadeira de crianças e pré-adolescentes para se tornar um mercado imenso, com jogadores de 5 a 50 anos e movimentando bilhões no mundo todo.” É mesmo? Quer dizer que só agora com os consoles HD é que os “adultos” descobriram os games? Os adultos foram os PRIMEIROS a jogar videogame, isso desde o pong. Sabia que o primeiro lugar onde esse jogo foi testado foi um bar? Muito antes de Xbox e Playstation, adultos jogavam videogame nos PCs. O Atari 2600 tinha apelo com a família, mas muitos dos seus jogadores eram adultos. Não é à toa que muitos tiozões de hoje se lembram com carinho do Pitfall, do Adventure e do “Come-Come”. Com o NES foi a mesma coisa, com o Wii também. Sabe por que isso aconteceu? Por que os jogos desses consoles são universais, e não feitos para “hardcores”, “nerds de fórum” ou qualquer outra bobagem. No caso específico do Wii, boa parte da audiência expandida (isso que muitos chamam jocosamente de casuais) é formada de gente que já jogou videogame no passado, mas foram abandonados por não serem rardecores o suficiente. Mesmo a Nintendo cometeu esse erro, por isso que eles amargaram duas gerações fora da liderança.

    Agora respondendo sua pergunta “Porque o Wii não tem tanta atenção das produtoras?”. Não dão porque algumas até hoje não entenderam o console. Até por isso que volta e meia vemos declarações desencontradas desse pessoal. No começo da geração algum gênio corporativo pensou “faremos coletâneas de minigames porcaria”. E dá-lhe fracasso. Aí quando perceberam que tinham que se esforçar e ser CRIATIVOS, muito afinaram e até hoje reclamam. Sem contar que em 2005 NINGUÉM apostava no console e caíram do cavalo. Quando o Wii lançou e se tornou um fenômeno, nove entre dez analistas apostavam que seria só uma modinha, algo passageiro. As produtoras que embarcaram nessa se deram mal. Aí percebiam, lançavam joguetes apressados e…se ferravam novamente. Falei sobre isso no post “Capcom justifica seus fracassos culpando os jogadores“.

    Por fim, temos “Na próxima geração, isso será ainda mais claro” Será? Quero só ver o que nossos amigos rardecores acharão quando a Sony e Microsoft entrarem de cabeça nisso que a Nintendo já está fazendo desde 2006: controle por movimento. E aí? Os adultos “rebolarão em frente da tevê” com o Natal e “chacoalharão o controle” com o Arc da Sony? Os jogos deixarão de ser “casuais” quando tiverem gráficos HD? Ou os rardecores serão como vacas de presépio e aceitarão tudo isso apenas se esquecendo de tudo o que foi dito nos últimos quatro anos?

  11. Já li seu blog praticamente todo. Você ‘critica’ de forma indireta. Não é necessário escrever ‘isso é bom’, ‘isso é ruim’ para se perceber a sua opinião. Não estou indignado com nada, apenas vejo que você critica demais os tais consoles HDs e detrimento de deles serem ‘rardecores’.

    Em relação ao público, não é porque jogos são ‘testados’ por adultos que eles são direcionados para adultos. Você quer dizer que nas gerações passadas pré 32-bitis nós tinhamos MAIS jogos ‘direcionados’ para adultos? E os ‘tiozões’ de hoje, não eram tão ‘tiozões’ na época do Atari. Já se foram quase 20 anos. Não foi ontem.

    Se haverá segmentação? ISso já existe. Haverão games para os seus “rardecores”, para os “”quase rardecores”, para os “quase casuais”, para “casuais”… (Uma classificação apenas a nível de comparação).

    Se os “rardecores” vão se render ao movimento? Claro. Um dia.

    Se quiser, me adicione no MSN e a gente debate ainda mais. É o mesmo email que eu coloco aqui.

  12. Gostei do texto traduzido… mas não do comentário. Faz tempo que acompanho este site mas se tornou repetitivo no que tange ao mercado de jogos. O texto refere-se a dois jogos de certa forma revolucionários e que ampliam o conceito de jogo. A única referência que faz ao preconceito ao wii encontra-se no último parágrafo, pois foi escrito com o intuito de demonstrar as similaridades nos conceitos que originaram tais entreterimentos.
    Ocorre que o autor do site chega a conclusões dispares e utiliza-se do texto sem estar disposto à uma análise mais aberta. Defende o wii desnecessariamente (ele é um sucesso mundial) mais uma vez.

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